Procura por engenheiros acelera e escassez de talento ameaça travar investimento

Wait 5 sec.

A conclusão é do estudo Tendências do Mundo do Trabalho – Engenharia 2026, divulgado pelo ManpowerGroup, que alerta para um mercado cada vez mais pressionado pela transformação digital, pelo envelhecimento da força de trabalho e pela expansão de projetos estratégicos.Segundo o relatório, 73% dos empregadores têm dificuldades em recrutar profissionais qualificados na área da engenharia. Ao mesmo tempo, nove em cada dez empresas afirmam que a reforma de trabalhadores seniores já está a afetar a sua estratégia de gestão de talento, aumentando o risco de perda de conhecimento acumulado ao longo de décadas.«O maior desafio da engenharia já não é tecnológico, mas humano», resume o estudo, que aponta a incapacidade de acompanhar a crescente procura por competências como um dos principais riscos para a competitividade das empresas.Para Rui Teixeira, Brand Leader do ManpowerGroup Portugal, a engenharia atravessa «um paradoxo sem precedentes». «Nunca houve tanto investimento em tecnologia, nem tanta necessidade de talento qualificado para a fazer avançar. A escassez de engenheiros já não resulta apenas de um défice de formação, mas de uma combinação de fatores como o envelhecimento da força de trabalho, a aceleração tecnológica e a crescente complexidade dos projetos», afirma.IA, energia e semicondutores impulsionam procuraA expansão da inteligência artificial está a aumentar significativamente a necessidade de infraestruturas digitais, sobretudo data centers, o que exige mais engenheiros especializados na construção, operação e manutenção destas instalações.Em paralelo, a procura mundial de energia deverá crescer mais de 3,5% ao ano até ao final da década, impulsionada pela eletrificação da economia e pela expansão das infraestruturas digitais, aumentando igualmente a necessidade de especialistas em sistemas elétricos.Também o setor dos semicondutores deverá continuar em forte crescimento. O mercado global poderá passar de 627 mil milhões de dólares em 2024 para cerca de 1,3 biliões de dólares em 2030, obrigando ao recrutamento de aproximadamente um milhão de trabalhadores qualificados durante este período.Infraestruturas e defesa reforçam pressãoA necessidade de modernizar infraestruturas públicas e privadas representa outro dos principais motores da procura por engenheiros. O estudo estima que a economia mundial terá de investir anualmente cerca de 3,5% do PIB na adaptação de infraestruturas sociais, energéticas, digitais e de transportes. Só na Europa serão necessários cerca de 12 biliões de euros até 2040.Este investimento está a aumentar a concorrência por engenheiros civis e outros especialistas técnicos. Na indústria da defesa e aeroespacial, 76% dos empregadores admitem dificuldades em contratar profissionais qualificados, num contexto em que os requisitos de segurança tornam os processos de recrutamento ainda mais exigentes.Reformas agravam escassezO envelhecimento da força de trabalho constitui outro fator de pressão. Grande parte dos engenheiros mais experientes encontra-se entre cinco e dez anos da reforma, colocando em risco a transmissão de conhecimento às novas gerações.Segundo o estudo, esta realidade poderá comprometer tanto a continuidade operacional das organizações como a formação prática dos profissionais mais jovens, reduzindo oportunidades de mentoria e aprendizagem informal.IA transforma funções, mas exige novas competênciasO recurso crescente à inteligência artificial está igualmente a alterar o trabalho dos engenheiros, automatizando tarefas técnicas e administrativas e valorizando competências como criatividade, pensamento estratégico e gestão de projetos.Apesar das oportunidades, 76% dos profissionais inquiridos alertam para o risco de perda de competências devido a uma dependência excessiva da IA. Além disso, 29% dos empregadores a nível global consideram que os seus colaboradores ainda não possuem competências suficientes para utilizar estas ferramentas de forma eficaz. Em Portugal, essa percentagem é de 11%.Empresas apostam em requalificação e recrutamento globalPerante este cenário, o ManpowerGroup defende que as organizações terão de diversificar as estratégias de recrutamento, recorrer a mercados internacionais e alargar a base de candidatos, incluindo grupos ainda sub-representados, como as mulheres.O estudo destaca igualmente a importância dos programas de formação contínua e requalificação profissional, bem como do reforço das parcerias entre empresas, universidades e entidades formativas.Outra prioridade passa pela criação de programas formais de mentoria e transferência de conhecimento entre profissionais seniores e jovens engenheiros. Segundo o relatório, 57% dos trabalhadores afirmam nunca ter beneficiado deste tipo de acompanhamento ao longo da carreira.O estudo conclui que a capacidade das empresas para antecipar necessidades de talento, desenvolver competências e acelerar a requalificação das equipas será determinante para sustentar o crescimento económico e responder aos desafios tecnológicos da próxima década.O conteúdo Procura por engenheiros acelera e escassez de talento ameaça travar investimento aparece primeiro em Revista Líder.