O Reino Unido passará a supervisionar diretamente quatro das maiores empresas de computação em nuvem do mundo para reduzir os riscos que falhas tecnológicas ou ataques cibernéticos representam para o sistema financeiro. O governo britânico classificou Microsoft, Google, Amazon e Oracle como “terceiros críticos”, tornando essas companhias sujeitas à fiscalização dos reguladores financeiros do país.A medida entra em vigor na próxima segunda-feira, 13 de julho, e reflete a dependência crescente de bancos, seguradoras e outras instituições financeiras da infraestrutura de computação em nuvem fornecida por essas empresas. Segundo o governo, uma interrupção em um único provedor pode afetar diversas organizações ao mesmo tempo e comprometer serviços essenciais utilizados por milhões de clientes.“À medida que bancos, seguradoras e infraestruturas do mercado financeiro se tornam cada vez mais dependentes de serviços em nuvem, uma interrupção em um grande fornecedor pode afetar várias empresas ao mesmo tempo, impactando potencialmente os serviços dos quais os clientes dependem”, afirmou o governo britânico em comunicado.Reino Unido quer evitar apagões digitais que prejudiquem infraestrutura crítica, como bancos – Imagem: BirgitKorber / iStockGoverno quer evitar apagão digitalCom a nova regulamentação, as empresas passarão a ser monitoradas pelo Banco da Inglaterra, pela Autoridade de Regulação Prudencial (PRA) e pela Autoridade de Conduta Financeira (FCA). Entre as exigências estão a realização de testes periódicos de resiliência, autoavaliações sobre a capacidade de resposta a incidentes e a comunicação obrigatória de ocorrências graves, como ataques cibernéticos, falhas de energia e impactos provocados por desastres naturais.As autoridades também poderão exigir demonstrações de como esses provedores responderiam a cenários extremos capazes de comprometer suas operações.A decisão ocorre em um momento em que a infraestrutura dessas empresas se tornou parte essencial do funcionamento do setor financeiro. Além do armazenamento de dados, seus serviços sustentam sistemas de bancos digitais, plataformas de pagamento e ferramentas automatizadas de detecção de fraudes.Essa concentração também ampliou as preocupações com possíveis efeitos em cascata. Um exemplo citado no debate regulatório foi uma falha registrada no ano passado em operações de computação em nuvem da Amazon no norte da Virgínia, nos Estados Unidos. O problema afetou os serviços online de mais de duas mil empresas, incluindo o Lloyds Banking Group, reforçando os alertas sobre a dependência de um número reduzido de fornecedores globais.Segundo dados do comitê do Tesouro britânico, clientes dos principais bancos e sociedades de crédito imobiliário do país enfrentaram, entre 2023 e 2025, o equivalente a mais de um mês de interrupções em serviços de tecnologia da informação.A iniciativa britânica segue um caminho semelhante ao adotado pela União Europeia, que já havia enquadrado empresas de tecnologia e serviços em um regime regulatório voltado à proteção da infraestrutura financeira. No Reino Unido, porém, a definição dos fornecedores considerados críticos levou mais de 18 meses desde que os reguladores receberam poderes para realizar esse tipo de supervisão.Movimento visa reduzir dependência de provedores de nuvem – Imagem: Tada Images / ShutterstockEmpresas concordaram com a decisãoMicrosoft, Google, Amazon e Oracle receberam positivamente a decisão. Em nota ao jornal The Guardian, um porta-voz do Google Cloud afirmou: “Com uma implementação eficaz e um envolvimento significativo do setor, esta nova estrutura de Terceiros Críticos pode aprimorar a resiliência a longo prazo do ecossistema financeiro do Reino Unido e aumentar a compreensão, a transparência e a confiança entre todas as partes”.O anúncio também reacendeu o debate sobre a necessidade de ampliar esse modelo de supervisão para outras empresas de tecnologia. Para Meg Hillier, presidente do comitê do Tesouro britânico, o avanço da inteligência artificial no setor financeiro pode justificar, no futuro, a inclusão de desenvolvedores de IA no regime de fiscalização. “Isso deve ser monitorado de perto para garantir que o país não fique vulnerável em caso de falha de um grande fornecedor”, afirmou.O post Apagão digital? Reino Unido vai monitorar de perto Microsoft, Google, Amazon e Oracle apareceu primeiro em Olhar Digital.