Sempre que um live-action é anunciado, surge a mesma dúvida: a produção vai recriar fielmente a animação ou aproveitar a oportunidade para expandir sua história? O remake de Moana foi para um caminho muito claro, nesse sentido. A adaptação chega apenas dez anos após o lançamento do desenho e preserva praticamente todos os elementos que conquistaram o público em 2016, o que reforça o questionamento de sua necessidade.O longa traz Catherine Laga'aia, atriz australiana em seu primeiro grande papel no cinema, como Moana, enquanto Dwayne Johnson retorna como o semideus Maui. O elenco ainda conta com Rena Owen como Vovó Tala, John Tui como Chefe Tui e Frankie Adams como Sina. A escalação reforça o cuidado da produção em preservar a autenticidade de uma história inspirada nas culturas da Polinésia. Mas será que o filme vai além dessa homenagem? Confira a crítica do Minha Série.Moana é magico, mas isso não é novidadeNão é à toa que a história da menina que queria conhecer o mar fez tanto sucesso quando foi lançada. Moana cativa em sua história e em todos os mínimos detalhes. No remake, isso não é diferente. A adaptação ficou muito parecida com a animação original, o problema é que talvez tenha ficado parecida até demais.Ver Pua, a porquinha de Moana, e Heihei, o galo burro (tadinho, mas é), no live-action realmente os torna ainda mais fofos, mas nada muito além disso.Outro ponto que continua mágico é a representação da água. Por sorte, muitas cenas que tornam Moana um bom filme animado foram mantidas, mas nada muito novo foi acrescentado em nenhuma delas. É legal, sim, ver a relação da jovem menina com a água evoluir ao longo do filme, mas já vimos isso antes.Uma ancestralidade pouco aproveitadaTecnicamente, o filme não deixa de entregar nada.Não dá pra dizer que uma história com pessoas reais não provoca mais conexão que uma história animada. Quando falamos de um caso extremamente fantasioso, adaptar para o mundo real pode estragar uma boa história e até romper a conexão com o público. Esse não é o caso de Moana. A narrativa se passa na ilha fictícia de Motunui, que é amplamente inspirada em localizações reais como Taiti, Samoa, Fiji e Nova Zelândia.É justamente aí que o remake encontra sua maior oportunidade. Ver pessoas reais dando vida aos costumes, às vestimentas, às danças e às tradições torna esse universo ainda mais rico e aproxima o público de uma cultura pouco representada nas grandes produções de Hollywood. No entanto, o filme pouco aproveita essa chance para aprofundar aspectos históricos e culturais que poderiam enriquecer ainda mais a narrativa. Ver esta publicação no Instagram Uma publicação partilhada por Minha Série (@oficialminhaserie)Quem espera descobrir novas perspectivas sobre esse universo talvez saia do cinema decepcionado. Ainda assim, para muitas crianças, ver personagens inspirados em suas próprias origens representados por atores reais pode tornar a identificação ainda mais significativa.Faltou coragem para ir alémCatherine Laga'aia é Moana na nova adaptação.O filme traz mudanças muito pontuais e discretas em relação à animação. A história continua ótima, mas poderia ir muito além, especialmente por se tratar de um live-action produzido apenas dez anos após o lançamento do original. Um dos temas que mais merecia esse aprofundamento é a ancestralidade. A relação de Moana com sua família e a conexão com seus antepassados tinham espaço para ganhar ainda mais força, mas a adaptação prefere seguir o mesmo caminho da animação.Com um time de estrelas por trás das músicas, incluindo Lin-Manuel Miranda, responsável pelas canções da animação e do live-action, e o diretor Thomas Kail, reconhecido por seu trabalho em musicais, as interpretações são impecáveis, mas poderiam ter mais personalidade. O receio de se afastar da obra original é tão evidente que o filme permanece o tempo todo em uma zona de conforto, priorizando agradar aos fãs da animação em vez de buscar maneiras de conquistar novos públicos e não decepcionar aqueles que já foram cativados. Vale a pena assistir ao live-action de Moana?Se você é fã da obra original, vai fundo. Vale a pena ver essa história ganhar vida no cinema em live-action, mas é importante alinhar as expectativas: o filme é uma reprodução quase exata da animação. Ele entretém, Catherine Laga'aia não decepciona, Dwayne Johnson é carismático, os animais são fofos, mas nada muito além disso.Em termos técnicos, há pouco do que reclamar. CGI, figurinos, caracterização e cenários são consistentes e ajudam a construir um universo visualmente convincente. Tudo é muito bem executado, mas também bastante seguro. A impressão que fica é que a Disney e os demais envolvidos preferiram não arriscar mudanças por receio de comprometer a magia da obra original. No entanto, justamente essas mudanças poderiam enriquecer a narrativa e aprofundar temas como ancestralidade, representatividade e cultura. No fim, o live-action de Moana é mais sobre o que poderia ter sido, do que sobre o que, de fato, é.