Com forte presença no setor elétrico e na indústria, a Weg, multinacional brasileira e global na fabricação de equipamentos, afirmou enxergar uma vantagem competiva no Nordeste em relação às fontes renováveis, como éolica e solar, mas alertou para a falta de linhas de transmissão.Em entrevista à CNN, Décio da Silva, presidente do Conselho da companhia, apontou um possível “desbalanceamento” diante da expansão das linhas de transmissão não acompanhar o ritmo dos investimentos em energia limpa.A nossa matriz energética é super limpa, nós crescemos muito com a solar e a eólica, a região do Nordeste tem uma vantagem competitiva muito grande (…) mas houve um pouco de desbalanceamento, foram feitos muitos parques e não veio na mesma velocidade as linhas de transmissãoDécio da Silva, presidente do Conselho da Weg Leia Mais Exportações de minério de cobre sobem 84% no 1º semestre; ferro avança 5,2% Após vitória em leilão, Mota-Engil mira duas novas concessões de rodovias Estudo aponta Brasil como retardatário em novas fronteiras de petróleo Como consequência, surgiram gargalos no sistema, levando usinas a enfrentar cortes de geração, conhecidos como curtailment, em algumas regiões, que são impostos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), visando equilibrar a oferta com a demanda de energia.Os cortes ocorrem por três motivos: a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas, em que o gerador pode ser ressarcido por não ser responsável pelo problema; quando as linhas de transmissão atingem o limite de capacidade e a energia não pode ser escoada; além do excesso de oferta em relação à demanda. Ao todo, somam mais de R$ 4 bilhões às usinas eólicas e solares.Nos dois últimos casos, não há direito a compensação financeira.“Com a entrada de uma participação de energias renováveis, houve algum desbalanceamento e agora tem que botar equipamentos estabilizar a nossa rede”, afirmou, ao mencionar o projeto da companhia de investimentos em uma fábrica de geradores ciclos.Ao todo, 3,6 bi de investimentos estão previstos, sendo em Jaraguá do Sul (aonde está a sede da companhia) e na cidade vizinha de Guaramirim.Segundo o executivo, a fábrica irá “aumentar a produção [de geradores], que vai ajudar na estabilidade do sistema elétrico”.“Brasil carece de infraestrutura”Durante a entrevista, o CEO também afirmou que o Brasil “carece” de infraestrutura, ao citar gargalos rodoviários (como sendo o modelo de transporte que o país escolheu como seu principal”, mas destacou o ciclo de investimentos atual como relevantes.“O ciclo é bem relevante, há uma mudança muito grande no cenário tecnológico (…) tem oportunidades para as empresas nacionais e pro nosso país (…) o Brasil carece de infraestrutura, principalmente rodoviária, fez menos estradas do que nós precisamos, e esse é um dos gargalos que a gente sente, mas tem oportunidades”, disse.Em março deste ano, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lançou uma plataforma com os índices de Infraestrutura do Brasil, a partir de dados compilados sobre os 26 estados e o Distrito Federal.Para o presidente da entidade, Vinicius Marchese, o Brasil está atrasado quando o assunto é infraestrutura, que, segundo ele, pode gerar problemas em um “futuro breve”.A ferramenta fez uma avaliação de desempenho da infraestrutura a partir de seis segmentos, incluindo bem-estar social e cidadania, mobilidade e saneamento básico.