A venda de cimento no Brasil cresceu 7,7% em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, para 5,8 milhões de toneladas, enquanto avançou 2,3% nos primeiros seis meses deste ano, informou nesta quarta-feira (8) o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic).Olhando o despacho por dia útil, as vendas de junho subiram 3% ano a ano, para 253,6 mil toneladas. No primeiro semestre de 2026, essa métrica apresentou expansão de 2,3% ante os primeiros seis meses do ano passado. Segundo a entidade, o desempenho positivo na primeira metade do ano foi impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido.No mês de junho, todas as regiões do Brasil mostraram crescimento de vendas de cimento sobre o mesmo mês de 2025, com o destaque ficando com Nordeste e Norte, que mostraram alta de 13,8% e 10,1%, respectivamente. Na sequência, ficaram as regiões Sul (+9,7%), Centro-Oeste (+6,5%) e Sudeste (+4,2%). No semestre, apenas a região Sudeste mostrou recuo nas vendas, de 0,1% na comparação com o primeiro semestre de 2025. De acordo com o Snic, o desempenho de junho foi o melhor da série histórica. “O desempenho do setor foi bom por causa da massa salarial em níveis históricos, do volume de empregos e do ótimo desempenho do Minha Casa Minha Vida”, disse Paulo Camillo, presidente do Snic e da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), em entrevista à Reuters.“O que estamos vendo é um programa efetivamente bem-sucedido. Inicialmente era projetado a produção de 2 milhões de unidades entre 2023 e 2026, mas deve chegar a 3 milhões”, acrescentou.O maior número de unidades no Minha Casa Minha Vida até o final deste ano pode gerar um acréscimo de vendas de 5 milhões de toneladas de cimento, segundo Camillo, que também espera um desempenho positivo para o segmento nos meses de julho e agosto.Projeções e incertezas Para o acumulado do ano, a expectativa do Snic é que o crescimento das vendas fique entre 1,5% e 2%, menor que os quase 4% observados nos últimos dois anos.A projeção modesta se deve a fatores sazonais, como o menor número de dias no calendário do segundo semestre, além de incertezas que afetam os preços, como a falta de resolução no conflito no Oriente Médio, que segue pressionando o petróleo globalmente e, consequentemente, os valores de insumos utilizados na indústria.“Quando você tem o preço do petróleo aumentando em razão da guerra e quando você tem o frete marítimo, que aumentou significativamente, você tem também um impacto sobre o preço do próprio cimento”, disse Camillo.Fim da escala 6×1 O debate sobre o fim da jornada de trabalho 6×1 também é apontado como um fator de risco e um ponto de atenção para o setor, que vê problemas caso o projeto de lei seja aprovado.“Vai ser extremamente danoso. O cálculo que a gente tem é que, entre terceiros e empregos diretos, nós vamos ter um aumento de 15% de custo. Então, vai ser mais um impacto importante para a indústria, que é extremamente negativo”, completou o presidente do Snic.