"A minha vida parou", diz mãe de menino morto em rodovia aos 14 anos

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O Dia das Mães de Kátia Silene, moradora de Bragança (PA) virou uma memória trágica e triste. Em 2025, após o almoço, Kátia e a família decidiram ir à praia, mas tiveram a viagem interrompida após o carro ser atingido por outro veículo na PA-458. O caçula da família, Pedro Henrique Rodilha dos Santos, morreu, aos 14 anos. O motorista foi identificado como Maycon Douglas Gomes Teixeira, 33, morador de Taguatinga (DF). Um ano após o crime, a família pede a condenação do motorista.O relato da mãe enviado ao Metrópoles narra a jornada da mulher até a maternidade de Pedro. Antes do nascimento do menino, ela teve sete abortos espontâneos. A família decidiu adotar dois meninos, e após a adoção, ela engravidou. A gestação de risco foi acompanhada de perto com muito cuidado, até o nascimento do menino.“Ele nasceu saudável e foi uma benção nas nossas vidas. Os 14 anos que vivemos com ele foram dias muito felizes. Mas meu último Dia das Maes foi um dia muito triste. Foi o dia que aconteceu um acidente que levou à morte o meu filho”, relatou Kátia.Ainda segundo a mãe de Pedro, foi o menino que pediu para família ir à praia após o almoço de Dia das Mães e, no caminho, ele foi falando e perguntando sobre tudo que via na estrada. Até que a violenta batida interrompeu a vida e os planos do menino e sua família.“Minha família toda estava naquele carro e sofremos o acidente. A lembrança do Dia das Mães passou a ser a lembrança do meu filho agonizando ali e a dor da saudade que ele deixou”, diz emocionada, a mãe do menino.Mais de um ano após  que resultou na morte do jovem, a família pede a condenação do motorista, investigado por ter causado o acidente. “Ele segue vivendo a vida dele de boa, enquanto a minha vida parou”, desabafa.Pedido de justiça e dor da perdaA família espera que o motorista seja julgado e que seja condenado.  “Nós não queremos vingança, queremos apenas que a Justiça faça o seu papel”, relatou o pai de Pedro Henrique, Jânio Venâncio dos Santos, que vive com sequelas do acidente até hoje.Crime de trânsito e morteEm 11 de maio do ano passado, Jânio viajava no veículo da família acompanhado dos três filhos e da esposa, Kátia Silene Rodilha dos Santos. No sentido oposto, um motorista de Brasília, que retornava da praia de Ajuruteua, invadiu a contramão em uma curva e colidiu frontalmente com o carro da família.3 imagensFechar modal.1 de 3O trágico acidente, ocorrido no Dia das Mães de 2025, resultou na morte do jovem Pedro Henrique Rodilha dos Santos, de apenas 14 anosMaterial cedido ao Metrópoles2 de 3Acidente no Pará matou Pedro 3 de 3Uma colisão frontal envolvendo o morador de Taguatinga (DF), Maycon Douglas Gomes Teixeira, de 33 anos, destruiu os planos e o futuro de uma família na PA-458, rodovia que liga o município de Bragança à praia de Ajuruteua, no ParáMaterial cedido ao MetrópolesDe acordo com os registros da Polícia Civil do Pará (PCPA), o condutor apresentava sinais de embriaguez e recusou o teste do bafômetro. Ele foi preso em flagrante no local, mas acabou sendo colocado em liberdade em menos de 24 horas, após o pagamento de uma fiança estipulada em cinco salários mínimos.O impacto da colisão foi fatal para o caçula da família que lutou pela vida, permanecendo 50 dias em coma. Infelizmente, em 1º de julho de 2025, o adolescente não resistiu às complicações das lesões e morreu.O pai, Jânio, ficou internado por 47 dias em decorrência de fraturas graves no quadril, no ombro, na bacia e no punho. Até hoje, ele lida com a rotina pesada de reabilitação e carrega sequelas físicas permanentes do impacto. Além da dor física, a perda de Pedro dilacerou a estrutura familiar, interrompendo a rotina e transformando o lar em um espaço de luto e cuidados contínuos.“Infelizmente perdemos o nosso filho… Por conta de alguém com tamanha irresponsabilidade”, relatou Jânio. Leia também Entorno e GoiásAcidente entre dois carros deixa um morto e cinco feridos na BR-020 Entorno e GoiásAcidente entre embarcações no Rio Araguaia deixa seis feridos São PauloCarro pega fogo e 3 pessoas morrem em acidente na Castello Branco Motorista será julgadoInicialmente, o caso foi tratado como homicídio culposo quando não há a intenção de matar. Inconformada com a tipificação diante da possível embriaguez ao volante e da invasão da contramão, a família recorreu.O Tribunal de Justiça em Belém acolheu o recurso e determinou o retorno do processo à comarca de Bragança, com um novo enquadramento: homicídio qualificado por dolo eventual, entendimento de que o motorista assumiu o risco de produzir o resultado fatal ao dirigir alcoolizado. O juiz local manteve a denúncia, tornando o motorista réu formal no processo.A audiência de instrução foi marcada para o dia 25 de março de 2027. Nesta sessão, as testemunhas serão ouvidas para que o magistrado decida se o réu será enviado a Júri Popular.A defesa de Maycon não foi encontrada pela reportagem para se pronunciar. O espaço segue aberto para manifestação.Para a família, a distância geográfica do acusado não será um obstáculo para a busca por reparação. Eles clamam por justiça para garantir que a vida de Pedro e a saúde de Jânio não caiam no esquecimento e que a Justiça prevaleça.