Relação EUA-China e risco climático pavimentam commodities no 3º trimestre

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A StoneX lançou o Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities referente ao terceiro trimestre de 2026. Para a soja, a consultoria ressalta que a confirmação do fenômeno climático El Niño, incertezas geopolíticas com relação a guerra no Oriente Médio e os desdobramentos da relação comercial entre China e Estados Unidos são os principais fatores que influenciam os movimentos da commodity no período.Segundo a OMM (Organização Meteorológica Mundial), o El Niño tem 90% de chance de persistir até novembro, o que favorece a produtividade com a interrupção da seca, mas acende um alerta sobre o mercado pela intensidade ainda desconhecida do evento climático.Com relação à China, espera-se a conclusão do acordo de compra de 25 milhões de toneladas de soja americana pelos chineses. O acordo veio à tona após a cúpula realizada em Pequim no mês de maio e, caso a compra seja efetivada, o balanço da demanda americana poderia ficar mais restrito. Leia Mais USDA projeta safra mundial de soja em mais de 441 milhões de t em 2026/27 Soja sobe em Chicago com expectativa de relatório e encontro EUA-China Soja e milho avançam em Chicago com clima nos EUA e expectativa sobre China As boas perspectivas para a safra americana de 2026/27 e a confirmação da produção recorde do Brasil pressionaram o recuo das cotações no último trimestre. Ainda assim, segundo a StoneX, os preços encontram suporte na demanda, principalmente pela produção de biocombustíveis nos Estados Unidos.O relatório WASDE do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é aguardado com apreensão pelo mercado, pois traz as principais perspectivas de produtividade dos americanos.Dentre os fatores autistas para a oleaginosa estão o balanço global mais ajustado, custos de produção elevados na América do Sul, esmagamento aquecido nos EUA e Brasil e o avanço das políticas de biocombustíveis.Em contrapartida, o bom andamento da safra americana, bons resultados no Brasil e Argentina e as dúvidas sobre a compra da soja pela China são fatores baixistas observados pelos analistas.O cenário de oferta e demanda global deve manter o fluxo sem grandes restrições, com  o mercado observando as condições climáticas e produção nos EUA, enquanto o processamento da oleaginosa no Brasil permanece em ritmo acelerado, com números superiores aos registrados em 2025.Perspectiva de avanço no plantio da soja para 10 anos é muito boa, diz Fava Neves | MONEY NEWSMilhoPara o milho, o relatório da consultoria constatou momentos distintos que marcaram os dois primeiros trimestres do ano para o grão. A projeção consolida a pressão elevada e a ressurgência sobre os preços associadas à deflagração do conflito no Oriente Médio, alta demanda por commodities energéticas e redução da oferta de fertilizantes com o fechamento do Estreito de Ormuz.A desescalada da Guerra no Oriente Médio e retomada de fluxos na via marítima essencial na região amorteceu suportes das cotações estabelecidos junto ao desenvolvimento favorável das safras de milho na América do Sul e bom plantio nos EUA.A consultoria aponta a queda global dos rebanhos, barreiras regulatórias e o bom abastecimento do grão no mundo como fatores que motivam uma demanda menor. O fenômeno El Niño traz poucos impactos a maior safra do mundo localizada nos Estados Unidos, o que tensiona as cotações para baixo com o bom desenvolvimento das regiões produtoras.A relação comercial entre China e Estados Unidos também pode contemplar o milho em larga escala, o que abre espaço para os embarques do grão devido ao abastecimento robusto da soja. O setor de proteínas no país asiático segue como o principal vetor da demanda chinesa.A redução da área plantada de milho nos EUA, riscos associados ao El Nino na China e tensões geopolíticas podem sustentar as cotações da commodity, enquanto o robusto abastecimento global, queda de rebanho e alimentação a base de milho, assim como a colheita de safra recorde na América do Sul influenciam as cotações para baixo.A StoneX projeta um cenário neutro para baixista no curto prazo, com fundamentos de oferta consolidados a partir dos bons sinais da produção americana. Porém, o quarto trimestre deve concentrar os maiores riscos devido a definição da área de plantio na América do Sul, que pode ser reduzida, o desenvolvimento do fenômeno El Niño e uma maior definição sobre a demanda do grão em relação à alimentação animal e produção de etanol.Conflito no Oriente Médio ameaça agricultores brasileiros