Mundial 2026 aumenta risco de ciberataques. Empresas portuguesas reforçam investimento em cibersegurança

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O Mundial de Futebol 2026 é um dos maiores acontecimentos desportivos do ano. Mas, fora das quatro linhas, o torneio está também a despertar a atenção de outro tipo de protagonistas: os cibercriminosos.De acordo com a seguradora Hiscox, os grandes eventos internacionais tornaram-se um dos principais alvos de ransomware, ataques de negação de serviço (DDoS), phishing e fraude digital, colocando em risco não apenas os organizadores, mas também empresas ligadas ao turismo, hotelaria, transportes, tecnologia, pagamentos e reservas.Num contexto de crescente exposição digital, o Relatório de Ciberpreparação da Hiscox 2025 revela que 95% das pequenas e médias empresas portuguesas planeia aumentar o investimento em cibersegurança e proteção de dados durante 2026.Mundial 2026 cria novas oportunidades para os cibercriminososA elevada visibilidade do Mundial, aliada à complexidade das cadeias de fornecimento que suportam um evento desta dimensão, cria um ambiente particularmente atrativo para grupos de cibercriminalidade organizada.Segundo a Hiscox, os ataques podem ter diferentes objetivos: desde pedidos de resgate através de ransomware até operações de sabotagem ou campanhas de fraude baseadas em engenharia social.Os riscos vão muito além dos países anfitriões. Empresas portuguesas que trabalhem com clientes internacionais, organizem viagens, efetuem reservas, processem pagamentos ou mantenham relações com fornecedores ligados ao evento podem igualmente tornar-se alvo.Entre os esquemas mais frequentes estão:Emails fraudulentos com pedidos urgentes de pagamento;Falsas faturas de fornecedores internacionais;Campanhas de phishing relacionadas com viagens, reservas ou bilhetes;Ataques dirigidos a plataformas de reservas e sistemas de pagamento.Os grandes eventos desportivos já provaram ser vulneráveisA Hiscox recorda que os grandes eventos internacionais têm sido repetidamente utilizados como palco para ciberataques de elevada dimensão.Nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, em 2018, um malware conhecido como Olympic Destroyer comprometeu sistemas informáticos de fornecedores tecnológicos, afetando redes de televisão, internet, pontos de Wi-Fi e até o acesso dos espectadores aos bilhetes digitais durante a cerimónia de abertura.Também durante anteriores edições do Campeonato Europeu de Futebol, plataformas digitais sofreram ataques DDoS, provocando interrupções nas transmissões online através da sobrecarga dos servidores.Já os sistemas de venda de bilhetes continuam entre os alvos preferenciais dos cibercriminosos, que aproveitam a elevada procura para lançar campanhas de phishing ou tentar comprometer plataformas geridas por terceiros.O risco vai muito além do futebolEmbora o Mundial decorra fora de Portugal, os efeitos podem sentir-se em empresas nacionais. Segundo a seguradora, hotéis, operadores turísticos, empresas de transporte, fornecedores tecnológicos, plataformas de reservas ou prestadores de serviços podem sofrer perdas económicas significativas caso os seus sistemas sejam comprometidos durante períodos de maior procura.Uma interrupção operacional pode traduzir-se em cancelamentos de reservas, falhas nos pagamentos, indisponibilidade de plataformas digitais ou dificuldades na mobilidade de clientes e parceiros.Cinco medidas para reduzir o risco de um ciberataquePerante este cenário, a Hiscox recomenda que as empresas reforcem a preparação antes do início da competição.As cinco prioridades passam por:Testar backups e planos de continuidade, garantindo que os sistemas podem ser restaurados rapidamente;Reforçar a proteção dos sistemas críticos, sobretudo plataformas de reservas, pagamentos e atendimento ao cliente;Avaliar a segurança dos fornecedores, reduzindo o risco ao longo da cadeia de valor;Formar os colaboradores, especialmente aqueles que lidam com clientes e pedidos de pagamento;Definir previamente um plano de resposta a incidentes, clarificando responsabilidades e procedimentos em caso de ataque.Para Ana Silva, Cyber Lead da Hiscox Ibéria, a dimensão do Mundial aumenta inevitavelmente a superfície de ataque.«Num evento com a dimensão do Mundial, o risco não está apenas dentro do campo. A concentração de milhões de adeptos, plataformas digitais, fornecedores, sistemas de pagamento, reservas e bilhética cria um ambiente altamente exposto, onde qualquer falha pode ser rapidamente explorada por cibercriminosos.»O conteúdo Mundial 2026 aumenta risco de ciberataques. Empresas portuguesas reforçam investimento em cibersegurança aparece primeiro em Revista Líder.