Oncoclínicas (ONCO3) confirma tratativas para recuperação extrajudicial, mas diz que não há data definida

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A Oncoclínicas (ONCO3) confirmou, na noite dessa quarta-feira (8), que mantém tratativas para a estruturação de um eventual plano de recuperação extrajudicial.Em comunicado divulgado ao mercado, a companhia afirmou, no entanto, que ainda não há uma data definida para o protocolo do pedido.O esclarecimento foi feito após solicitação da B3, operadora da bolsa de valores brasileira, que questionou a empresa sobre notícias publicadas na imprensa que apontavam que a Oncoclínicas estaria avançada nas negociações e poderia buscar um acordo já nos próximos dias.Pelas reportagens, o suposto documento preparado pela companhia já contaria com a aprovação de um terço dos credores e a expectativa seria chegar a um entendimento com 50% deles em até 30 dias.“Com relação à notícia, a administração informa que vem mantendo negociações com seus credores com o objetivo de encontrar a melhor solução para sua atual situação financeira, e há, neste momento, tratativas para protocolo de plano de recuperação extrajudicial”, confirmou a Oncoclínicas no comunicado.“Ainda não tem, no entanto, uma data definida para a realização do protocolo. A empresa esclarece, ainda, que divulgará ao mercado caso venha firmar algum documento nesse sentido, ou tome conhecimento de algum fato relevante, nos termos da legislação aplicável”, prosseguiu.O que aconteceu com a OncoclínicasA Oncoclínicas enfrenta problemas financeiros decorrentes de uma expansão mal-sucedida. Em meio a investimentos em hospitais e crescimento no setor oncológico, a companhia se viu obrigada a recalcular a rota e retomar para o core business.Nascida em Belo Horizonte (MG), a empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio.No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.Entre as medidas para pôr a casa em ordem, houve a venda de hospitais adquiridos e cancelamento de hospital que seria construído. Além disso, a empresa desistiu dos planos de uma joint venture para atuar na Arábia Saudita.Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.Os números da empresaA Oncoclínicas reportou prejuízo líquido de R$ 438,7 milhões no primeiro trimestre de 2026 (1T26), mais do que triplicando o prejuízo de R$ 131,9 milhões registrado no mesmo período do ano passado.O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou negativo em R$ 49,2 milhões, com margem negativa de 4,2%.De acordo com a companhia indicador foi diretamente impactado pela desalavancagem operacional do período, ocasionada pelo desabastecimento de medicamentos nas clínicas, cenário que começou a enfrentar durante o começo do mês de março e por provisionamentos contábeis ocorridos durante o trimestre.A rede de oncologia teve receita líquida de R$ 1,16 bilhão no período de janeiro a março, uma queda de 22,3% em comparação com o mesmo período em 2025. A companhia afirma que a dinâmica está relacionada ao volume de provisões de PCLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) durante o trimestre.Ao final do trimestre, a dívida líquida financeira da companhia, somada às aquisições a pagar, atingiu R$ 3,26 bilhões.