O Hamas anunciou que vai entregar o controle do governo da Faixa de Gaza ao Comitê Nacional Palestino, como parte do plano de pós-guerra proposto pelo presidente americano, Donald Trump. A ONU avaliou que a decisão pode representar um avanço no processo de paz no território, praticamente paralisado desde o início do cessar-fogo.Israel, no entanto, reagiu com ceticismo à declaração, acusando o Hamas de criar mais uma manobra para evitar a entrega de suas armas. O impasse entre as partes permanece profundo, sem avanços concretos nem para a resolução definitiva do conflito nem para a reconstrução do território devastado. O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna comenta o assunto.O que propõe o anúncio do HamasO Comitê Nacional Palestino seria formado por técnicos palestinos sem nenhuma ligação com o Hamas ou com outros grupos políticos palestinos.Sua função seria organizar o governo da Faixa de Gaza de maneira técnica, atendendo às necessidades da população local. Sant’Anna destacou, porém, que, na prática, o grupo deve continuar detendo suas armas e exercendo poder sobre o território. Leia Mais Entrega de armas pelo Hamas seria "assinatura de derrota" frente a Israel Netanyahu diz que ordenou militares de Israel a assumirem 70% de Gaza Ataques israelenses na Faixa de Gaza deixam ao menos nove mortos O analista traçou um paralelo entre a situação em Gaza e a do Líbano. Segundo ele, a Faixa de Gaza caminha para um cenário em que um grupo armado aceita que outro grupo político administre o território, mas mantém o controle militar.“Cria-se também o mesmo ciclo vicioso que existe hoje entre Israel e o Hezbollah”, disse Sant’Anna, explicando que o Hamas afirma não abandonar as armas enquanto Israel não se retirar, enquanto Israel justifica sua presença pela ameaça representada pelo Hamas.De acordo com Sant’Anna, as forças israelenses controlam aproximadamente 60% do território da Faixa de Gaza. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou não haver nenhum plano para a retirada israelense do local.O analista apontou ainda que o Comitê Nacional para Administração de Gaza, supervisionado por um conselho ligado ao plano de Trump, não conseguiu entrar na Faixa de Gaza porque Israel impede a entrada dos tecnocratas árabes e palestinos designados para administrar o território.Pressão sobre os Estados Unidos e situação humanitáriaNa avaliação de Sant’Anna, ao abdicar formalmente da administração de Gaza, o Hamas busca criar um fato consumado e pressionar Israel por meio dos Estados Unidos. “O Hamas pretende, com isso, fazer com que os Estados Unidos pressionem Israel para que permita a entrada do Conselho de Administração de Gaza e também para que haja uma reconstrução da Faixa de Gaza”, analisou.O governo dos Estados Unidos, por sua vez, sinalizou que vai prestar atenção nas ações do Hamas e não em suas promessas. A situação humanitária no território permanece crítica: mais de mil palestinos foram mortos desde o início da trégua, que, segundo Sant’Anna, “nem sequer está sendo respeitada”.O analista ressaltou que, embora o ritmo de mortes tenha diminuído em relação ao período de bombardeios intensivos, “os palestinos continuam sofrendo, continuam sendo mortos e o seu território totalmente destruído”.Sant’Anna observou que tanto o Hamas quanto o Fatah — facção adversária que foi expulsa da Faixa de Gaza pelo Hamas em 2007 — perderam credibilidade junto à população palestina.O Hamas, segundo ele, “perdeu muita aderência e muito apoio dos palestinos” após os ataques de 7 de outubro, que resultaram na morte de 1.200 israelenses e na captura de centenas de reféns, desencadeando a ofensiva israelense.“Os palestinos não estão contentes com nenhuma dessas lideranças e por isso depositam uma certa fé nesse grupo de tecnocratas que está tentando entrar na Faixa de Gaza, mas Israel está impedindo por enquanto”, concluiu o analista. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.