Governança e diálogo moldam uma nova fase da mineração

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A nova agenda da mineração brasileira após o rompimento da Barragem de Fundão pautou o painel “O setor que sustenta o Brasil – e os compromissos que sustentam o setor“, realizado durante o CNN Talks | Nova Era da Mineração, promovido pela CNN Brasil no último dia 30 de junho.Com mediação dos jornalistas Daniel Rittner e Taís Herédia, o debate reuniu representantes da indústria, do poder público, do sistema de Justiça e do BNDES para discutir os avanços em governança, segurança operacional, reparação e relacionamento com as comunidades. A abertura do evento foi conduzida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.No painel, o CEO da Samarco, Rodrigo Vilela, apresentou os principais aprendizados da empresa desde o rompimento da Barragem de Fundão, em 2015, e destacou as mudanças implementadas desde a retomada das operações. A mineradora, que atua em Minas Gerais e no Espírito Santo, voltou a produzir em dezembro de 2020, após cinco anos de paralisação, e atualmente opera com cerca de 60% da capacidade produtiva anterior ao desastre.Mudanças que transformaram a operaçãoAo comentar os impactos do rompimento, Vilela afirmou que o episódio representou um marco para toda a mineração brasileira e impulsionou uma profunda transformação na forma como a companhia passou a operar.“O rompimento da barragem mudou a história da Samarco, mas também mudou a história da mineração. Temos plena consciência do impacto causado, das consequências que ainda vivemos e dos aprendizados que esse episódio trouxe.”Segundo o executivo, a empresa revisou processos, fortaleceu a governança e reformulou a relação com as comunidades.“Grandes avanços ocorreram em tecnologia, inovação, governança e na forma como nos relacionamos com as comunidades onde atuamos.”Vilela também destacou a evolução da legislação, dos mecanismos de controle e da relação entre as empresas e os territórios onde a atividade mineral está presente. Na avaliação dele, esse conjunto de medidas criou as condições para que a Samarco retomasse as operações de forma gradual e segura.Confiança construída por resultadosO CEO da Samarco afirmou que um dos principais desafios superados no processo de retomada foi o resgate da licença social para operar.Segundo ele, essa reconstrução começou quando a empresa passou a demonstrar, por meio de entregas concretas, o cumprimento dos compromissos assumidos.“Quando apresentamos nosso projeto de retomada, fomos pedir às autoridades e à sociedade o direito de voltar a operar.”De acordo com o executivo, esse compromisso se traduz na retomada gradual da produção, na descaracterização de barragens de rejeitos e na execução das medidas previstas processo de reparação, incluindo as ações previstas no Novo Acordo do Rio Doce, como reassentamentos, indenizações e ações de recuperação ambiental.“Primeiro veio uma retomada segura e gradual, depois o processo de descaracterização das estruturas existentes e, mais recentemente, o Novo Acordo do Rio Doce. Uma série de resultados está sendo entregue.”Para Vilela, essa trajetória continuará exigindo compromisso permanente da empresa e das instituições envolvidas. E esse trabalho exige uma governança robusta.