A queda de mais de 8% das ações da Moura Dubeux (MDNE3) nesta terça-feira (7), um dia após a companhia divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26), não preocupa o CEO, Diego Villar, que ponderou que o desempenho negativo não necessariamente tem relação com os números apresentados.Em entrevista ao Money Times, o executivo afirmou que a companhia caminha para entregar uma performance superior à prometida ao mercado para este ano, mesmo após ter reduzido lançamentos e vendas entre abril e junho.“Preço de ação na tela do dia, para mim, é uma distração. Estou comprometido com o resultado de longo prazo”, disse ele, ao acrescentar que outras incorporadoras também registravam desvalorização no pregão.De fato, às 15h (de Brasília), enquanto MDNE3 caía 8,54%, MRV (MRVE3) recuava 3%, Tenda (TEND3) tinha baixa de 5,5% e Direcional (DIRR3), de -2,6%.Também no mesmo horário, o principal índice da B3 (IBOV) caía 0,33%, aos 171.872 pontos, em uma sessão negativa para os ativos de renda variável. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "MDNE3", "MDNE3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "43d0827"} ); Lançamentos menores foram estratégia, diz CEOEmbora a desvalorização dos papéis da Moura não seja uma particularidade do dia ou uma reação direta à prévia, fato é que a incorporadora recifense desacelerou o ritmo de crescimento no segundo trimestre de 2026.A prévia operacional mostrou recuo nos lançamentos e nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado.De acordo com o documento, a companhia lançou seis projetos entre abril e junho, que somaram Valor Geral de Vendas (VGV) bruto de R$ 1,039 bilhão e VGV líquido de R$ 1,012 bilhão.Os montantes representaram quedas de 58,1% e 45,7%, respectivamente, em relação a igual intervalo de 2025.No acumulado do primeiro semestre (1S26), porém, o VGV líquido lançado pela empresa alcançou R$ 2,321 bilhões, uma expansão de 2,5% frente ao mesmo período do ano anterior.Segundo Villar, a companhia optou por manter um ritmo mais cauteloso no segundo trimestre diante do calendário do período, que concentrou eventos que afetaram o fluxo comercial, como a Copa do Mundo e o feriado de São João — considerado um dos mais importantes do Nordeste, onde a incorporadora concentra suas operações.“Nos primeiros seis meses de 2026, a gente vendeu mais do que nos seis primeiros meses do ano passado. É natural que, quando se olha a fotografia de apenas um trimestre, haja sazonalidade”, afirmou o CEO.“Também é natural que eu regule momentos de menor lançamento em função da dinâmica. A gente terminou o 2T26 com uma Copa do Mundo e com um feriado de São João, que trava a semana inteira. Tudo isso nos levou a sermos mais cautelosos. Mas não significa que não tem demanda. Tanto é que o VSO se manteve muito forte”, acrescentou.De fato, o VSO de lançamentos da Moura Dubeux, indicador que mede a velocidade de comercialização, ficou próximo de 52% entre abril e junho, contra 49,4% no mesmo período de 2025.Média rendaAtualmente, cabe lembrar, a incorporadora atua com três marcas:Moura Dubeux, voltada ao alto padrão e ao luxo;Mood, focada no médio padrão;Ún1ca, dedicada ao segmento econômico e, em especial, ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV).Nesse contexto, Villar destacou o desempenho da Mood, que registrou VSO de 56% entre abril e junho, mesmo em um ambiente de juros elevados.“A nossa empresa de classe média, que é a mais afetada pelos juros, ficou com VSO mais alto do que o geral da Moura, que é a soma das três marcas. Então, eu estou com zero preocupação com relação à demanda nos três segmentos”, disse.De acordo com o executivo, a companhia continua trabalhando com a expectativa de lançar aproximadamente R$ 5 bilhões em VGV e vender cerca de R$ 3,8 bilhões em 2026.“A gente já vendeu R$ 2 bilhões em seis meses. Para chegar a R$ 3,8 bilhões, eu teria que vender menos na segunda metade do ano, mas não é esse o objetivo. Estamos num caminho que, provavelmente, deve surpreender o mercado.”Baixa renda segue dentro do planejadoVillar também afirmou que a expansão da operação de baixa renda, por meio da marca Ún1ca e da joint venture com a Direcional (DIRR3), anunciada em novembro do ano passado, está ocorrendo “conforme o cronograma”.Nos seis primeiros meses do ano, as companhias lançaram, em conjunto, quatro projetos de habitação popular. De acordo com o executivo, dois deles alcançaram cerca de 10% de comercialização em apenas uma semana.A expectativa da incorporadora recifense é encerrar 2026 com aproximadamente R$ 750 milhões em participação no VGV desse segmento.CEO minimiza alta dos distratosNo 2T26, os distratos da Moura Dubeux aumentaram 0,2 pontos percentuais frente ao mesmo período de 2025, para 6,7%. Questionado sobre esse avanço, Villar afirmou que o indicador não preocupa.De acordo com o CEO, considerando os últimos 12 meses, o índice ficou em 5,9%, sendo um dos menores da história recente da companhia.Além disso, ele disse que boa parte do percentual divulgado não representa cancelamentos efetivos, mas migração de clientes, embora tenha reconhecido que uma fração das oscilações decorre da dinâmica das entregas.“Dos 6,7% do 2T26, somente 3,6% são distratos de verdade, porque a diferença é migração. Ou seja, o cliente saiu de uma unidade e foi para outra. Mas o que ele pagou eu não devolvo”, afirmou.“O que acontece também é a sazonalidade. Às vezes, estou me aproximando da entrega de um imóvel com muita unidade e aí vou aprovando o crédito dos clientes para fazer um repasse. Mas tem cliente que não aprova [o crédito] ou não tenho demanda forte na ponta. Nesse caso, eu mesmo distrato e, depois, revendo.”Geração de caixaNo segundo trimestre, a Moura Dubeux registrou geração de caixa de R$ 28,2 milhões, revertendo a queima de R$ 6,1 milhões observada entre abril e junho de 2025.Parte dessa melhora reflete uma operação realizada em março, quando a incorporadora antecipou, pela primeira vez, R$ 153 milhões em recebíveis relacionados à taxa de comercialização de um terreno, por meio de uma cessão de créditos.Sobre isso, o CEO ressaltou que a antecipação envolveu ativos já performados. De acordo com Villar, o lucro dessa operação já havia sido reconhecido anteriormente no resultado contábil e a transação apenas antecipou o ingresso dos recursos em caixa.