A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi anexou ao processo uma declaração de uma ex-aprendiz do gabinete do magistrado para contestar parte da segunda denúncia de importunação sexual apresentada contra ele.No documento, ao qual a coluna teve acesso, a ex-aprendiz afirma que nunca sofreu qualquer tipo de assédio ou importunação sexual por parte do ministro e diz que deixou o gabinete por motivos pessoais, relacionados à distância entre sua residência e o local de trabalho e à incompatibilidade com os estudos.A jovem havia sido mencionada pela segunda denunciante como um exemplo de suposto comportamento inadequado atribuído ao magistrado. Leia também Mirelle PinheiroQuem são os promotores afastados por suspeita de associação criminosa Mirelle PinheiroSupermercado é condenado a indenizar atendente que fez xixi na roupa Mirelle PinheiroEmpresária de 40 anos morre após passar mal em corrida de rua Mirelle PinheiroZagueiro da Portuguesa-RJ é levado à delegacia por fraude em apostas Segundo o relato apresentado pela servidora, a então aprendiz teria sido alvo de comentários sobre sua aparência, como a forma correta que deveria “se maquiar e arrumar o cabelo”, além de orientações sobre a forma de se vestir e até sobre a foto utilizada em seu perfil do WhatsApp.Na declaração juntada pela defesa, entretanto, a mulher afirma que o ministro sempre foi respeitoso e educado com ela e com as demais servidoras que trabalhavam no gabinete. Também declara que nunca presenciou qualquer situação de assédio envolvendo outras funcionárias.Os advogados sustentam que o documento enfraquece parte da narrativa apresentada pela segunda denunciante e argumentam que ela atribuiu à ex-aprendiz fatos que, segundo a própria jovem, nunca ocorreram.A defesa também cita depoimentos de outra servidora ouvida durante a investigação, em que afirma nunca ter ouvido relatos de outras funcionárias sobre episódios de assédio envolvendo o ministro.ExameAo processo, também foi anexado um laudo médico para sustentar que o magistrado sofre de disfunções que seriam incompatíveis com o relato da primeira denunciante, de 18 anos.Em depoimento, a vítima afirma que, durante um banho de mar em Balneário Camboriú (SC) em janeiro deste ano, percebeu que o ministro estava sexualmente excitado quando teria tentado segurá-la. Em depoimento, ela disse que conseguiu sentir a genitália do magistrado pressionando seu corpo porque ele vestia apenas shorts e sunga.Os advogados sustentam que a condição clínica descrita nos exames inviabilizaria a situação narrada pela denunciante.Os documentos, obtidos pela coluna, indicam que Buzzi apresenta disfunção erétil de origem multifatorial, ausência de libido, hipogonadismo — condição em que os testículos produzem quantidade insuficiente de testosterona e/ou espermatozoides — e ausência de ejaculação anterógrada.Além disso, segundo a defesa, exames e avaliação assinados por um médico urologista também apontam que o ministro tem histórico de cirurgia de próstata, diabetes, hipertensão, faz uso contínuo de medicamentos e apresenta outras condições clínicas que comprometem a função sexual.Relembre o casoMarco Buzzi está afastado do STJ desde fevereiro deste ano. Ele é investigado após ser acusado de importunação sexual por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do magistrado, durante uma viagem de férias em Balneário Camboriú (SC).Segundo a denúncia, o episódio ocorreu em janeiro, quando os dois entraram no mar. A jovem afirma que o ministro tentou agarrá-la em três ocasiões. Buzzi, no entanto, nega as acusações.Posteriormente, uma servidora terceirizada do STJ também apresentou denúncia de importunação sexual contra o magistrado. Além do procedimento no Superior Tribunal de Justiça, o caso é apurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).