Putin deve intensificar guerra na Ucrânia apesar da pressão por paz dos EUA

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, está rejeitando os apelos para negociar a paz com Kiev, disseram à Reuters três fontes próximas ao Kremlin. Segundo elas, os recentes ataques de drones ucranianos a refinarias de petróleo e portos russos reforçaram sua determinação de continuar a guerra por enquanto.Duas das fontes, que falaram sob condição de anonimato, afirmaram que Putin provavelmente intensificará o conflito, agora em seu quinto ano. Uma delas, que se reúne regularmente com o presidente russo, descreveu como “muito alta” a probabilidade de uma escalada nos próximos meses.As declarações foram feitas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar na segunda-feira (6) que Putin deseja encerrar a guerra e que uma solução está “mais próxima do que as pessoas imaginam”. Trump conversou por telefone, separadamente, com Putin e com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na semana passada. Na quarta-feira (8), ele se reuniu com Zelensky durante a cúpula da Otan, quando o líder ucraniano disse que discutiram “ideias para aproximar a paz”. A Casa Branca não respondeu aos pedidos de comentário. Trump diz que Zelensky e Putin vão se reunir: "Algo positivo vai acontecer" Trump diz acreditar que guerra na Ucrânia será resolvida "em breve" Compromisso inabalável e maior gasto: Veja o que saiu da Cúpula da Otan Uma das pessoas familiarizadas com o pensamento de Putin disse que ele “fincou o pé” para alcançar o principal objetivo de conquistar o restante da região de Donbass, no leste da Ucrânia, onde o avanço russo desacelerou neste ano. A mesma fonte afirmou que Putin repreendeu recentemente um grupo de conselheiros que sugeriu um acordo baseado em um cessar-fogo ao longo das atuais linhas de frente. A segunda fonte disse que Putin acredita que a Rússia em breve tomará o controle de Donbass.Em junho, o presidente russo rejeitou publicamente um apelo de Zelensky para um encontro e um cessar-fogo.“A Rússia está pronta para uma solução pacífica, mas tem capacidade suficiente para agir de forma independente e continuar a operação militar especial”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em resposta a um pedido de comentário para esta reportagem.Em resposta a um pedido de comentário enviado ao gabinete de Zelensky, um alto funcionário ucraniano disse que os relatórios de inteligência de Kiev dos últimos meses indicam que Putin está se preparando para novas etapas da guerra, e não para a paz, incluindo novas operações na Ucrânia ou um possível ataque a outro país europeu.Alguns analistas militares ocidentais acreditam que a Rússia precisaria convocar obrigatoriamente homens em idade de combate para atingir o objetivo de conquistar Donbass. Essa medida é politicamente impopular, e Putin tem evitado adotá-la desde o início da guerra.Especialistas militares russos têm discutido cada vez mais, publicamente, uma escalada do conflito, incluindo a possibilidade de atacar alvos europeus, como bases da Otan nos países bálticos.Um passo desse tipo poderia levar a Rússia a um confronto direto com a aliança liderada pelos Estados Unidos, colocando à prova o compromisso da Otan de que um ataque contra um de seus membros equivale a um ataque contra todos.Segundo Jack Watling, do Royal United Services Institute (RUSI), centro de estudos sobre defesa e segurança sediado em Londres, a Rússia poderia tentar provocar tensões dentro da Otan por meio de ataques isolados, comparáveis a um recente ataque de drone russo contra a Romênia.“Os russos não estariam buscando uma guerra com a Otan. Mas isso poderia ser usado para dividir a aliança sobre como responder”, afirmou Watling. Ele acrescentou que o aumento das tensões com a Otan poderia ajudar Putin a justificar politicamente, dentro da Rússia, uma convocação militar obrigatória.Custos crescentes da guerraAtaques repetidos contra refinarias de petróleo, portos e depósitos de combustível na Rússia e em áreas ocupadas da Ucrânia provocaram graves escassezes de combustíveis, fazendo com que o impacto da guerra fosse sentido por milhões de russos. A aprovação de Putin continua alta, mas atingiu recentemente seu nível mais baixo desde o início da guerra, em 2022, segundo uma pesquisa.Os aliados da Ucrânia afirmam que houve uma mudança de impulso no conflito. Alguns defendem novas sanções econômicas para forçar Putin a encerrar a guerra.Os recentes sucessos militares da Ucrânia, porém, deixaram Putin mais irritado e ainda mais determinado a responder com firmeza, segundo a fonte que se reúne regularmente com o presidente russo.Na última semana, as forças russas lançaram dois grandes ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia, incluindo a capital Kiev, matando dezenas de civis. Moscou afirmou que os bombardeios atingiram alvos militares.Em declarações transmitidas pela televisão na semana passada, diante de generais, Putin afirmou que os ataques ucranianos contra a infraestrutura energética significam que a Rússia buscará conquistar mais território ucraniano ao longo da fronteira, além de Donbass, para criar uma “zona de segurança”.Um ex-funcionário do Ministério da Defesa da Rússia, Andrei Ilnitsky, escreveu em uma coluna publicada em 29 de junho no jornal Kommersant que uma escalada do conflito poderia começar com a destruição de 30 grandes instalações industriais na Ucrânia, incluindo uma usina siderúrgica e o porto de Odessa.A Rússia já causou danos generalizados a empresas e portos em toda a Ucrânia. A produção e as exportações também foram afetadas pelos repetidos ataques russos contra instalações de energia.Ilnitsky acrescentou que a próxima fase poderia incluir ataques a bases da Otan nos países bálticos e na Romênia, além de instalações da União Europeia responsáveis pela produção de drones e mísseis de longo alcance destinados à Ucrânia.Questionado sobre o artigo de Ilnitsky, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse a jornalistas nesta semana que a Rússia precisa reforçar sua própria segurança e não pode “fechar os olhos” para a militarização da Europa.Uma guerra de desgaste em DonbassAs discussões sobre uma possível escalada russa ocorrem em meio ao avanço mais lento das tropas no campo de batalha, o que aumenta a perspectiva de que a conquista de Donbass exigirá muito tempo e um elevado número de baixas.Até o momento, cerca de dois milhões de soldados foram mortos, feridos ou estão desaparecidos desde o início da invasão em larga escala, em 2022. Desse total, 1,4 milhão seriam russos, segundo uma estimativa recente do Center for Strategic & International Studies. Nenhum dos lados divulga oficialmente dados sobre perdas militares.Neste ano, as tropas russas tiveram dificuldades para avançar ao longo da linha de frente de 1.200 quilômetros, já que os drones ucranianos neutralizam a vantagem numérica da Rússia em efetivo. Nas últimas semanas, os russos vêm avançando lentamente sobre a cidade de Kostiantynivka, no leste da Ucrânia, uma das cidades do chamado “cinturão de fortalezas”, importante linha defensiva na região de Donetsk.Em 3 de julho, Putin afirmou que as forças russas haviam tomado Kostiantynivka. A Ucrânia negou a informação.No dia seguinte, durante uma conversa telefônica com Trump, Putin tentou convencê-lo de que a Rússia conquistará o quinto restante da região de Donetsk, em Donbass, que ainda permanece sob controle ucraniano.Segundo a fonte que se reúne regularmente com Putin, o presidente russo considera essencial vencer essa batalha, afirmando que ele “precisa de algum tipo de vitória”.Catástrofe demográfica: Ucrânia está virando nação de viúvas e órfãos