Passados mais de dois meses após o Metrópoles revelar que a fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. fechou as portas repentinamente, deixando clientes com um prejuízo estimado em R$ 900 milhões, imagens publicadas nas redes sociais ao longo da última semana mostram novo dono da empresa em uma jogatina de poker, enquanto investidores aguardam pelos pagamentos prometidos.Veja:Nas imagens, é possível ver Douglas Silva de Oliveira, 25 anos, que também seria dono da gestora norte-americana Azara Capital, que comprou a Naskar por R$ 1,2 bilhão, em meio a outras pessoas, apostando altos valores.Em certo momento, Douglas é filmado enquanto conversa sobre a quantia apostada na jogatina.“Estamos com 85 mil no ‘pot’, foram dois ‘pots’ seguidos, acho que a gente tá nos 100 mil, mais ou menos”, calculou — não é possível afirmar qual é a moeda dos valores mencionados.Dois clientes lesados pela Naskar falaram à reportagem sobre a sensação de desamparo. “Ele fez um vídeo dizendo que nos pagaria. Isso despertou uma grande esperança, mas depois sumiu, não emitiu mais nenhum comunicado e hoje aparece jogando poker”, disse um investidor, que tinha R$ 150 milApós comprar a Naskar, Douglas se responsabilizou por ressarcir os clientes que sofreram o calote quase bilionário. Porém, questionada pela reportagem na última terça-feira (7/7), a assessoria do empresário disse apenas que “não existe previsão” de início dos pagamentos aos investidores lesados. Também procurada, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmou que o caso segue em investigação. Leia também Distrito FederalNaskar: calote milionário completa 2 meses sem previsão de pagamento Distrito FederalNaskar: “Continuo responsável”, diz empresário que comprou fintech Distrito FederalComprador da Naskar fala pela 1ª vez: “Obrigações serão quitadas” Um perfil, com o nome de Vítimas da Naskar Gestão de Ativos, foi criado nas redes sociais. De acordo com a descrição da página, a ideia é unir os investidores lesados para criar uma associação. O Metrópoles tentou contato com algum representante do perfil, mas não houve retorno.Relembre o casoA Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;Por exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido;Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas;Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Os empresários em questão são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu;Sem contato com os sócios da Naskar, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou-se desse local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9 de maio;Cinco dias depois, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado por R$ 1,2 bilhão a fintech brasileira. A tal Azara é que supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu;A Azara Capital apresentou várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões;Até o momento, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.Primeiro pronunciamentoO dono da gestora norte-americana, Douglas Silva de Oliveira, chegou a se pronunciar sobre o caso, quase um mês após o início da repercussão, garantindo que todos os valores devidos seriam pagos. Na época, ele tentou tranquilizar os clientes da Naskar e pediu a “colaboração” de todos. “Assumimos a empresa há cinco dias, então, é corporativamente impossível, nesse curto período, tomar uma atitude de resolução numa empresa que tinha pessoas com R$ 5 mil aplicados e outras com R$ 15 milhões aplicados”, apontou.Segundo ele, um canal seria disponibilizado para iniciar a organização dos repasses. “Acreditamos que, no máximo em 20 ou 30 dias, tenhamos o levantamento de todos os clientes devidos feito. A partir disso, vamos montar uma estrutura e fazer os pagamentos”, garantiu.O Metrópoles também questionou a assessoria de Douglas Silva sobre o funcionamento do canal, mas não houve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.