As queimadas que devastam os 6,7 milhões de km² da Amazônia agora serão combatidas com a ajuda da Inteligência Artificial (IA). Até agosto, mês no qual a seca se intensifica, o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) colocará em prática um sistema de IA que prevê incêndios florestais com uma a duas semanas de antecedência com mais de 90% de chance de acerto.Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Brasil lidera o ranking de países afetados pelas queimadas na América do Sul e, em 2024, a Amazônia teve o maior número de incêndios dos últimos 17 anos. O impacto refletiu na saúde pública da população de Manaus (AM), com a seca extrema e fumaças que abafaram a umidade.Em meio ao cenário de urgência, o pesquisador do Ifam Diego Sales criou a iniciativa “IA-FogoBio”, para mitigar os impactos ambientais com a tecnologia. O Metrópoles conversou com Diego, integrantes do projeto e especialistas para entender como o programa funcionará na prática.Atualmente, a iniciativa conta com modelos avançados de IA: redes neurais LSTM e CNNs, além de Random Forest. Estas ferramentas permitem processar imagens de satélites que monitoram a Amazônia, mapear áreas de risco e prever os locais que ocorrerão incêndios florestais.“Isso permite que a IA aprenda e cruze dados de focos de calor com a vegetação, assim como o tipo de solo para estimar o perigo antecipadamente. O sistema pode atingir mais de 90% de acurácia nas previsões, garantindo uma antecedência de 7 a 14 dias para alertar sobre as áreas”, afirmou o pesquisador do Ifam.5 imagensFechar modal.1 de 5Sistema de IA com predição de incêndioInstituto Federal do Amazonas2 de 5Programa de IA mapeia áreas de risco para incêndioInstituto Federal do Amazonas3 de 5risco de incêndio identificado próximo à comunidade indígenaDivulgação/ Instituto Federal do Amazonas4 de 5Fogo na AmazôniaGustavo Basso/NurPhoto via Getty Images5 de 5Partido apontou risco de incêndio florestalBrasil2/Getty ImagensFuncionalidade sustentável e execuçãoAlém de imagens satélites da Amazônia projetadas pela Nasa e pelo Inpe, o sistema de IA integra mapas de solo da Embrapa, características de biomas do IBGE e o histórico de queimadas dos 20 anos anteriores.Com os dados, o sistema de IA notifica os pesquisadores sobre as áreas de risco e a previsão das queimadas. Após isso, as informações são repassadas aos órgãos operacionais ambientais como Ibama e ICMBio, que vão no local indicado e fazem os procedimentos preventivos.“A janela de antecipação fornecida pela IA garante o tempo necessário para que as equipes humanas decidam estrategicamente a quantidade de brigadistas a enviar, os equipamentos adequados e as melhores rotas para uma ação preventiva, protegendo a área antes que o fogo se alastre”, disse Diego.Importância do monitoramento na AmazôniaUma queimada de grandes proporções na Amazônia pode emitir na atmosfera, em pouco tempo, uma vasta quantidade de gases poluentes.Entre junho e agosto de 2024, por exemplo, os incêndios queimaram 2,4 milhões de hectares, equivalente a 31,5 milhões de toneladas de CO2, gás estufa que acelera mudanças climáticas globais.No monitoramento, o sistema de IA também é programado identificar a causa do incêndio. Um estudo do Ifam cruzado com dados da IA, determinou que a maioria dos focos de queimada tem origem humana.Como não se trata de fenômeno natural, detectar ações criminosas ou acidentais com antecedência é um dos meios de mudar o cenário e preservar a Amazônia. Financiada pela Google.org com R$ 1,9 milhão, a iniciativa busca mitigar os impactos ambientai na própria operação. O Polo de Inovação do Ifam, prédio onde o projeto está instalado, conta com um sistema de painéis fotovoltaicos que gera energia elétrica a partir da luz solar.No entanto, Juliano Maranhão, professor de Direito e pesquisador do Centro de IA da Universidade de São Paulo (USP), alerta que a sustentabilidade da IA vai além de uma fonte da eletricidade.“A sustentabilidade precisa se tornar um requisito do próprio desenvolvimento tecnológico, e não apenas uma medida destinada a compensar seus impactos. A energia solar reduz emissões associadas à operação, mas não elimina o consumo de água para resfriamento nem os impactos do hardware”,afirmou Júlio. 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