A coluna apurou, com exclusividade, que um soldado da Polícia Militar do Maranhão (PMMA) coleciona cargos em diferentes prefeituras do estado. Integrante da corporação desde maio de 2024, Lucas Araújo Ferreira e Ferreira foi nomeado, em 8 de julho, advogado efetivo da Prefeitura de Luís Domingues (MA), mesmo permanecendo na ativa na PMMA.Além da nova nomeação para o cargo de advogado, Ferreira também consta como ocupante de cargo efetivo de especialista em educação básica na Prefeitura de Paço do Lumiar, nomeação que, conforme os registros públicos, ocorreu cerca de três meses após sua efetivação na polícia. Leia também Mirelle PinheiroPM da Rotam é encontrado morto dentro de apartamento em Maceió Mirelle PinheiroTJ vê indícios de que Marcola comandava esquema que envolvia Deolane Mirelle PinheiroPRF prende homem após fuga em triciclo e apreende carga de R$ 100 mil Mirelle PinheiroMistério: corpos de seis homens são encontrados por moradores no RJ De acordo com os documentos, a nomeação e a posse do PM como advogado ocorreram quando ele ainda ocupava o cargo de militar da ativa.Em regra, a administração exige, durante o processo de posse, declaração sobre acumulação de cargos públicos ou documentação que demonstre a exoneração de vínculo incompatível, justamente para verificar o atendimento aos requisitos constitucionais.Os documentos analisados pela coluna mostram que, ao tomar posse no cargo de advogado, Lucas apresentou a documentação pessoal e profissional exigida.Entre os documentos relacionados no termo de posse, entretanto, não constam declaração de acumulação de cargos públicos nem documento de exoneração de outro vínculo na administração pública.Considerando os três cargos públicos, a distância entre os municípios e o quartel onde o policial militar está lotado ultrapassa 519 quilômetros, com tempo estimado de deslocamento de cerca de 12 horas.A Constituição Federal permite a acumulação de cargos públicos apenas nas hipóteses previstas em lei e desde que haja compatibilidade de horários.Carta abertaNo dia 6 de julho, dois dias antes de tomar posse no cargo de advogado, Ferreira publicou uma carta aberta onde anunciou ter pedido exoneração da Polícia Militar.“Hoje encerro um ciclo extremamente importante. Faço isso com gratidão à Polícia Militar e a todos que caminharam comigo. Um novo capítulo começa. Ainda não posso revelar todos os detalhes. Mas posso garantir uma coisa: o próximo desafio será ainda maior”, escreveu.A coluna procurou o militar, a corporação e as duas prefeituras, mas não houve nenhum retorno até a mais recente atualização desta matéria. O espaço segue aberto.