Smurfit Westrock investe R$ 1 bi para crescer no setor de papel e celulose

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A Smurfit Westrock, uma das maiores fabricantes globais de papel e embalagens, consolidou um investimento de R$ 1 bilhão no Brasil nos últimos dois anos para ampliar a capacidade produtiva, acelerar a inovação e expandir sua participação no mercado nacional.Segundo o CEO da operação brasileira, Manuel Alcalá, o plano faz parte da estratégia global da companhia de crescer acima do ritmo do mercado nos próximos anos. “O Brasil é um país para estar e crescer. Se o mercado crescer um determinado percentual, nosso objetivo é crescer ainda mais”, afirmou o executivo em entrevista à CNN Brasil.O aporte será direcionado principalmente à expansão da capacidade fabril, automação industrial, inteligência artificial e desenvolvimento de novas soluções. Segundo Alcalá, o objetivo é aumentar a eficiência operacional e garantir maior confiabilidade no atendimento em um cenário de cadeias globais mais voláteis. Leia Mais Inpasa projeta 10 biorrefinarias de milho até 2027 Com estratégia interpaíses, Agrihold quer chegar aos US$ 700 milhões Aporte do Japão pode elevar potencial do grafite no Brasil em R$ 62 bilhões “O investimento busca aumentar nossa capacidade, mas também melhorar a confiabilidade para os clientes. O mundo vive um período de muitas incertezas e aumento de custos, então precisamos estar preparados para continuar fornecendo embalagens para produtos essenciais”, disse.A empresa nasceu da fusão entre a Smurfit Kappa e a WestRock, concluída em 2024, e está presente em cerca de 40 países, com aproximadamente 500 unidades industriais. Globalmente, produz cerca de 21 milhões de toneladas de papel por ano, volume semelhante ao de toda a produção da Europa Ocidental.Em 2025, a Smurfit Westrock registrou lucro líquido de US$ 699 milhões sobre receita de US$ 31,1 bilhões. O Ebitda ajustado atingiu US$ 4,9 bilhões, impulsionado pelo fortalecimento da atividade industrial e pela escala global da companhia.No Brasil, onde iniciou suas operações em 2016, a companhia possui unidades distribuídas do Nordeste ao Sul do país, além de operações florestais em Santa Catarina. Na região a empresa possui cerca de 52 mil hectares de terras, dos quais aproximadamente 25 mil hectares são destinados ao cultivo de pinus e eucalipto para abastecimento da produção.Segundo Alcalá, a integração entre fibras virgens e recicladas permite manter a qualidade das embalagens sem comprometer o modelo de economia circular.Operação brasileira consolida otimismoPara o CEO, fatores como estabilidade geopolítica, disponibilidade de recursos naturais, produtividade do agronegócio e dimensão do mercado consumidor colocam o Brasil entre os principais destinos de investimento do grupo.“O Brasil reúne características únicas. É um país extremamente atrativo para investimentos pela estabilidade, pelo agronegócio altamente produtivo, pelos recursos naturais e pela qualidade das pessoas”, afirmou.A produção brasileira é destinada exclusivamente ao mercado doméstico, mas a companhia expande suas atividades por toda a América Latina. Segundo Alcalá, o elevado consumo interno proporciona a aprovação de investimentos e a perspectiva positiva para o crescimento.“As embalagens produzidas no Brasil são destinadas exclusivamente ao mercado brasileiro. Muitos dos nossos clientes, especialmente do agronegócio, exportam seus produtos, como carnes e frutas. Assim, nossas embalagens acabam chegando ao exterior junto com esses produtos”, explicou.Na América Latina, a companhia mantém operações integradas em países como Colômbia, Argentina, Peru, Equador, Costa Rica, República Dominicana e El Salvador, utilizando uma rede regional para abastecimento de papel quando necessário.No continente, a empresa registrou receita de US$ 2,1 bilhões e Ebitda ajustado de US$ 485 milhões em 2025, resultado atribuído ao crescimento dos volumes vendidos, ganhos de margem e à ampliação da integração regional após aquisições realizadas no Equador.Papel e celulosa possuem tendência de crescimento da demanda, diz analista | Money NewsAgronegócio entre principais clientesSegundo o executivo, a indústria de embalagens de papelão atende praticamente todos os setores da economia, desde alimentos, bebidas e medicamentos até químicos e bens industriais.“A embalagem se mostrou um serviço essencial durante a pandemia. Estamos presentes praticamente em toda a economia porque cada segmento precisa de soluções específicas”, afirmou.A empresa desenvolve embalagens personalizadas para diferentes cadeias produtivas. Produtos destinados à exportação, como carnes e frutas, exigem embalagens de maior resistência, produzidas com maior proporção de fibras virgens para suportar longos períodos em cadeias refrigeradas e transporte internacional.Já produtos de menor exigência estrutural utilizam maior percentual de fibras recicladas.Segundo Alcalá, a empresa conta com mais de 1.600 desenvolvedores conectados por plataformas globais de inovação para adaptar embalagens às necessidades logísticas de cada cliente.A sustentabilidade permanece como um dos pilares da companhia. Globalmente, a Smurfit Westrock recicla cerca de 16 milhões de toneladas de materiais por ano e investe na redução das emissões de carbono por meio de melhorias industriais e desenvolvimento de embalagens mais eficientes.Por que o dólar é importante para o agro brasileiro?