A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (8/7), a primeira fase da Operação Acerto de Contas para desarticular uma organização criminosa especializada em aplicar golpes eletrônicos contra servidores ativos e aposentados de um órgão de controle externo do estado. A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).Os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão no estado de São Paulo contra integrantes apontados como responsáveis pela estrutura operacional utilizada para executar as fraudes e movimentar os valores obtidos ilegalmente.Os três investigados foram levados à delegacia para prestar depoimento. Também foram apreendidos celulares e computadores, que serão periciados. Leia também Mirelle PinheiroOperação nacional contra facções cumpre 272 mandados em 14 estados Mirelle PinheiroPolícia mira clã suspeito de comandar maior esquema de desmanche em SP Segundo as investigações, os criminosos utilizavam técnicas de engenharia social para convencer as vítimas de que tinham altos valores a receber.Para dar credibilidade ao golpe, eles se passavam por advogados, servidores públicos e representantes de órgãos governamentais, informando sobre supostos créditos judiciais, gratificações e outros benefícios financeiros.A polícia apurou que o grupo utilizava nomes de profissionais reais, mencionava órgãos públicos e citava registros profissionais para tornar a fraude mais convincente.Após conquistar a confiança das vítimas, elas eram encaminhadas para outros integrantes da organização, que afirmavam ser responsáveis pelos cálculos e pela liberação dos supostos valores.Na etapa seguinte, os golpistas exigiam pagamentos antecipados sob a justificativa de custas processuais, impostos e outras despesas fictícias.As vítimas eram orientadas a realizar transferências, geralmente via Pix, para contas controladas pela organização criminosa. Depois do primeiro pagamento, novas cobranças eram feitas com diferentes pretextos, aumentando o prejuízo financeiro.De acordo com a DRCI, o mesmo esquema foi aplicado contra diversos servidores, conforme apontaram as investigações e um relatório encaminhado pelo próprio órgão lesado.Os investigadores também identificaram que os suspeitos utilizavam linhas telefônicas e endereços eletrônicos criados exclusivamente para a prática dos golpes. A análise dos dados revelou o uso de contas descartáveis e sem vínculo legítimo de identificação, utilizadas apenas para viabilizar as fraudes.Com o avanço das investigações, a Polícia Civil também pediu à Justiça o bloqueio de ativos financeiros ligados ao grupo. A operação busca identificar todos os integrantes da organização criminosa, rastrear o destino dos valores desviados e reunir novas provas para responsabilizar os envolvidos.