Vivi os primeiros 20 anos da minha vida atrás das telas de computadores, varando a madrugada na Internet e dormindo de dia. Em determinado momento, comecei a sentir dores nos membros superiores, decorrentes do esforço repetitivo na digitação e da ausência total de massa muscular. Até que, em uma consulta, um médico me falou o óbvio que precisava ser dito: enquanto você não tiver massa muscular para suportar o esforço, vai continuar voltando aqui para eu te recomendar sessões de eletrochoque para, talvez, diminuir sua dor. No dia seguinte, busquei um profissional para me ajudar e passei a ir à academia todos os dias, com o único objetivo de nunca mais ter dores nos membros superiores.O interessante de pensar na sua saúde é que, como tudo na vida, isso vai se tornando um hábito. Das idas à academia, que eram somente para poder continuar a usar o computador, fui criando um plano para tentar chegar ao limite do que se sabe que o nosso cérebro é capaz de suportar. Um estudo publicado na revista Nature, principal revista científica multidisciplinar do mundo, sugere que a idade máxima possível para um ser humano está entre 120 e 150 anos.Quase 20 anos depois, o que antes era motivo de chacota de quem ouvia hoje se tornou um plano consistente, com uma série de iniciativas paralelas para pesquisar, monitorar, prevenir e tratar toda e qualquer condição que possa diminuir a chance de me levar ao objetivo. O primeiro passo que tomei logo após iniciar a academia foi criar um dashboard trimestral com os principais indicadores de saúde, desde os mais óbvios, como peso e gordura por bioimpedância, até marcadores sanguíneos específicos de condições genéticas, como o ácido úrico e outros.Em 2012, tive a oportunidade de passar um tempo nos Estados Unidos trabalhando e, na época, a bióloga Anne Wojcicki lançou o 23andme, uma startup pouco conhecida (eu estava em Mountain View, cidade-sede da empresa, por isso acabei sabendo) que fazia mapeamento genético por meio do envio de saliva por carta. Corri para comprar meu kit e fiz a análise lá mesmo. Descobri dezenas de possíveis problemas futuros que poderiam ser mitigados com prevenção, o que, anos depois, me levou a procurar cada vez mais médicos capazes de interpretar suspeitas de marcadores genéticos para diagnóstico, o que, até hoje, continua sendo um desafio.Além do apoio de um especialista em longevidade, passei a buscar formas de me conhecer melhor, antecipar problemas e diagnosticá-los o quanto antes. Em uma viagem, conversando com um dos meus acionistas no exterior, tive a indicação de procurar uma startup californiana chamada Prenuvo. O que eles fazem é algo superinteressante: você entra em uma máquina de ressonância magnética por 2 horas, com a opção de ficar sedado ou assistindo a um filme na Netflix, e eles te fazem todos os scans de imagem conhecidos até o momento para encontrar mais de mil potenciais doenças utilizando AI. Além disso, qualquer anormalidade superior a 5 mm de raio também é detectada, o que é muito útil para quem tem suspeita de câncer com dificuldade de encontrar a localização, mas, como esse não é o meu caso, os atendentes ficaram abismados por eu não ter um problema grave para estar lá em busca do procedimento.Feito o exame, metade dos problemas para os quais eu já conhecia e buscava solução com a medicina local tinha um diagnóstico equivocado. As imagens e a análise de IA mudaram completamente o que preciso fazer para resolvê-los, e agora estou na saga de mostrar a cada médico o resultado de um exame de uma startup que contradiz o que os procedimentos aqui no Brasil indicam. Essa busca não é para criticar o trabalho dos profissionais da saúde, que fazem parte de uma das áreas mais honráveis e essenciais da sociedade e, no Brasil, muitas vezes entregam o melhor possível mesmo sem ter acesso às tecnologias mais avançadas. É mais um lembrete de que ainda estamos limitados pelas ferramentas disponíveis em cada lugar.No mês passado, de novo em viagem, descobri que era possível mapear meu genoma da mesma forma que o primeiro humano foi mapeado nos anos 80. Na época, custou quase 3 bilhões de dólares, mas agora é possível por USD 599, com o apoio de um instituto de pesquisa chamado ODIN. Não pensei duas vezes e comprei o kit para coletar meu material ainda em viagem. O valor ainda não é acessível para todas as pessoas, mas temos que concordar que é uma queda absurda de preço e, para quem está nessa busca ainda tão nova, eu quis aproveitar a oportunidade.O arquivo final é imenso, em exames como 23andme e Genera, você consegue baixar um arquivo com os seus marcadores genéticos (alelos) na ordem de 20 megabytes. O meu pacote de genoma chegou com aproximadamente 200 gigabytes, então tenho anos de pesquisa por aqui para aumentar ainda mais a chance de chegar aos 150 anos, como almejo.É difícil não pensar no impacto que esse tipo de tecnologia pode ter no futuro da saúde. Quanto mais cedo a gente consegue enxergar o que está acontecendo no corpo, maiores são as chances de tratar com menos sofrimento, menor custo e maior eficiência. Se soluções assim forem ficando mais acessíveis e integradas aos sistemas locais, áreas remotas poderiam ganhar uma capacidade de diagnóstico que hoje só existe em grandes centros, encurtando o caminho entre suspeita e confirmação, e reduzindo o tempo perdido em tentativas e erros. No fim, a promessa mais animadora é essa, um futuro no qual a detecção precoce seja regra, e não exceção.Além do diagnóstico e tratamento de problemas existentes, ainda há um longo caminho a percorrer no estudo de peptídeos que podem ajudar na longevidade. Tenho usado meu assistente no OpenClaw, o Alfredo, para catalogar e monitorar todos os estudos clínicos com esses componentes que podem, de fato, me ajudar no meu projeto com confirmação científica.Mas vale ressaltar que aqui a palavra-chave é justamente “confirmação”, em saúde, promessa não basta. Só com mais pesquisa séria, ensaios clínicos bem conduzidos, revisão por pares e reprodução dos resultados é que a gente consegue separar o que é moda do que realmente funciona, além de entender dose, segurança, efeitos colaterais e para quem aquilo faz sentido. É esse avanço contínuo dos estudos e da ciência que transforma hipótese em protocolo, curiosidade em evidência e, no fim, em mais anos de vida com qualidade.Com a possibilidade de usar o meu agente de IA para a análise do genoma em profundidade, com base em pesquisa científica aberta, estou guiando um estudo no OpenClaw para avaliar a possibilidade de uso de CRISPR. Essa tecnologia funciona como uma ferramenta de edição genética, ela consegue atuar no núcleo da célula e fazer alterações direcionadas no DNA.Em alguns casos, isso pode permitir corrigir ou ajustar genes ligados a doenças e também ajudar no combate a vírus e bactérias, abrindo a possibilidade de tratamento e até de cura para certas condições hereditárias. Em teoria, isso permitiria manipular células do corpo para melhorar a condição do organismo. Ainda não existem estudos clínicos, mas em alguns pacientes no exterior, este procedimento foi aplicado com sucesso em modo experimental, então não custa estar preparado.A cada dia que passa, o projeto 150 anos parece mais alcançável do que nunca, e quem sabe, com o Neuralink ainda seja possível fazer o upload da minha consciência para a nuvem depois que meu hardware pifar por completo?O que começou como um jeito de parar de sentir dor virou um projeto de vida, transformando curiosidade em método, hábito em consistência e tecnologia em prevenção. E se hoje já dá para mapear o corpo com uma precisão que parecia ficção científica, imaginar os próximos anos é ainda mais empolgante. Custos caindo, diagnósticos mais cedo, IA ajudando a separar sinal de ruído, e a medicina se aproximando de um modelo realmente preditivo e personalizado. Meu objetivo segue o mesmo, chegar aos 150 com o máximo de qualidade possível.Se você conhece outras tecnologias que possam me ajudar a avançar neste projeto (desde que cientificamente comprovadas), fique à vontade para me contatar!