Professor descobre cola com IA em prova remota após notas caírem no presencial (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo professor Roberto Serrano, da Universidade Brown, descobriu que alunos usaram inteligência artificial em prova remota, pois as notas caíram drasticamente quando outra prova foi aplicada presencialmente;notas dos alunos na prova remota foram de 96 pontos, em média, mas caíram para 48 pontos quando a prova foi presencial, sem acesso a celulares ou computadores;descoberta gerou debates sobre a confiança nos estudantes e a ética no uso de tecnologias para resolver questões complexas.A inteligência artificial está transformando várias atividades, até a “cola” nas provas. Um professor da Universidade Brown, nos Estados Unidos, descobriu isso ao aplicar dois exames: no primeiro, remoto, os alunos tiveram notas excelentes; no segundo, presencial, as notas despencaram.O professor em questão é Roberto Serrano, que ensina “economia do bem-estar e teoria da escolha social”, em tradução livre. Trata-se de uma disciplina bastante difícil e que, talvez por isso, nunca recebeu uma grande quantidade de alunos.Mas foi diferente neste ano. A disciplina recebeu muitos alunos, talvez porque Serrano revelou que as provas intermediária e final poderiam ser feitas de casa.A razão disso é que, em dezembro de 2025, um atirador atacou o campus da Universidade Brown, matando duas pessoas. Permitir exames de modo remoto foi uma forma de dar continuidade à disciplina após a tragédia.Quando a prova intermediária foi aplicada, veio a surpresa: os alunos tiraram notas muito boas, com média de 96 pontos (de 100). Historicamente, a média para o curso variava entre 65 e 80 pontos. Serrano ficou desconfiado, até porque a prova tinha sido mais difícil do que as anteriores.A desconfiança aumentou quando o professor percebeu que muitas das respostas tinham um “estilo muito rebuscado”. Ao fazer testes com as questões da prova no ChatGPT, Serrano percebeu que as respostas fornecidas pela ferramenta de inteligência artificial eram parecidas com as dadas por seus alunos na prova.Professor Roberto Serrano (imagem: reprodução/Universidade Brown)A comprovação da “cola”Foi então que Roberto Serrano decidiu realizar a prova final de modo presencial, sem permitir acesso a celulares ou computadores. Ao avisar os alunos sobre isso, dizendo que a prova intermediária teria a nota recalculada com base no desempenho da prova final, 18 deles desistiram da disciplina, enquanto outros nove não apareceram para realizar o exame.Entre os alunos que realizaram a prova final, a média das notas caiu de 96 para 48 pontos, uma redução pela metade. A desconfiança do professor fez sentido: ficou óbvio que os alunos usaram IA na prova intermediária, realizada remotamente.O assunto tem gerado debates desde que veio à tona. Serrano declarou até ter ficado sobrecarregado com as centenas de e-mails de ex-alunos, professores e outros interessados se manifestando a respeito.Um dos aspectos debatidos é se será possível confiar na atual geração de estudantes para a realização de trabalhos que exigem raciocínio lógico em um cenário onde eles têm acesso a “atalhos tecnológicos” para lidar com questões complexas.Convém não generalizar, porém. Um dos alunos de Serrano teve 95 pontos na primeira prova e 95,5 na segunda, o que sugere que o seu bom desempenho veio de seu próprio esforço.Mas não é só a nota que importa. A ética também: outro aluno fez 55 pontos no primeiro exame e 59 no segundo. Não foi um grande desempenho, mas isso também indica que ele não usou IA na primeira prova. “Eu admiro essa pessoa”, disse o professor.Com informações de Business Insider e Inside Higher EdAs notas despencaram depois que professor adotou medida contra IA