Nike e Adidas travam disputa pelo futuro do futebol na Copa

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Enquanto partidas da Copa do Mundo são disputadas pelos Estados Unidos, Nike e Adidas, as duas maiores empresas de artigos esportivos do mundo, estão gastando milhões de dólares em um duelo pelo futuro do futebol no país.As rivais de longa data veem o torneio, realizado em 11 cidades americanas, como a maior oportunidade em mais de 30 anos para elevar o perfil do esporte e vender mais produtos de futebol a um mercado valioso.O futebol se tornou um dos esportes de crescimento mais rápido nos Estados Unidos, impulsionado pelo avanço do interesse na Major League Soccer (MLS). Mais de 62 milhões de pessoas acompanham o esporte no país, formando a quarta maior base de fãs de futebol do mundo, segundo relatório da consultoria Nielsen. E isso foi antes de bares e casas ligarem suas TVs para assistir aos jogos da Copa.Pelo menos uma dúzia de marcas esportivas — entre elas Puma, Umbro e Reebok — disputaram atenção ao longo dos 39 dias do torneio, mas nenhuma fez tanto quanto Nike e Adidas.“Isso é crítico para nós”, disse Camilo Andrade, vice-presidente global e gerente-geral de futebol da Nike. “É um acelerador de crescimento.”Chris Murphy, vice-presidente sênior de marketing de marca da Adidas, expressou sentimento semelhante sobre o potencial do evento. “É difícil exagerar a importância disso”, afirmou. “É gigantesco.”A Adidas patrocinou 14 seleções na Copa do Mundo. A Nike patrocinou 12. As duas realizaram eventos ligados ao futebol nos Estados Unidos, no México e no Canadá, os países-sede. As duas lançaram comerciais caros, grandiosos e estrelados, além de apresentarem chuteiras, camisas e equipamentos exclusivos. Ambas esperam sair vitoriosas dentro de campo e atrair mais consumidores para suas marcas nos próximos anos.Nenhuma quer ficar em segundo lugar. Mas a Nike, em particular, não pode se dar ao luxo de sofrer outra derrota.Sediada em Beaverton, no Oregon, a Nike vem enfrentando dificuldades para retomar o crescimento das vendas desde 2024, quando entrou em uma longa fase de fraqueza após uma série de erros estratégicos. A empresa apostou demais em linhas de produtos de lifestyle e negligenciou investimentos no tipo de inovação técnica em calçados que definiu a marca por décadas.O nome e o logotipo da Nike aparecem em uma estação de metrô próxima ao Bryant Park, em destaque para um evento de futebol da marca, o Nike Toma, em Nova York, em 27 de junho de 2026 (Emma Rose Milligan/The New York Times)Em junho, a Nike divulgou seus resultados trimestrais e apresentou uma perspectiva cautelosa para os seis meses seguintes. Elliott Hill, CEO da companhia, transformou o futebol em uma das principais prioridades da empresa e em peça central de seu plano de recuperação, ao lado de basquete e corrida.“A Copa do Mundo é sempre um momento de provar nosso valor”, disse Hill a analistas em teleconferência. “É um dos campos de batalha mais difíceis do esporte, e estamos chegando com o que temos de melhor.”Enquanto a Nike patinava, a Adidas embalou. A empresa alemã reportou crescimento contínuo de vendas em abril, com resultados fortes tanto em produtos de lifestyle quanto em itens de performance, e levou esse impulso para a Copa do Mundo. A companhia reiterou a previsão de que suas vendas devem crescer neste ano em um percentual na faixa de um dígito alto.“Queremos garantir que estaremos muito, muito bem posicionados durante a Copa do Mundo — que venceremos esse evento e o usaremos como plataforma para a marca como um todo”, disse Harm Ohlmeyer, diretor financeiro da Adidas, a investidores em abril.Poder das estrelasA última vez que executivos do setor esportivo ficaram tão empolgados com o futebol nos Estados Unidos foi em 1994.A FIFA, entidade máxima do futebol mundial, escolheu os Estados Unidos como sede da Copa do Mundo, embora a popularidade do futebol profissional estivesse muito atrás da do futebol americano, do beisebol e do basquete.“Isso praticamente mudou a trajetória do futebol neste mercado”, disse Murphy, sobre a Copa de 1994 e seu legado.Jogadores competem durante um evento “Adidas Home of Soccer”, no Brooklyn Bridge Park, em Nova York, em 26 de junho de 2026 (Emma Rose Milligan/The New York Times)Como parte crucial da candidatura americana para sediar o torneio de 1994, a FIFA exigiu que a Federação de Futebol dos Estados Unidos criasse uma liga profissional para ajudar o esporte a crescer. Essa liga, a MLS, estreou em 1996 e ganhou tração ao longo dos anos com contratações internacionais. Em 2007, o LA Galaxy chamou atenção ao contratar David Beckham, astro inglês já perto do fim da carreira. Em 2023, o Inter Miami trouxe Lionel Messi, lenda argentina, dando à liga um novo patamar de atenção global. Ambos têm contratos com a Adidas.Picos de participação doméstica costumam aparecer no ano seguinte a uma Copa do Mundo, e o desempenho da seleção masculina dos EUA no cenário global pode influenciar a popularidade do esporte. Mas, em 2018, quando o país não se classificou para o torneio, o engajamento com o futebol caiu, segundo a Sports & Fitness Industry Association, entidade do setor.A participação atingiu recorde em 2025, e mais de 25 milhões de americanos jogaram futebol de salão ou de campo em maio deste ano, na preparação para a Copa, de acordo com a associação.As marcas esportivas correm para capitalizar esse momento mobilizando suas robustas operações de marketing e seus grandes elencos de atletas patrocinados.“Na escala de Nike e Adidas, todo grande evento importa”, disse Simeon Siegel, analista da Guggenheim Partners. “Esses negócios precisam estar lá fora, precisam estar presentes e precisam ser a primeira marca que vem à cabeça quando você pensa em esporte.”Em maio, a Adidas lançou seu comercial da Copa com Messi, sua grande estrela, e outros nomes de peso, como Jude Bellingham, Lamine Yamal, Ousmane Dembélé e Trinity Rodman. Eles foram acompanhados por lendas do futebol como Beckham, Zinedine Zidane e Alessandro Del Piero, além de participações do rapper Bad Bunny e do ator Timothée Chalamet.A Nike respondeu em junho com uma ofensiva publicitária repleta de estrelas, incluindo alguns dos maiores nomes do futebol, como Cristiano Ronaldo, Kylian Mbappé, Vinícius Júnior e Erling Haaland. O astro do basquete LeBron James também apareceu, assim como cenas com a cantora de K-pop Lisa e os atores Channing Tatum e Jason Sudeikis.Kim Kardashian, que tem uma marca de roupas esportivas com a Nike por meio da sua grife Skims, e o rapper Travis Scott, colaborador de longa data da empresa, também participaram da campanha.“Acreditamos de verdade que este é mais um momento, como foi a década de 1990, em que a escala global desse esporte pode nos ajudar a acelerar o impulso que já temos”, disse Andrade, executivo de futebol da Nike. “E, claro, nos Estados Unidos, temos uma enorme vantagem.”“Em breve”Na Copa do Mundo, cada marca ainda tem seleções nas quartas de final. A Nike veste França, Inglaterra e Noruega, enquanto a Adidas patrocina Espanha, Argentina e Bélgica. As outras duas equipes, Marrocos e Suíça, estão com a Puma.Mas a Nike já marcou pelo menos um gol. Pela primeira vez em mais de 70 anos, o logo da Adidas não aparecerá nos uniformes da Alemanha, seu país de origem, na próxima Copa do Mundo, que será disputada pela Europa, Norte da África e América do Sul. Em vez disso, a seleção usará o swoosh: a Nike fechou contrato para fornecer os uniformes a partir de 2027, num movimento que abalou o país e gerou irritação entre políticos.“O futebol alemão é território sagrado, não um peão em uma guerra corporativa multinacional”, disse Markus Söder, ministro-presidente da Baviera, após o anúncio do acordo. “Nem tudo é comércio.”A Nike não perdeu a chance de provocar a rival. Enquanto a seleção alemã disputava uma partida em Nova Jersey, a marca colocou uma barcaça para navegar pelo rio Hudson levando um painel com o astro alemão Jamal Musiala em uma camisa pixelada que escondia o logotipo.A mensagem dizia: “Em breve.”c.2026 The New York Times CompanyThe post Nike e Adidas travam disputa pelo futuro do futebol na Copa appeared first on InfoMoney.