Agro pela Venezuela: solidariedade também é missão de quem produz

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Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do PovoVítimas do terremotoPor Antonio Cabrera08/07/2026 às 16:53Prefira a Gazeta no GoogleA campanha Agro pela Venezuela é uma oportunidade de mostrar isso de forma mais ampla: o agro brasileiro é força produtiva, mas também pode ser força moral. (Foto: Imagem produzida por ChatGPT IA/Gazeta do Povo)Ouça este conteúdoO agronegócio brasileiro se acostumou a ser cobrado. Cobrado por produtividade, por preservação ambiental, por segurança alimentar, por exportações, por abastecimento interno, por geração de empregos, por superávit comercial e até por narrativas criadas por quem, muitas vezes, nunca pisou em uma fazenda.Mas há um papel do agro que nem sempre aparece nas estatísticas: a solidariedade.A campanha Agro pela Venezuela nasce dessa convicção. Diante da tragédia que atingiu o povo venezuelano, especialmente após o terremoto, decidimos que o agro brasileiro não pode ficar indiferente. Quem alimenta o mundo também precisa ajudar a reconstruir vidas.A Venezuela não é uma abstração geopolítica. Não é apenas o país do noticiário, da crise, da ditadura, da inflação, da migração e do sofrimento social. A Venezuela é feita de famílias, crianças, idosos, agricultores, trabalhadores, mães e pais que, neste momento, precisam de ajuda concreta.E ajuda concreta é algo que o agro brasileiro sabe organizar.O campo brasileiro aprendeu a lidar com distância, logística, urgência, escala e cooperação. Sabe transformar produção em alimento, planejamento em entrega, máquinas em resultado, tecnologia em abundância. Essa capacidade, que normalmente aparece na safra, no abastecimento dos supermercados e nas exportações, também pode aparecer agora como gesto humanitário.O agro não deve ser solidário por marketing. Deve ser solidário por princípio.Há algo profundamente humano em ver produtores, cooperativas, associações, empresas, transportadores, agroindústrias e entidades rurais se mobilizando para ajudar um povo vizinho. Em especial quando esse povo está tão próximo de nós — inclusive fisicamente, na fronteira de Roraima, onde tantos venezuelanos já buscaram abrigo, trabalho e esperança no Brasil.Boa Vista se tornou, nos últimos anos, uma porta de entrada da dor venezuelana. Muitos brasileiros viram de perto famílias cruzando a fronteira com quase nada além da roupa do corpo. Viram crianças, trabalhadores, mães e jovens tentando recomeçar. A crise venezuelana, tragédia de um regime socialista, deixou de ser uma notícia distante. Tornou-se uma presença humana nas ruas, nos abrigos, nas igrejas, nos serviços públicos e nas comunidades brasileiras.Agora, diante de mais uma catástrofe, é natural que o Brasil que produz também seja o Brasil que ajuda.Essa solidariedade, porém, precisa ser organizada com seriedade. Campanhas humanitárias não podem virar improviso nem palanque. Precisam de transparência, coordenação, destino correto das doações e parceria com entidades locais confiáveis. Por isso, a ideia de unir forças no Brasil e contar com apoio institucional e operacional dentro da Venezuela é essencial.O objetivo não é fazer política. É ajudar pessoas.E aqui é preciso separar as coisas. Criticar o regime venezuelano é legítimo. Denunciar os erros econômicos, a falta de liberdade e a destruição institucional que empobreceram aquele país também é necessário. Mas nenhuma crítica ao poder pode nos tornar indiferentes ao sofrimento do povo.Ao contrário: justamente porque sabemos o que a escassez faz com uma sociedade, devemos valorizar ainda mais a abundância que o agro brasileiro ajuda a construir — e compartilhá-la quando há necessidade.O agro brasileiro é frequentemente acusado de pensar apenas em lucro. Essa caricatura não resiste à realidade. Em todo o país, produtores rurais ajudam hospitais, santas casas, escolas, comunidades, igrejas, famílias atingidas por enchentes, incêndios, secas e tragédias locais. Muitas vezes fazem isso sem propaganda, sem discurso e sem esperar reconhecimento.A campanha Agro pela Venezuela é uma oportunidade de mostrar isso de forma mais ampla: o agro brasileiro é força produtiva, mas também pode ser força moral.Quem produz alimentos entende o valor da vida concreta. Sabe que fome não espera ideologia. Sabe que uma família desabrigada não precisa de discurso, mas de água, comida, abrigo, remédio, roupa, transporte, atendimento e esperança.O Brasil tem problemas enormes: impostos altos, infraestrutura ruim, insegurança jurídica, burocracia sufocante e um Estado que muitas vezes atrapalha quem trabalha. Mesmo assim, o agro brasileiro segue produzindo. Produz para o Brasil e para o mundo. Produz em escala, com tecnologia, eficiência e responsabilidade.Agora, pode também produzir solidariedade.“Agro pela Venezuela” não deve ser entendido apenas como uma campanha de doação. Deve ser visto como uma afirmação: o campo brasileiro não está isolado da dor humana. O produtor rural não vive apenas dentro da porteira. Ele faz parte de uma civilização que só se sustenta quando produção e compaixão caminham juntas.A riqueza de um setor não se mede apenas pelo que ele exporta, mas também pelo que ele é capaz de entregar quando alguém precisa.E, neste momento, nossos vizinhos precisam.Que o agro brasileiro mostre, mais uma vez, sua capacidade de agir. Que entidades se unam. Que empresas contribuam. Que produtores participem. Que a sociedade civil se organize. Que a ajuda chegue de forma correta, transparente e eficiente.Porque o agro que alimenta também deve amparar.Do campo, ajuda.Do agro, esperança.Antonio CabreraAntonio Cabrera é médico-veterinário, empresário do agronegócio e presidente do Grupo Cabrera. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária — o mais jovem da história — e secretário da Agricultura do Estado de São Paulo. Integra o Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e preside o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.Encontrou algo errado na matéria?Comunique errosUse este espaço apenas para a comunicação de errosPrincipais ManchetesGoverno Lula transforma Itamaraty em palanque eleitoral com declaração sobre ação militar dos EUAProjeto da oposição de controlar Senado em 2027 enfrenta crises no Rio e em São Paulo“Mais poderosa”: qual a chance de Michelle Bolsonaro para presidente, segundo pesquisaMoraes manda PF invadir casa de Bolsonaro e sai de mãos abanando; assista ao Gazeta AgoraTudo sobre:CooperativasVenezuelaWHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.