Espadas, estatuetas metálicas e outros objetos encontrados por indígenas na Amazônia passam a ser analisados por uma equipe de pesquisa e levantam novas questões sobre a ocupação antiga do território brasileiro.Conjunto de estatuetas encontradas no sul do estado do Amazonas. As estatuetas medem de 35 a 50 centímetros, e pesam de 6 a 9 quilos. São feitas de liga de cobre, provavelmente bronze.Uma série de artefatos encontrados na Amazônia por indígenas está chamando a atenção de pesquisadores independentes e pode reabrir um antigo debate sobre a presença de povos navegadores no Brasil muito antes da chegada dos portugueses.Entre os objetos identificados estão três espadas metálicas, quatro estatuetas maciças produzidas em liga de cobre, além de ornamentos e outros artefatos que agora passam por um processo inicial de documentação e análise.O material chegou ao conhecimento da equipe de pesquisa por intermédio do Fuzileiro Naval Helton Marques, que mantém contato com lideranças indígenas da região. A localização dos objetos foi possível graças aos contatos do cacique guarani Roger, de Goiás.Segundo o pesquisador e editor da Revista Enigmas, André de Pierre, trata-se de um dos conjuntos arqueológicos mais intrigantes que já teve a oportunidade de analisar.“Quando recebi as primeiras imagens fiquei impressionado. Posteriormente pude manipular uma das estatuetas e observar detalhes impossíveis de perceber apenas pelas fotografias.”Espadas antigas despertam atençãoEntre os artefatos encontrados, três peças chamam imediatamente a atenção por sua aparência.Produzidas aparentemente em liga de cobre e recobertas por uma intensa pátina verde, as espadas apresentam formato bastante semelhante entre si, indicando uma possível tradição comum de fabricação.As lâminas são alongadas, possuem guardas discretas e cabos terminados em pomos ornamentados, características que lembram exemplares conhecidos da Antiguidade.Objetos semelhantes existem em diferentes regiões do mundo antigo, especialmente durante a Idade do Bronze.No entanto, até o momento, não é possível determinar sua origem apenas por meio da análise visual.A principal pergunta permanece aberta:Como objetos com essas características apareceram na Amazônia?Espadas de liga de cobre encontradas na Amazônia.Estatuetas lembram figuras de fundação da MesopotâmiaOutro conjunto que impressiona é composto por quatro estatuetas metálicas.Todas apresentam um busto humano na parte superior, mãos unidas sobre o peito e uma longa haste inferior, sugerindo que foram produzidas para serem enterradas.Cada exemplar mede aproximadamente cinquenta centímetros de comprimento e pesa entre seis e oito quilos, revelando objetos maciços produzidos por fundição.Essas características lembram fortemente as chamadas figuras de fundação, conhecidas na arqueologia da antiga Mesopotâmia.Essas estatuetas eram enterradas sob templos, palácios e outras construções importantes durante cerimônias religiosas, funcionando como oferendas às divindades e símbolos de proteção da edificação.Diversos exemplares semelhantes encontram-se atualmente em museus e coleções arqueológicas ao redor do mundo.Estatueta após eletrólise, revelou sua cor dourada. Figuras de fundação sumérias.Primeiras observações sobre o metalDurante a análise de uma das estatuetas foi possível observar uma intensa pátina esverdeada, típica da corrosão de ligas metálicas ricas em cobre.Um pequeno lixamento realizado apenas na extremidade inferior revelou uma superfície metálica de coloração dourada sob a camada de oxidação, característica compatível com ligas à base de cobre, como o bronze.Após, foi feita eletrólise, que revelou a estatueta completamente dourada.Embora essas observações sejam relevantes, somente análises laboratoriais poderão determinar com precisão a composição química da peça e fornecer informações mais seguras sobre sua tecnologia de fabricação.Um debate antigoA hipótese da presença de povos navegadores no Brasil antes da chegada dos portugueses não é recente.Durante o século XIX, diversos pesquisadores defenderam essa possibilidade, e o próprio imperador Dom Pedro II demonstrou interesse por descobertas relacionadas à Pedra da Gávea e à chamada Pedra da Paraíba, cuja inscrição fenícia foi posteriormente estudada pelo linguista Cyrus Gordon.Esses debates também aparecem em obras clássicas como Antiga História do Brasil, de Ludwig Schwennhagen, e nos estudos de D. Henrique Onffroy de Thoron sobre as possíveis viagens dos navios de Salomão até o continente americano.Mais recentemente, essas discussões voltaram a ganhar espaço em publicações como Arqueologia Proibida no Brasil, obra que reúne documentos históricos, inscrições, artefatos e pesquisas relacionadas ao tema.As pesquisas continuamNeste momento, os artefatos ainda estão sendo documentados e analisados.Independentemente das conclusões futuras, o conjunto já desperta interesse por apresentar características incomuns e por levantar novas perguntas sobre a arqueologia amazônica.O post ARTEFATOS ENCONTRADOS NA AMAZÔNIA PODEM REABRIR O DEBATE SOBRE ANTIGAS CIVILIZAÇÕES NO BRASIL apareceu primeiro em Revista Enigmas.