Durante muito tempo, investidores deram preferência a investimentos atrelados ao CDI como forma de se proteger contra a inflação, deixando de lado títulos do Tesouro atrelados ao IPCA. No entanto, um novo relatório da TAG Investimentos mostra que essa lógica pode estar corroendo seu patrimônio — ao menos no longo prazo.O argumento central gira em torno de uma questão aparentemente simples: contas de supermercado, mensalidades escolares, planos de saúde, entre outras contas recorrentes são todas reajustadas pelo IPCA — e nenhuma pelo CDI. “O ativo livre de risco é aquele que paga essas contas. O resto é liquidez com marketing”, diz o documento. De acordo com o relatório, investidores que pretendem pagar a faculdade dos filhos ou financiar a aposentadoria, por exemplo, devem priorizar a preservação do poder de compra para além de preservar o dinheiro nominalmente.“Quem tem objetivos reais futuros (aposentadoria, educação dos filhos, padrão de vida) deveria medir risco em poder de compra, não em volatilidade de tela. Nessa métrica, o CDI carrega um risco enorme e silencioso: o de reinvestir todo dia a uma taxa real futura desconhecida, sem nenhuma proteção contratual contra a inflação”, escrevem.IPCA X CDIIsso porque os analistas afirmam que o CDI pode perder para a inflação em alguns períodos, enquanto títulos indexados ao IPCA oferecem uma proteção mais adequada para objetivos de longo prazo.Para eles, o patrimônio de quem vai se aposentar daqui a 20 anos, por exemplo, precisa acompanhar o custo de vida futuro, e não apenas render próximo ao CDI.Apesar disso, o relatório ressalta que a recomendação não deve ser abandonar completamente o CDI. Para a TAG, ativos atrelados aos juros continuam sendo úteis para reserva de liquidez e caixa de curto prazo, porém, não deveria ser o principal investimento para objetivos de longo prazo.Ajustes de curto, médio e longo prazoVoltando alguns passos, o estudo argumenta que países como o Brasil, que convivem com déficits fiscais elevados — o que, consequentemente, exige um aumento da base monetária —, são mais pressionados pela inflação dentro de um determinado espaço de tempo.Nos Estados Unidos, o aumento da oferta de moeda costuma aparecer na inflação cerca de 21 a 26 meses depois. Já no Brasil, esse intervalo é de aproximadamente 15 meses, afirmam os analistas.Assim, eles concluem que a inflação brasileira não decorre apenas de choques temporários, como clima ou alimentos, mas também de uma expansão monetária e persistente.“No Brasil, desde 2002, o M2 cresceu em média 14,09% ao ano, contra um IPCA médio de 6,42%. Nosso agregado monetário roda a dois dígitos há mais de duas décadas”, escrevem. Para eles, o déficit de hoje é a expansão monetária de amanhã, e a expansão monetária de amanhã, é o IPCA de 15 meses depois. *Com supervisão de Renan Sousa