Bitcoin pode ter feito fundo em 2026 e apresenta uma das maiores assimetrias do mercado

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O primeiro semestre de 2026 colocou à prova a convicção dos investidores.Após alcançar sua máxima histórica próxima de US$ 126 mil em outubro de 2025, o Bitcoin chegou a negociar abaixo dos US$ 60 mil em junho, acumulando uma correção superior a 50% desde o topo.Ainda assim, quanto maior a deterioração do sentimento, maior pode ser a oportunidade percebida. Afinal, em momentos de estresse, o dinheiro troca de mãos. E é justamente nessa transferência de ativos que a atual assimetria começa a chamar atenção.ETFs vendem, mas baleias acumulamJunho marcou o pior mês da história para os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Diferentes levantamentos apontam saídas líquidas superiores a US$ 4,5 bilhões, consolidando uma forte reversão da demanda que ajudou a impulsionar o ativo nos últimos anos.Ao mesmo tempo, porém, grandes investidores seguiram na direção oposta.Em apenas duas semanas, carteiras classificadas como baleias acumularam mais de 270 mil BTC, aproximadamente US$ 16,7 bilhões aos preços do período.Ou seja, enquanto investidores via ETFs reduziram exposição em ritmo recorde, grandes detentores absorveram uma quantidade ainda mais expressiva de Bitcoin.Essa divergência é um dos pontos mais relevantes do mercado atual. Na prática, o Bitcoin não está simplesmente sendo despejado em meio à pressão vendedora. Ele está trocando de mãos — e em um ritmo que merece atenção.Oferta disponível nas mínimasO ponto-chave é que esse movimento de acumulação ocorre justamente em um momento de forte restrição da oferta líquida.As reservas de Bitcoin nas exchanges recuaram para níveis próximos das mínimas de vários anos. Levantamentos divulgados ao longo de 2026 apontaram aproximadamente 2,21 milhões de BTC mantidos em corretoras, reforçando uma tendência estrutural de redução da oferta imediatamente disponível para negociação.Nas mesas OTC, utilizadas por grandes investidores para movimentar volumes relevantes fora dos livros públicos das exchanges, a tendência também chama atenção.As estimativas variam conforme a metodologia e os endereços monitorados, mas algumas séries de mercado apontam forte redução desses estoques, com levantamentos indicando saldos próximos de 150 mil BTC — muito abaixo dos níveis observados em ciclos anteriores.Isso cria uma dinâmica importante. O Bitcoin possui uma oferta máxima programada de 21 milhões de unidades e, caso a demanda volte a acelerar, o mercado poderá encontrar uma quantidade menor de BTC imediatamente disponível para venda.E então surge a combinação mais poderosa dos mercados: demanda crescente diante de uma oferta cada vez mais restrita.A assimetria não está apenas no BitcoinA correção também levou os principais criptoativos a negociarem muito abaixo de suas máximas históricas.E, em vez de apenas lamentar o capital perdido desde o topo, o investidor pode estar diante de uma das maiores janelas de assimetria dos últimos anos.Considerando preços aproximados observados no início de julho de 2026, o potencial necessário apenas para recuperar as antigas máximas permanece expressivo:CriptoativoPotencial aproximado até a máximaBitcoin (BTC)                + 98%Ethereum (ETH)                + 177%BNB (BNB)                + 135%XRP (XRP)                + 226%Solana (SOL)                + 261%Esses números não representam projeções ou garantias de retorno. Servem apenas para dimensionar o quanto as avaliações foram comprimidas, inclusive entre os ativos mais líquidos e consolidados do mercado.E existem razões para acreditar que uma recuperação seja possível.O Bitcoin permanece como a principal porta de entrada institucional do setor. Ethereum segue como uma das maiores infraestruturas para stablecoins, DeFi e tokenização de ativos do mundo real. BNB mantém um dos maiores ecossistemas on-chain. XRP continua relevante na tese de pagamentos e infraestrutura financeira. Solana, por sua vez, vem ganhando espaço em DeFi, stablecoins, tokenização e aplicações de alto desempenho.Ou seja, a queda dos preços ocorreu enquanto importantes redes continuaram expandindo suas respectivas teses, ecossistemas e casos de uso.Uma assimetria difícil de ignorarNaturalmente, nenhum indicador confirma sozinho que o fundo foi atingido. Novas saídas dos ETFs, uma deterioração do cenário macroeconômico ou o aumento das tensões geopolíticas ainda podem pressionar os preços.Mas a combinação atual merece atenção.De um lado, temos capitulação, medo extremo e saídas recordes dos ETFs.Do outro, baleias acumulando centenas de milhares de Bitcoins, reservas nas exchanges próximas das mínimas de vários anos e estoques reduzidos nas mesas OTC.É justamente essa divergência que fortalece a tese de assimetria.Se o Bitcoin estiver atravessando um processo de formação de fundo em 2026, talvez estejamos diante de um daqueles raros momentos em que o sentimento permanece profundamente deteriorado enquanto grandes investidores absorvem oferta e a quantidade de ativos disponível para venda continua diminuindo.Para investidores de médio e longo prazo, portanto, uma estratégia baseada em aportes graduais e exposição aos ativos mais consolidados do mercado volta a apresentar uma relação entre risco e retorno difícil de ignorar.Sobre o autorFelipe Martorano é analista CNPI, Head de Análise Cripto da Levante Investimentos e investidor em criptoativos desde 2017.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? 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