Portugal fecha para férias. A economia aguenta?

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O turismo mantém a máquina a funcionarA resposta encontra-se nos números. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), em agosto de 2025 registaram-se 3,8 milhões de hóspedes e 10,7 milhões de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico, com uma variação homóloga de 0,9% e 1,1%, respetivamente. Os proveitos totais atingiram 1.011,3 milhões de euros, um aumento de 6,5% face ao mesmo mês de 2024, ainda que o ritmo de crescimento tenha sido inferior ao dos meses anteriores.O consumo durante o período estival também não desacelera. Os dados da SIBS Analytics revelam que entre julho e agosto de 2025 o consumo em Portugal cresceu 9% no número de operações e 4% em valor, face ao mesmo período de 2024. Os setores do lazer registaram um crescimento de 15% no número de operações, enquanto a restauração aumentou 11% nas transações. Estes números sugerem que, embora muita gente saia de férias, o país continua a gastar — seja através do consumo interno, seja das despesas efetuadas pelos turistas que visitam Portugal.A solidez do mercado de trabalho português é um dos pilares desta resiliência económica. As estimativas mais recentes do INE apontavam, no verão de 2025, para uma taxa de desemprego de 5,8%, enquanto a média anual acabou por fixar-se em 6,0%, o valor mais baixo desde 2011. Ao longo de 2025, o emprego continuou a crescer, com a população empregada a aumentar 3,2% face ao ano anterior, atingindo um máximo histórico de cerca de 5,28 milhões de pessoas.Os salários reais continuaram igualmente a crescer em 2025, sustentados por aumentos salariais superiores à inflação. A remuneração bruta média aumentou 5,6% em termos nominais, enquanto a inflação se situou em 2,3%, traduzindo-se num crescimento real de cerca de 3,2%. Esta evolução contribuiu para preservar o poder de compra das famílias e ajudou a explicar a resiliência do consumo, mesmo durante os meses tradicionalmente associados às férias.Os setores que nunca fechamO turismo continua a reforçar o seu peso na economia portuguesa. Segundo a Conta Satélite do Turismo do Instituto Nacional de Estatística (INE), o consumo turístico no território económico atingiu 34 mil milhões de euros em 2024, o equivalente a 11,9% do Produto Interno Bruto (PIB), consolidando o setor como um dos principais motores da atividade económica nacional. Em 2025, os indicadores mais recentes do INE mostram que o turismo manteve uma trajetória de crescimento, com aumentos no número de hóspedes, dormidas e proveitos turísticos.Se a economia portuguesa consegue manter o funcionamento durante as férias é porque certos setores funcionam em contínuo. A energia, a saúde, os transportes, as telecomunicações e o abastecimento de água não dormem em agosto. Estas atividades garantem o funcionamento das infraestruturas críticas e permitem que residentes, empresas e milhões de turistas continuem a desenvolver normalmente a sua atividade.Entre os setores que não podem parar destacam-se os serviços hospitalares e de urgência, o abastecimento de água, energia e combustíveis, os transportes públicos e as operações aeroportuárias, a hotelaria, a restauração, o turismo e as telecomunicações.A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) e a COTEC Portugal têm defendido que o reforço da produtividade, da inovação e da competitividade empresarial será determinante para sustentar o crescimento económico português nos próximos anos. Para muitas empresas industriais, logísticas, energéticas e tecnológicas, a continuidade da atividade durante o verão faz parte do funcionamento normal, assegurando cadeias de abastecimento, exportações e serviços essenciais.Uma economia que não tira fériasPara 2026, o Banco de Portugal prevê um crescimento do PIB de 2,3%, acima do registado em 2025, mantendo Portugal numa trajetória de expansão moderada. O mercado de trabalho deverá continuar resiliente, com uma taxa de desemprego em níveis historicamente baixos e uma evolução sustentada do emprego.Portugal fecha para férias, mas a economia não fecha. Os dados de agosto de 2025 mostram uma economia que continua a gerar valor mesmo quando grande parte da população está ausente. O turismo mantém um peso crescente na atividade económica, o mercado de trabalho permanece robusto e o consumo continua dinâmico. Isso é possível porque setores essenciais funcionam sem interrupção, porque milhares de trabalhadores asseguram serviços críticos e porque uma parte significativa da atividade económica depende precisamente dos meses de verão.Mas os indicadores positivos não eliminam os desafios estruturais. Apesar do crescimento dos salários reais, Portugal continua a registar remunerações relativamente baixas no contexto europeu e uma aproximação crescente entre o salário mediano e o salário mínimo, sinal de uma compressão salarial que preocupa economistas e empresários. A produtividade continua abaixo da média da União Europeia e muitos setores enfrentam dificuldades em recrutar e reter trabalhadores qualificados.A pergunta «A economia aguenta?» encontra resposta nos dados: sim. A economia portuguesa mostrou capacidade para continuar a crescer mesmo durante o mês em que o país parece parar. O desafio, contudo, jé garantir que esse crescimento se traduz em maior produtividade, melhores salários e uma prosperidade mais distribuída, para que uma economia que não tira férias seja também uma economia que recompensa melhor quem a mantém a funcionar todos os dias.O conteúdo Portugal fecha para férias. A economia aguenta? aparece primeiro em Revista Líder.