O senador e pré-candidato à Presidência rebateu nesta segunda-feira (6/7) críticas de que sua participação possa prejudicar as negociações contra o tarifaço americano. Ele está em Washington, onde falará na terça-feira (7/7) em audiência do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), O senador afirmou que está nos Estados Unidos para “defender os interesses do povo brasileiro” e atribuiu ao presidente Lula a responsabilidade pela crise comercial.“Eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil, ainda”, afirmou o parlamentar, em vídeo divulgado à imprensa. “E vejo notícias dizendo que posso atrapalhar. Está de brincadeira!”, continuou.“O Lula já atrapalhou e vai ser difícil reverter o estrago que ele causou.”Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ)Por outro lado, o empresariado brasileiro está em alerta e temeroso de que as ações de Flávio atrapalhem as negociações técnicas e a atuação do governo Lula, que atua em outro fórum. Leia também Igor GadelhaPor que o governo Lula enviou observadores na audiência do tarifaço Igor GadelhaSem Figueiredo, Eduardo acompanha Flávio em audiência do tarifaço BrasilTarifaço: 4,1 mil produtos exportados podem ser atingidos, alerta CNI BrasilAmeaça de tarifaço ofusca Master e domina debate eleitoral no Brasil A ação de Flávio revela uma tentativa de mudar de postura do clã Bolsonaro diante da ofensiva norte-americana contra o Brasil.No ano passado, o irmão do senador, o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), comemorou o tarifaço aplicado contra o Brasil. TTambém no ano passado, uma comissão presidida por Flávio Bolsonaro enviou documentos do ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF) Eduardo Tagliaferro à Embaixada dos EUA no Brasil.Questionado pela reportagem, Flávio Bolsonaro disse que ele não poderia impedir os americanos de impor tarifas econômicas em decorrência dos documentos enviados pela comissão que ele presidia.Flávio abre audiênciasO senador será o primeiro a falar no painel que discutirá as sobretaxas estudadas pelo governo americano sobre produtos brasileiros. Também participarão representantes de empresas, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Abicalçados.Flávio afirmou que pretende apresentar argumentos técnicos e políticos contra a medida. O parlamentar também pretende defender o Pix durante a audiência. “O Pix é sagrado para todos nós, brasileiros”, afirmou.Na estratégia que levará aos americanos, Flávio sustentará que uma eventual mudança de governo em 2027 poderia reaproximar Brasil e Estados Unidos, hoje governador por Donald Trump (Republicanos). “Enquanto eu defendo os brasileiros, Lula defende os bandidos brasileiros”, acusou.A audiência é a etapa final da investigação comercial aberta pelos EUA antes da decisão definitiva sobre as tarifas, prevista para 15 de julho.