Personalidade tem estado em falta entre os SUVs chineses, que repetem exaustivamente uma fórmula genérica de design. A missão da Omoda, no entanto, é fugir do óbvio e o faz principalmente com o Omoda 7, carro mais caro da marca no Brasil e que disputa clientes com GWM Haval H6 e BYD Song Plus. Seu principal argumento está no visual marcante – mas ele vai muito além das aparências.Disponível em duas versões, o Omoda 7 parte de R$ 254.990 na configuração de entrada, Luxury. Testamos a mais cara, Prestige, que sai por R$ 279.990 e adiciona itens de conforto e visual.Não há outra forma de iniciar um teste do modelo se não pelo design, que remete a algo como soldados medievais chineses, com os olhos (ou faróis) puxados, e a grade em um formato que lembra o do capacete utilizado por eles. Ou, em outro ponto de vista, os faróis se parecem com espadas afiadas.–Fernando Pires/Quatro RodasFazendo sentido ou não, o mais importante é que, além do bom resultado, eles não sucumbem à tendência chinesa de uma aparência mais limpa e/ou marcada por uma faixa de led inteiriça. Ou até a faróis convencionais, sem muita inspiração. Ainda na dianteira, a grade inferior é composta por aletas verticais em preto brilhante e, a superior, tem elementos geométricos que parecem “rasgar” o para-choque.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeDe lado, o SUV também tem vincos bem marcados, além de um aplique estilizado na coluna C. Este aplique tem, além de uma janela espia, traços iluminados que mostram o nível da bateria e/ou o processo de recarga. As rodas também chamam a atenção e, na versão Prestige, são de 20 polegadas com pneus 235/45.A traseira é tão chamativa quanto a dianteira. Um vinco que nasce nas portas atravessa toda a parte central da traseira, logo acima das lanternas, e remete ao Jaguar F-Pace. As lanternas, aliás, até têm as peças interligadas como é moda na indústria automotiva global, mas com um diferencial. A iluminação não é feita por uma faixa única, e sim por um desenho que se parece com raios – ou com um rabisco. Foge ao convencional.–Fernando Pires/Quatro RodasO limpador do vidro traseiro fica escondido sob o aerofólio para não atrapalhar o desenho. Mas há um ponto de atenção: a tampa do porta-malas é baixa e rente ao para-choque, e fica exposta em casos de colisão.Interior não empolga, mas faz um showSe a parte externa do Omoda 7 é diferente do que se vê no segmento, o interior é genérico como o da maioria dos rivais chineses. Ou seja, é composto basicamente por um painel de elementos horizontais, duas telas em destaque e um console central alto, com um vão inferior. Continua após a publicidade–Fernando Pires/Quatro RodasUm diferencial está nas saídas de ar centrais, posicionadas no topo do painel, logo atrás da central multimídia. A posição prejudica a refrigeração da cabine, especialmente para quem gosta de vento direto, e só pode ser direcionada para os lados. Não há como regular a direção vertical do vento. Assine as newsletters QUATRO RODAS e fique bem informado sobre o universo automotivo com o que você mais gosta e precisa saber. Inscreva-se aqui para receber a nossa newsletter Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril. Cadastro efetuado com sucesso! Você receberá nossa newsletter todas as quintas-feiras pela manhã. O nível de acabamento também segue a concorrência, mas isso é bom. Há materiais emborrachados em grande parte do painel e console, além áreas macias com revestimento sintético. Mesmo os apoios centrais para telefones (dos quais apenas um é um carregador por indução de 50W, com ventilação), são revestidos com algo como uma camurça para não arranhar os aparelhos.–Fernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeO quadro de instrumentos tem 8,9 polegadas, embora pareça menor por seu formato bastante horizontal. Há boa qualidade de imagem e riqueza de informações. Já a central multimídia tem 15,6 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay sem fio, e um bom sistema operacional visto em diversos outros modelos chineses.Mas a tela central faz o seu show. Enquanto a BYD apostou em telas giratórias (que já estão sendo abandonadas pela marca), a Omoda quis que o Omoda 7 tivesse uma tela deslizante. Basta pressionar um botão ou arrastar três dedos na tela e ela se desloca para a frente do passageiro. Os mesmos métodos fazem com que a tela retorne para a posição central.–Fernando Pires/Quatro RodasE o motorista?O Omoda 7 segue com bom acabamento nos bancos, de material sintético. Todos os bancos (exceto o traseiro central) têm aquecimento e, os dois dianteiros, ganham ventilação. Os dianteiros também têm ajustes elétricos, além de função de memória para o do motorista.Mas algo intriga: apenas o banco do passageiro dianteiro tem função de massagem. Não faz sentido para a proposta do Omoda 7 e, mais do que isso, o item normalmente é oferecido para o motorista ou, quando muito, para os dois bancos dianteiros. Apenas para o passageiro, é novidade. Continua após a publicidade–Fernando Pires/Quatro RodasA vida de quem viaja no SUV também melhora com o ar-condicionado digital de duas zonas, com saídas traseiras, teto solar panorâmico, sistema de cancelamento de ruído ativo e iluminação ambiente. Ele também tem fragrâncias que podem ser exaladas junto ao ar-condicionado. São três opções, em diferentes níveis. Porém, testamos todos eles e nenhum passou perto de agradar.–Fernando Pires/Quatro RodasEntre os equipamentos há ainda volante com aquecimento, retrovisores elétricos com rebatimento, aquecimento e memória, porta-malas com abertura elétrica, desembaçador automático do para-brisa, head-up display, sistema de som Sony de 12 alto-falantes e câmera 360° com função chassi transparente.Na segurança, o Omoda 7 tem oito airbags, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, monitoramento de pressão dos pneus, ACC, frenagem automática de emergência, alertas de pontos cegos, alertas de tráfego cruzado traseiro, assistente de manutenção e saída involuntária de faixa, entre outros. Continua após a publicidade–Fernando Pires/Quatro RodasTambém não falta espaço para viajar no SUV de 4,66 metros de comprimento e 2,72 metros de entre-eixos. Há bom espaço interno mesmo para pessoas de maior estatura, embora um ocupante central possa ser incomodado pelo console que abriga as saídas de ar. O porta-malas tem grandes 590 litros.Anda como SUV pequenoO Omoda 7 não é apenas grande (embora seja menor do que um Haval H6), ele também é pesado: são 1.855 kg declarados pela marca. Apesar disso, ele anda como SUVs compactos em suas versões mais potentes.–Fernando Pires/Quatro RodasHíbrido plug-in, ele combina um motor 1.5 turbo a gasolina de 135 cv e 20,4 kgm, a outro elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm. De acordo com a marca, são 279 cv e 37,2 kgfm combinados.Essas credenciais foram suficientes para que o modelo acelerasse de 0 a 100 km/h em apenas 8,1 segundos, nos nossos testes. Número bom e condizente com a agilidade sentida no dia-a-dia, que nos faz esquecer do tamanho do Omoda 7. As acelerações e retomadas são rápidas e ele não transmite sensação de peso, embora a direção não tenha a leveza artificial aplicada por aí.–Fernando Pires/Quatro RodasPara dar conta do motor elétrico, a bateria é de 18,4 kWh e tem uma autonomia elétrica declarada de 60 km – na prática, é possível ir além. Para recarregá-la, o motor a combustão pode fornecer energia funcionando como um gerador, mas isso aumentará o consumo de combustível. O ideal é que as recargas sejam feitas por redes externas. Assim, as recargas lentas (AC) podem ser feitas na potência máxima de 6,6 kW e, as rápidas (DC), a 40 kW.–Fernando Pires/Quatro RodasNos nossos testes, o modelo registrou as médias de consumo de 14,1 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada, com bateria em carga baixa. Caso seu uso seja majoritariamente urbano e você consiga manter a bateria carregada, os números serão bem melhores – quando houver consumo de combustível.Por fim, o Omoda 7 assume uma dirigibilidade bem ao gosto do brasileiro. A suspensão tem bom ajuste, com foco no conforto, mas sem tender para o lado macio demais – fica entre a maciez exagerada dos BYD e a firmeza dos GWM.–Fernando Pires/Quatro RodasVeredictoO Omoda 7 é o rival que mais deve preocupar GWM e BYD até agora. Ele chega com bom acerto mecânico, pacote acertado de equipamentos e um visual que foge do comum – até demais para os mais conservadores. Além disso, Omoda & Jaecoo tem apresentado boas credenciais para firmar-se no Brasil.Ficha Técnica – Omoda 7 PrestigeMotor: diant., 4 cil., turbo, 1.5, inj. direta, gasolina, 135 cv, 20,4 kgfm; motor elétrico, 204 cv, 31,6 kgfm; combinados, 279 cv, 37,2 kgfmCâmbio: aut., 1 marcha; tração dianteiraBateria: íons de lítio (LFP), 18,4 kWh; recarga máx., 6,6 kW (AC), 40 kW (DC)Direção: elétricaSuspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)Freios: disco vent. (diant.), sólido (tras.)Pneus: 235/45 R20Dimensões: comprimento, 466 cm; largura, 187,5 cm; altura, 167 cm; entre-eixos, 272 cm; porta-malas, 590 litros; peso, 1.855 kg; tanque, 60 litrosTeste Quatro Rodas – Omoda 7 PrestigeAceleração 0 a 100 km/h8,1 s 0 a 1.000 m29 s / 179,7 km/hVelocidade máxima180 km/h (dado de fábrica)RetomadasD 40 a 80 km/h3 s D 60 a 100 km/h4,1 s D 80 a 120 km/h5,9 s Frenagens60/80/120 km/h a 014,1/25,1/57 m ConsumoUrbano14,1 km/lRodoviário13,8 km/lRuído internoNeutro/RPM máx.– / – dBA 80/120 km/h68 / 71,1 dBAAferiçãoVelocidade real a 100 km/h98 km/hRotação do motor a 100 km/h –Volante2,5 voltasSEU BolsoPreço básicoR$ 279.990Garantia7 anosCondições de teste: alt. 660 m; temp., 30,5 °C; umid. relat., 41%; press., 758 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas. Publicidade