Caso SCO: fantasma do Unix volta a assombrar a IBM duas décadas depois

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Duas décadas depois, um fantasma do Unix volta a assombrar a IBM (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog) Resumo IBM voltou a ser processada pela Xinuos sob a acusação de usar código-fonte de propriedade da SCO em um projeto baseado no Unix;disputa judicial teve início em 2003, foi retomada em 2021 e encerrada em 2025, quando um juiz considerou a acusação de violação de direitos autorais prescrita;em junho de 2026, a Xinuos recorreu da decisão alegando uma interpretação equivocada do juiz; IBM continua negando irregularidades.Uma briga que remete ao início deste século ressurgiu das cinzas. A IBM voltou a ser processada sob a acusação de usar código-fonte de propriedade da SCO em um projeto baseado no Unix que não avançou. O processo original foi encerrado em 2021. Mas a sucessora da SCO decidiu levar o assunto para os tribunais novamente.Para entendermos essa história, precisamos voltar para a virada do milênio. Em 1998, a Santa Cruz Operation (SCO) e a IBM fecharam uma parceria que visava criar uma implementação do Unix que pudesse ser executada em diversos tipos de processadores. A SCO já trabalhava com uma versão do Unix voltada a chips x86, mas queria ir além.O resultado da parceria foi a criação do Project Monterey, que contou até com o apoio da Intel. Pudera: um dos focos do novo sistema eram os prometidos processadores Itanium de 64 bits.Apesar disso, o projeto só foi viabilizado devido à combinação de códigos-fonte da IBM e da SCO. Esta última forneceu códigos do sistema operacional UnixWare, por exemplo.O problema é que o lançamento dos processadores Itanium atrasou, o que prejudicou o Project Monterey. Mas a tragédia aconteceu quando a IBM notou que o Linux estava em ascensão e decidiu apostar nesse ecossistema. Como consequência, a IBM encerrou a sua participação na iniciativa em 2001.A SCO ficou em uma situação delicada, tanto que vendeu as suas operações de Unix para a empresa Caldera Systems, que, meses depois, mudou o seu próprio nome para SCO Group.Essa nova SCO levou a IBM aos tribunais em 2003. A principal acusação é a de que a IBM usou códigos acessados durante o desenvolvimento do Project Monterey em partes do código-fonte do Linux.Desde então, foram várias idas e vindas aos tribunais. Até que, em 2007, o SCO Group sofreu uma grande derrota: um tribunal federal dos Estados Unidos reconheceu a Novell como a verdadeira proprietária dos direitos sobre os códigos do Unix considerados pela SCO no processo.Com isso, a ação só teria chances de dar algum resultado se a Novell partisse para cima da IBM, mas a companhia decidiu não se envolver no assunto por entender que não havia código do Unix implementado indevidamente no Linux.O SCO Group ficou em uma situação tão delicada que, em 2011, se viu obrigado a vender seus ativos, que acabaram sendo adquiridos por uma empresa então recém-criada de nome UnXis que, mais tarde, foi rebatizada para Xinuos.Por alguns anos, a Xinuos ficou focada em prestar suporte aos clientes que ainda usavam sistemas como o UnixWare, bem como em lançar versões do OpenServer, um sistema operacional baseado no FreeBSD.O Unix está no centro da briga entre a Xinuos (SCO) e a IBM (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)O retorno aos tribunais duas décadas depoisEmbora o CEO da Xinuos tenha declarado que a companhia não tinha intenção de voltar aos tribunais, em 2021, meses antes de o processo de 2003 ser definitivamente encerrado, a empresa decidiu processar a IBM novamente, junto com a Red Hat.A IBM havia comprado a Red Hat em 2019. Na argumentação da Xinuos, ambas atuaram para criar um monopólio para “sufocar” alternativas como o próprio OpenServer.O processo se arrastou até 2025, quando a Xinuos desistiu da acusação de monopólio, aparentemente por não conseguir sustentar as alegações. Para completar, um juiz de Nova York considerou que a acusação de violação de direitos autorais, ainda mantida, havia sido prescrita, pois remete à ação de 2003.Parecia que a novela tinha chegado ao fim. Só parecia. Em 22 de junho de 2026, a Xinuos voltou à Justiça, desta vez com a argumentação de que o juiz da decisão de 2025 interpretou de modo equivocado as alegações sobre violação de direitos autorais.Em clima de “lá vamos nós de novo”, a IBM manteve a sua posição de que não fez nada de errado. Agora, ambas as empresas aguardam a nova decisão judicial. Mas, ao que tudo indica, só um milagre colocará a Xinuos em situação favorável.Com informações de Tom’s Hardware e CourtListenerCaso SCO: fantasma do Unix volta a assombrar a IBM duas décadas depois