Cientistas chineses elaboraram um novo plano para salvar a Terra caso um asteroide gigante seja detectado em rota de colisão com o planeta, colocando a civilização humana em risco. Em situações como esta, a alternativa mais eficaz é uma detonação nuclear para destruir diretamente a rocha espacial ou desviar rapidamente a sua órbita.A conclusão é de um estudo publicado recentemente na revista Space: Science & Technology, realizado por especialistas da Academia Chinesa de Tecnologia de Veículos de Lançamento. De acordo com o artigo, o método proposto pode ser o único viável para evitar uma catástrofe, dependendo do tempo para o impacto.Como destruir um asteroide?Baseando-se na tecnologia de defesa de detonação de asteroides de grande porte próximos da Terra, a equipe propôs dois modos de parar um objeto celeste que pode nos atingir: detonação por impacto de encontro direto ou detonação por sobrevoo com pré-escavação. Para os autores, a segunda opção é a mais indicada.Neste caso, a missão poderia escolher autonomamente o local da cratera e realizar uma detonação profunda ao penetrar na rocha, gerando energia muito mais forte, ampliando os efeitos da explosão;Tal método permitiria destruir asteroides com cerca de 100 m de diâmetro por completo, de acordo a investigação, eliminando os riscos para o planeta;Já para corpos celestes maiores, como aqueles de 1 km ou mais, a solução tem potencial para alterar sua trajetória para uma rota segura, desviando-os da Terra;Para o último cenário, envolvendo objetos mais extensos, a pesquisa ressalta ser necessário detectar a possibilidade de impacto com anos de antecedência para o preparo adequado da missão.A defesa planetária contra asteroides continua evoluindo, mas ainda enfrenta vários obstáculos. (Imagem: Naeblys/Getty Images)Apesar dos resultados promissores, os cientistas ressaltaram que a proposta é baseada em simulações. Até o momento, o único método testado na prática foi a missão DART da NASA, que modificou a órbita do pequeno asteroide Dimorphos com sucesso, em 2022, ao colidir com ele.Missões reais utilizando o plano chinês precisam considerar aspectos como a composição do corpo celeste e calcular a trajetória dos milhares de fragmentos gerados pela explosão se ele for parcialmente destruído. A dificuldade de transportar ogivas nucleares em segurança pelo espaço é outro dos obstáculos.Escolha muda conforme o tempo de avisoOs participantes do estudo também destacaram que a seleção da estratégia para salvar a Terra dos impactos de asteroides é influenciada pelo tempo disponível de preparo da missão. Eles simularam cenários em que teríamos de um a 20 anos para a colisão.Se a escavação prévia da rocha espacial para colocar a bomba em uma área mais profunda exige um tempo maior de aviso, a detonação em cratera rasa, com impacto direto no objeto, é a alternativa se o tempo for curto. Mais simples, a técnica tem menos etapas de preparo e o lançamento acontece rapidamente.Por outro lado, esse método não permite escolher o local da detonação “e o acoplamento de energia é relativamente fraco”, o que pode afetar a eficácia da missão, como explicaram os autores. Dessa forma, a proposta requer aprimoramentos para aplicação em situações reais.Método semelhante foi sugerido em outras pesquisas, como uma de 2021 que levou em consideração a premissa do filme Armageddon. Relembre o estudo nesta matéria.