A pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende aproveitar a nova crise envolvendo aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Palácio do Planalto, e testar uma nova linha de ataques nos próximos dias. Segundo auxiliares da campanha petista, a estratégia é intensificar a associação entre Flávio e o pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, Márcio Canella (União Brasil).Canella foi preso na terça-feira (7), após agentes da Polícia Federal encontrarem um fuzil de calibre restrito em seu carro durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. Em conversa com a coluna, um integrante da pré-campanha de Lula afirmou que “o palanque de Flávio no Rio de Janeiro implodiu”.Dentro do PT, a avaliação é que a sucessão de investigações envolvendo lideranças ligadas ao grupo político de Flávio abre espaço para desgastar a candidatura do senador. O entendimento é que há aliados envolvidos em escândalos de corrupção e em investigações relacionadas a facções criminosas.Canella foi anunciado por Flávio em fevereiro como candidato na chapa do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL). Na mesma ocasião, ele também colocou o nome doex-governador Cláudio Castro (PL) como pré-candidato à segunda vaga no Senado e o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, como vice de Ruas.Desde então, o palanque de Flávio no Rio de Janeiro sofreu com problemas. Cláudio Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ficou inapto para concorrer no pleito, além de ser alvo de duas operações da PF em menos de duas semanas, retirando seu nome da disputa. Até agora, não há substituto. No caso de Canella, uma parte da cúpula do PL também defende o recuo, mas ainda não há nada definido.A leitura dos petistas é que Flávio evita concentrar a campanha no Rio de Janeiro porque as apurações atingiram seu principal núcleo político no estado.Além do problema no Rio, outras turbulências envolvendo Flávio estão no jogo e podem ser exploradas pela equipe petista: a continuidade da defesa da soberania – auxiliares citam que Flávio mostrou que ele se coloca contra o tarifaço apenas por cálculo eleitoral, e não para defender o Brasil e seus produtores durante audiência nos Estados Unidos – e a crise envolvendo a ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro. Outras estratégias já vem sendo usadas ao longo do tempo (https://jovempan.com.br/colunistas/beatriz-manfredini/pt-celebra-audios-de-flavio-prepara-bombardeio-nas-redes-sociais-e-quer-viralizar-bolsomaster/).Estados chave em jogoEnquanto Lula pode explorar a crise de Flávio no Rio, a pré-campanha do senador aposta em vantagem em outros colégios eleitorais, como São Paulo e Minas Gerais. Como mostrou a coluna, em São Paulo, aliados comemoraram a desistência de outros candidatos ao governo estadual. A avaliação é que, com a tendência de uma disputa concentrada entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), aumentam as chances de definição da eleição em primeiro turno. Segundo auxiliares, esse cenário pode beneficiar Flávio Bolsonaro.O mesmo acompanhamento é feito em Minas Gerais. Integrantes da pré-campanha do senador avaliam que o PL possui mais de uma alternativa para a disputa estadual, enquanto o PT ainda busca consolidar um nome para a eleição no estado.