SOS Soro: morador do DF cria site que pode salvar vítimas de picadas

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Em acidentes envolvendo animais peçonhentos, a rapidez é essencial para salvar vidas, e qualquer minuto otimizado faz diferença. Sabendo disso, o analista de redes Thiago Azevedo transformou a comoção pela trágica morte da jovem Valentina Nobre Lima, em uma ferramenta de utilidade pública. O profissional brasiliense desenvolveu o SOS Soro, um site gratuito que localiza, em tempo real, quais hospitais têm estoque de antídotos específicos.A motivação de Thiago nasceu da empatia e do susto a partir do caso da Valentina. A criança morreu aos 11 anos, nesse domingo (5/7), menos de um mês após ser picada por um escorpião, dentro de casa, no Riacho Fundo I.“Sou pai e fiquei pensando: ‘E se fosse com o meu filho?’. A família dela perdeu um tempo precioso procurando um hospital com soro”, comenta o brasiliense.Segundo o desenvolvedor do SOS Soro, o site, que também está disponível para celulares no formato de aplicativo, é de fácil manutenção. O analista desenvolveu a ferramenta em tempo recorde: começou a trabalhar em 20 de junho, quando Valentina ainda estava internada, e disponibilizou a plataforma dois dias depois. “A ideia do SOS Soro é simples: ganhar tempo”, explica o criador.Como funcionaO funcionamento do SOS Soro foi desenhado para ser o mais ágil possível, pensando no momento de pânico das vítimas ou familiares. Para acessar, basta acessar o site https://sossoro.app.br e clicar na foto correspondente ao animal envolvido no acidente (cobra, aranha, escorpião ou lagarta). Caso não se saiba a espécie que causou a picada, é possível clicar na opção “não sei”.A partir daí, o sistema da plataforma utilizará a localização do dispositivo para exibir um mapa com as unidades de saúde mais próximas abastecidas com o antídoto adequado, além de listar orientações imediatas de primeiros socorros.Confira imagens da plataforma:4 imagensFechar modal.1 de 4SOS Soro, um site gratuito para celulares que localiza, em tempo real, quais hospitais têm estoque de antídotos específicoReprodução/SOS Soro2 de 4O sistema usa a localização do celular para exibir um mapa com os hospitais mais próximos abastecidos com aquele soro específico, além de listar orientações imediatas de primeiros socorrosReprodução/SOS Soro3 de 4A plataforma utiliza a base oficial do Ministério da Saúde, por meio dos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESA); a ferramenta já cobre 25 estadosReprodução/SOS Soro4 de 4O SOS Soro deixa explícito o que fazer e o que não fazer a caminho do hospitalReprodução/SOS Soro Leia também Distrito FederalPicadas de escorpiões mataram três crianças no DF em cinco anos Distrito FederalEscola de criança morta por escorpião lamenta perda: “Momento difícil” Distrito FederalMorre menina de 11 anos picada por escorpião no DF Distrito FederalCriança é levada ao hospital após ser picada por escorpião em escola De onde vêm os dados?A plataforma utiliza a base oficial do Ministério da Saúde, por meio dos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (Pesa). Como o estoque de soros é centralizado e não fica disponível em todas as unidades de pronto atendimento (UPAs) ou hospitais gerais, o direcionamento correto evita o chamado “turismo de emergência”, de hospital em hospital.Para assegurar a precisão das informações, Thiago implementou um sistema colaborativo. Se um usuário relatar a falta de soro em alguma unidade exibida, o analista recebe um alerta imediato e retira temporariamente o hospital da lista de disponibilidade.Até o momento, a plataforma já registrou quase duas mil visitas vindas do Distrito Federal, com maior concentração de buscas no Plano Piloto, em Taguatinga e em Santa Maria. No cenário nacional, a ferramenta já cobre 25 estados e mapeia mais de mil hospitais.Além do mapa, a plataforma foca na educação de emergência. Em momentos de desespero, muitas pessoas recorrem a práticas antigas e perigosas que pioram gravemente o quadro da vítima. O SOS Soro deixa explícito o que fazer e o que não fazer a caminho do hospital.O veneno de escorpiões e serpentes age com extrema rapidez, especialmente em crianças devido ao menor peso corporal.“Na hora da picada, a pessoa entra em pânico, esquece o nome do hospital, esquece o que fazer. Ter o passo a passo tira essa dúvida na hora H. Se, com isso, a gente evitar que uma única família passe pela mesma dor da família da Valentina, já terá valido a pena”, conclui Thiago.Luto e comoçãoO acidente que veio a causar a morte de Valentina Nobre Lima aconteceu em 12 de junho. Na ocasião, a menina estava em casa, no Riacho Fundo I, e foi picada quando calçava um tênis para ir à escola.A família de Valentina buscou ajuda com o Corpo de Bombeiros (CBMDF) e, posteriormente, levou a menina ao Hospital Regional do Guará (HRGu), por ser a unidade de saúde mais próxima. No local, ela recebeu o soro contra o veneno do escorpião, mas não apresentou a melhora esperada.Diante da necessidade de uma UTI, Valentina foi transferida para o Hospital Santa Lúcia, na Asa Norte, onde permaneceu em coma, intubada e respirando com ajuda de ventilação mecânica até a partida, registrada por volta das 21h deste domingo (5/7).A Escola Classe 03 do Núcleo Bandeirante decretou, na segunda-feira (6/7), luto de um dia em homenagem a Valentina.