Dois meses após o Metrópoles revelar que a fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. fechou as portas repentinamente, deixando clientes com um prejuízo estimado em R$ 900 milhões, ainda não há previsão de pagamento do valor aos lesados.A empresa foi comprada pela gestora norte-americana, chamada Azara Capital, por R$ 1,2 bilhão, a qual ficaria responsável por ressarcir os clientes.Em resposta ao contato da reportagem, a assessoria do dono da Azara, Douglas Silva de Oliveira, 25 anos, disse apenas que ainda “não existe previsão” para o início dos pagamentos.Também procurada, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) afirmou que o caso segue em investigação.Um perfil, com o nome de Vítimas da Naskar Gestão de Ativos foi criado nas redes sociais. De acordo com a descrição da página, a ideia é unir os investidores lesados para criar uma associação.EntendaA Naskar, que tinha 13 anos de atuação, operava no Distrito Federal e em São Paulo, com cerca de 3 mil clientes. Ela captava recursos dos investidores, com a promessa de retorno de até 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado.Mesmo assim, durante mais de uma década, a atuação nunca chegou a ser contestada. A desconfiança teve início quando o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado. Leia também Distrito FederalNaskar: “Continuo responsável”, diz empresário que comprou fintech Distrito FederalNaskar: calote em investidores completa 1 mês com nova troca de dono Distrito FederalSede da Azara, suposta compradora da Naskar, não existe em Brasília Os clientes buscaram contato com os sócios — os empresários Marcelo Liranco Arantes e Rogério Vieira, além de José Maurício Volpato, ex-jogador de vôlei e apresentador de TV, conhecido como Maurício Jahu — para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu.Houve tentativas de entrar no aplicativo da Naskar, para ver se os valores haviam sido depositados, mas ele foi retirado do ar em 6 de maio e nunca mais voltou a funcionar.A reportagem apurou que a fintech, que chegou a ter sede no DF e endereço fixo em São Paulo (SP), se mudou do local sem informar os clientes.Na manhã de 14 de maio, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana, chamada Azara Capital, teria comprado a fintech brasileira por R$ 1,2 bilhão, e ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas.O dono da gestora norte-americana, Douglas Silva de Oliveira, 25 anos, falou pela primeira vez sobre o caso quase um mês após o início da repercussão e garantiu que todos os valores devidos seriam pagos.Veja: Na época, ele tentou tranquilizar os clientes da Naskar e pediu a “colaboração” de todos. “Assumimos a empresa há cinco dias, então, é corporativamente impossível, nesse curto período, tomar uma atitude de resolução numa empresa que tinha pessoas com R$ 5 mil aplicados e outras com R$ 15 milhões aplicados”, apontou.Segundo ele, um canal seria disponibilizado para iniciar a organização dos repasses. “Acreditamos que, no máximo em 20 ou 30 dias, tenhamos o levantamento de todos os clientes devidos feito. A partir disso, vamos montar uma estrutura e fazer os pagamentos”, garantiu.O Metrópoles também questionou sua assessoria sobre o funcionamento do canal, mas não houve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.