O poder dos influenciadores digitais está longe de abrandar, muito pelo contrário. À medida que plataformas como TikTok, Instagram ou YouTube se tornam uma das principais fontes de descoberta de produtos, o marketing de influência assume um papel cada vez mais determinante nas decisões de compra, sobretudo entre as gerações mais jovens.Segundo dados analisados pela DECO PROteste, 88% dos utilizadores entre os 15 e os 24 anos admitem já ter comprado um produto ou serviço influenciados por criadores de conteúdos.O crescimento acompanha a expansão deste mercado. Em 2025, o marketing de influência movimentou mais de 28 mil milhões de euros em todo o mundo, quando, em 2015, representava apenas cerca de 1,5 mil milhões de euros.Quando a publicidade parece uma recomendaçãoUma das principais preocupações prende-se com a forma como a publicidade é apresentada nas redes sociais. A proximidade criada entre influenciadores e seguidores faz com que muitas recomendações sejam interpretadas como opiniões pessoais e não como conteúdos patrocinados, dificultando a distinção entre entretenimento e comunicação comercial.Para especialistas em defesa do consumidor, esta realidade reforça a importância da transparência e da literacia digital, sobretudo junto dos públicos mais jovens.‘Hauls’, ‘dupes’ e tendências rápidas alimentam o consumoEntre os formatos que mais incentivam o consumo estão os chamados hauls, vídeos em que influenciadores mostram grandes quantidades de roupa adquirida a baixo custo, frequentemente associados à fast fashion.Ganham também popularidade os conteúdos dupe, que promovem alternativas mais baratas a produtos de marcas reconhecidas, muitas vezes com menor qualidade e durabilidade.A estes juntam-se ainda recomendações sazonais e desafios lançados a cada nova estação, que incentivam a renovação constante do guarda-roupa e reforçam a pressão para acompanhar tendências de curta duração.Publicidade continua a ser pouco identificadaA preocupação é reforçada por uma ação de monitorização europeia que concluiu que a maioria dos influenciadores analisados publicava conteúdos comerciais, mas apenas uma parte identificava de forma consistente a natureza publicitária dessas publicações.Em Portugal, a legislação obriga à identificação dos conteúdos patrocinados e proíbe práticas comerciais enganosas, sobretudo quando dirigidas a consumidores mais vulneráveis, como crianças e adolescentes. As plataformas digitais também estão sujeitas a regras específicas, incluindo restrições à utilização dos chamados dark patterns — mecanismos concebidos para influenciar decisões de compra.Como evitar compras impulsivas nas redes sociaisPerante um mercado cada vez mais influenciado pelos conteúdos digitais, especialistas recomendam uma abordagem mais crítica antes de efetuar compras.Entre as principais recomendações estão:Confirmar se o conteúdo identifica claramente uma parceria comercial ou publicidade;Comparar opiniões e avaliações em diferentes fontes;Desconfiar de mensagens que criem uma sensação excessiva de urgência ou exclusividade;Procurar avaliações independentes sobre os produtos promovidos;Refletir sobre a real necessidade da compra antes de seguir recomendações de influenciadores.Num cenário em que o marketing de influência continua a crescer, a transparência e a literacia digital tornam-se fatores essenciais para que os consumidores consigam tomar decisões de compra mais conscientes e informadas.O conteúdo 88% dos jovens já compraram por influência das redes sociais. Especialistas alertam para os riscos da publicidade escondida aparece primeiro em Revista Líder.