Morte de senador aliado de Trump pode impactar as eleições nos EUA; entenda

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A morte repentina do influente senador republicano Lindsey Graham terá impactos nos trabalhos legislativos do Senado dos Estados Unidos, onde a já estreita maioria republicana enfrenta dificuldades devido à ausência do senador Mitch McConnell, e também nas eleições de novembro.Veja o que se sabe sobre os próximos passos.Como a vaga de Graham no Senado será preenchida?De acordo com a legislação estadual, o governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, pode nomear um substituto temporário para ocupar a vaga deixada por Graham.No entanto, como Graham disputaria a reeleição neste ano, sua morte dará início a um processo acelerado de eleições primárias para definir quem ocupará seu lugar na cédula eleitoral de novembro.As autoridades ainda não anunciaram oficialmente como a substituição será feita, mas a legislação estadual parece determinar a realização de uma eleição primária especial em 11 de agosto, com um possível segundo turno em 25 de agosto, para escolher o novo candidato.Segundo esse cronograma, o período de registro de candidaturas ocorrerá entre 21 e 28 de julho.O vencedor da eleição primária enfrentará, em novembro, a candidata democrata, a pediatra Annie Andrews.Em um comunicado divulgado no domingo (12), Andrews descreveu Graham como “um homem de grande fé que serviu com orgulho à nossa nação como oficial do JAG (Corpo Jurídico das Forças Armadas) e coronel da Força Aérea”.“Espero que os moradores da Carolina do Sul se unam a mim para deixar de lado as diferenças partidárias e expressar sua gratidão ao senador Lindsey Graham por seu serviço ao grande estado da Carolina do Sul”, afirmou.Quem pode ser o substituto de Graham?Ainda é cedo para dizer com precisão quem poderá substituir Lindsey Graham. No entanto, alguns nomes começaram a surgir neste domingo.A deputada federal Nancy Mace, que ficou em quinto lugar na recente eleição primária para o governo da Carolina do Sul, disse à CNN que está “considerando seriamente” disputar a vaga no Senado.Uma fonte familiarizada com o assunto informou à CNN que Pamela Evette, vice-governadora da Carolina do Sul, estava recebendo contatos sobre uma possível candidatura.Evette concorreu ao governo estadual neste ano e contou com o apoio do presidente Donald Trump, mas foi derrotada no segundo turno, depois que Trump também declarou apoio ao seu adversário.Trump afirmou no domingo que já tem alguém em mente para ocupar o restante do mandato de Graham.“Tenho alguém que acho que seria excelente, mas não quero dizer quem é agora porque, sabe, ainda é muito cedo por causa do Lindsey”, disse Trump no programa Meet the Press, da NBC.O deputado federal pela Carolina do Sul Joe Wilson publicou nas redes sociais, no domingo, que conversou com o presidente e deu a entender que não tem interesse em ser nomeado para a vaga temporária.“Fiquei grato por conversar hoje com o presidente Trump, relembrando nosso amigo em comum, o senador Lindsey Graham”, escreveu Wilson.“Garanti a ele que meu objetivo é permanecer na Câmara dos Representantes para preservar sua maioria de dois votos em benefício do povo americano!!!”O deputado federal Ralph Norman, um dos principais integrantes do House Freedom Caucus, que por um período foi amplamente considerado um possível desafiante de Lindsey Graham nas eleições primárias do Partido Republicano, disse à CNN que ainda não decidiu se tem interesse em disputar a vaga deixada pelo senador.Questionado sobre a possibilidade de concorrer ao cargo, Norman respondeu à CNN, em uma ligação telefônica na manhã de domingo: “Não sei.”“Estou como todo mundo. Foi um choque”, afirmou.Norman, que disputou a eleição primária para o governo da Carolina do Sul no mês passado, terminou em terceiro lugar e não avançou para o segundo turno. Embora seja um firme aliado de Donald Trump, suas frequentes defesas de maior rigor fiscal às vezes o colocam em desacordo com líderes do Partido Republicano e com a Casa Branca.Norman afirmou que o Senado não estava necessariamente em seus planos, mas acrescentou que “no Senado é possível fazer muitas coisas boas”.“A única coisa em que estou pensando agora é que ele morreu. É muito triste”, disse Norman. Leia Mais Drones inimigos ditam movimentos na guerra da Ucrânia Trump diz que EUA atingiram Irã "com muita força" durante a noite Ucrânia afirma ter lançado novos ataques contra navios russos   O que isso significa para o equilíbrio de poder no Senado americano?A morte de Graham não deve ter um impacto imediato sobre o equilíbrio de forças no Senado.Como Henry McMaster é republicano, a nomeação de um substituto temporário deverá restabelecer a vantagem do Partido Republicano na Casa, com uma maioria de 53 senadores contra 47 dos democratas.Também é provável que McMaster sofra pressão para fazer a nomeação rapidamente, já que a bancada republicana já vinha atuando com um senador a menos nas últimas semanas devido à internação de Mitch McConnell.Quais questões legislativas podem ser afetadas?Embora a morte de Lindsey Graham provavelmente não altere o controle do Senado, ele desempenhava um papel fundamental em importantes pautas da Casa.A Comissão de Orçamento do Senado, presidida por Graham, estava nas fases iniciais de um complexo processo de reconciliação orçamentária para tentar aprovar partes do projeto de lei de Donald Trump sobre exigência de identificação de eleitores.Os parlamentares republicanos esperavam avançar rapidamente para atender às demandas do presidente, que já vinham provocando grandes obstáculos à agenda do partido no Capitólio. Frustrado porque o SAVE America Act não conta com votos suficientes para superar o limite de 60 votos exigido no Senado, Trump tem pressionado os parlamentares a acabar com o filibuster, a obstrução parlamentar, e, em protesto, recusou-se a sancionar outro projeto de lei bipartidário sobre habitação. (Mesmo assim, o projeto acabou se tornando lei.)Trump mencionou o apoio de Graham ao SAVE Act durante uma entrevista ao jornalista Jake Tapper, da CNN, no programa State of the Union, exibido no domingo.“Eu acho que ele estava disposto a nos apoiar na questão do filibuster, em acabar com o filibuster. Mas, antes disso, ele era um forte defensor do SAVE America. Nós tínhamos conversado sobre essa legislação apenas algumas horas antes da morte dele”, afirmou Trump.Trump também destacou que Graham o apoiou em outras ocasiões, incluindo durante o processo de confirmação de Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos Estados Unidos.O Senado também deverá analisar um pedido da Casa Branca para liberar recursos adicionais para a Defesa em meio à guerra contra o Irã. Graham teria sido um defensor contundente da medida, que enfrenta um caminho difícil no Congresso, já que, pelas regras do Senado, sua aprovação poderá depender do apoio de parlamentares dos dois partidos.O financiamento adicional ao Pentágono enfrenta outro obstáculo devido à ausência, já há várias semanas, de Mitch McConnell, presidente da Subcomissão de Dotações para a Defesa do Senado.Poucos dias antes de sua morte, Graham comemorou uma importante vitória em sua iniciativa bipartidária para impor tarifas severas a países que importam petróleo e outras fontes de energia da Rússia.O senador democrata Chris Coons, que participou da recente cúpula da Otan e se reuniu com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, ao lado de Graham, afirmou que o senador havia ficado “radiante” após receber o aval de Trump para avançar com o pacote de sanções.Após a morte de Graham, alguns senadores alinhados a ele na política externa passaram a pressionar a liderança do Senado para colocar rapidamente em votação o projeto de sanções que ele e o senador democrata Richard Blumenthal vinham defendendo há mais de um ano.“Não poderia haver homenagem mais apropriada a Lindsey, ao seu legado e às causas pelas quais ele lutou do que aprovar essa legislação e concretizar seu antigo sonho de uma Ucrânia independente e segura”, afirmou no domingo a senadora Jeanne Shaheen, principal democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado.Graham também teria sido um importante defensor de Todd Blanche, atual procurador-geral interino, que deverá comparecer nesta semana à Comissão Judiciária do Senado enquanto Trump busca sua confirmação para assumir, em caráter permanente, o comando do Departamento de Justiça.