No aniversário dos protestos de 2021, Cuba está à escuras com novo blecaute

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Hoje completam-se cinco anos do início dos protestos populares contra o governo de Cuba, que aconteceram em maio de 2021, em meio à escassez de alimentos e remédios agravada pela pandemia de Covid-19. De lá para cá, a crise econômica se agravou e o país caribenho tem atravessado uma grave crise energética – o último apagão geral ocorreu na tarde de sexta-feira (10) e ainda não foi solucionado.A nova desconexão total do Sistema Elétrico Nacional (SEN) foi informada nas redes sociais pela estatal União Elétrica (UNE) às 16h30 da sexta-feira. O site independente 14YMedio destacou que esse foi o quarto colapso da SEN no ano e o nono desde outubro de 2024.Embora o governo tenha anunciado que os protocolos de contingência tinham sido ativados para priorizar o restabelecimento do serviço nos centros vitais do país, grande parte da ilha ainda está às escuras.Leia também: Rede elétrica nacional de Cuba entra em colapso e causa é desconhecidaDe acordo com os relatórios da UNE, 11 das 16 unidades de geração termoelétrica do país não estavam operando devido a falhas ou trabalhos de manutenção, enquanto a geração distribuída (motores a diesel e óleo combustível) permanece praticamente paralisada pela falta de combustível.Nas redes sociais, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, disse que a nova desconexão do Sistema Elétrico Nacional evidencia “as consequências do castigo coletivo imposto pelo governo dos Estados Unidos contra o povo cubano”.“Trata-se de uma consequência direta do cerco energético e do recrudescimento extremo do bloqueio econômico, comercial e financeiro que o governo dos Estados Unidos mantém contra Cuba há quase sete décadas”, escreveu Parrilla.Ele lembrou que o país passou praticamente quatro meses sem receber combustível e que nenhum navio com essa finalidade chegou a Cuba até a chegada da doação da Federação da Rússia, de cerca de 100 mil toneladas de petróleo cru. Mas essas reservas já esgotaram, deixando o sistema novamente em uma situação extrema.“A geração elétrica depende hoje fundamentalmente do gás associado produzido no país e do petróleo nacional, enquanto as termoelétricas operam com forte desgaste tecnológico e escassez de peças de reposição, também resultado do cerco.”Como foram os protestos de 2021Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos saíram às ruas naquela que foi considerada a maior manifestação nacional contra o governo desde a Revolução Cubana de 1959.O governo reagiu com forte repressão e prisões. O grupo cubano de direitos humanos Cubalex informa que mais de 1.400 pessoas foram detidas na ocasião e que mais de 700 ainda permanecem atrás das grades.Um relatório da Human Rights Watch mostrou que os policiais detiveram sistematicamente pessoas que protestavam pacificamente, prenderam críticos enquanto se dirigiam às manifestações ou os proibiram de deixar suas casas por dias ou semanas.Na maioria dos casos documentados, diz a entidade, as pessoas detidas foram mantidas incomunicáveis por dias, semanas e, às vezes, meses, sem poder telefonar ou receber visitas de seus familiares ou advogados. Algumas foram espancadas, forçadas a agachar-se nuas ou submetidas a maus-tratos, incluindo privação de sono e outros abusos que, em alguns casos, constituem tortura.Mais de 380 manifestantes e transeuntes, incluindo vários adolescentes, foram processados e sentenciados. Muitos julgamentos ocorreram em tribunais militares, o que viola o direito internacional. Muitos foram processados por “sedição” e condenados a penas desproporcionais, de até 25 anos de prisão, por supostamente participarem de incidentes violentos, como atirar pedras durante os protestos.Os promotores enquadraram protesto pacífico e insultos ao presidente ou a polícia, exercícios legítimos da liberdade de expressão e associação, como atos criminosos. Pessoas foram condenadas com base em evidências não confiáveis ou não corroboradas, como declarações exclusivamente de agentes de segurança ou supostos “vestígios de odor” de pedras nos acusados.As vítimas e seus familiares disseram que forças de segurança as assediaram sistematicamente, em alguns casos levando-as a deixar o país.O governo não realizou amplas reformas econômicas ou políticas após os protestos, mas permitiu o avanço de pequenas e microempresas. Por outro lado, aproveitou para deixar mais duras as leis contra as manifestações, inclusive nas redes sociais.Somente em junho de 2026, o Parlamento de Cuba aprovou um conjunto de medidas voltadas ao livre mercado, numa tentativa de atrair investimentos externos. Serão permitidas empresas privadas com mais de 100 empregados, capital estrangeiro no setor privado e contas em moeda estrangeira.The post No aniversário dos protestos de 2021, Cuba está à escuras com novo blecaute appeared first on InfoMoney.