Cabo Verde prevê terras raras a partir de 2030 e busca US$ 460 milhões

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A Cabo Verde Mineração prevê investimentos de cerca de US$ 460 milhões para desenvolver seu projeto de terras raras no Sul de Minas Gerais e estima iniciar a produção em escala comercial a partir de 2030.As informações foram confirmadas pelo CEO da companhia, Túlio Rivadávia, em entrevista ao Mapa da Mina, programa semanal de mineração da CNN. A Cabo Verde se apresenta como de capital 100% nacional.A companhia atua em áreas próximas ao complexo alcalino de Poços de Caldas, uma das regiões que mais atraem projetos de terras raras no país. O ativo ainda está em fase de pesquisa mineral, mas a empresa afirma que segue padrões internacionais de certificação e pretende publicar uma primeira estimativa de recursos nos próximos meses. Leia Mais Ala do governo quer triagem "rigorosa" para investidor em minerais críticos Segundo fundo ligado a terras raras chega à B3 em menos de um mês Setor elogia plano nacional de mineração, mas pede instrumentos de execução “Eu acredito que em escala industrial, que a gente vai ter a usina operando é 2030 pra frente, sendo otimista”, afirmou Rivadávia.As terras raras são um grupo de elementos usados em cadeias consideradas estratégicas, como ímãs permanentes, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. O mercado ganhou relevância nos últimos anos em meio à tentativa de Estados Unidos, União Europeia e outros países de reduzir a dependência da China, que concentra etapas centrais de processamento e refino.Segundo Rivadávia, a Cabo Verde precisa saber navegar esse ambiente geopolítico e conversar com diferentes atores do mercado. O executivo afirmou que a empresa busca parceiros financeiros.O CEO disse que a companhia não tem interesse imediato em abrir capital ou seguir o caminho de outros projetos de terras raras que recorrem à bolsa para financiar a exploração.Segundo ele, antes de uma entrada mais robusta de capital, a empresa precisa declarar recursos em padrões aceitos internacionalmente, como JORC e NI 43-101.“Para que a gente certifique esses recursos nessas organizações, exige um custo muito alto, porque você tem que investir em quality person que vem de fora, você tem um double check de tudo o que é AQC”, afirmou.A Cabo Verde pretende publicar nos próximos meses uma primeira estimativa de recurso mineral inferido para o alvo Caconde, uma das áreas mais avançadas do projeto de terras raras da empresa no Sul de Minas.A certificação é considerada uma etapa central para projetos de mineração porque permite ao mercado avaliar volume, teor, potencial econômico e risco geológico de um ativo. No caso das terras raras, essa etapa ganha ainda mais peso porque a viabilidade depende não apenas do teor total, mas da composição da cesta de elementos, da recuperação metalúrgica e da rota de processamento.A Cabo Verde tem se posicionado como uma das apostas brasileiras na corrida por minerais críticos.A empresa afirma desenvolver um projeto em argilas iônicas, tipo de depósito que pode ter rota de processamento diferente da mineração tradicional em rocha dura. A tese é que esse modelo pode facilitar a extração de elementos de maior valor, embora a viabilidade econômica ainda dependa de testes, escala, licenciamento e financiamento.Rivadávia também defendeu o fortalecimento da CBRR (Comissão Brasileira de Recursos e Reservas), entidade brasileira voltada à padronização de declarações de recursos e reservas minerais.“A gente precisa revitalizar a CBRR, que é a Comissão Brasileira de Recursos e Reservas. A gente tem um órgão no Brasil competente para isso, para os nossos projetos. Eu não entendo porque a gente tem que ficar esperando o padrão internacional”, afirmou.