IPCA surpreende, abre espaço para mais cortes da Selic e muda aposta na renda fixa, diz Empiricus

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A desaceleração da inflação trouxe um conforto técnico maior para o Banco Central continuar o ciclo de cortes de juros, afirma Laís Costa, analista da Empiricus Research nesta sexta-feira (10).Em entrevista ao Giro do Mercado, a especialista classificou os dados do IPCA de junho como “muito positivos”. Na visão dela, a desaceleraçãoda inflação em bens não-duráveis e serviços foram os destaques e, as perspectivas agora são “mais otimistas para o ciclo de cortes de juros”.“Já tínhamos a visão de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, que era o que a gente entendia que o Banco Central estava disposto a fazer. Agora acreditamos que há mais espaço para ele continuar, mas ainda restam dúvidas se as pausas do último comunicado devem acontecer”, afirmou.Confira a análise completa no Giro do Mercado:A expectativa para agosto, de acordo com a analista, é de que o IPCA provavelmente registrará deflação. Segundo ela, a expectativa se baseia na visão otimista para os componentes da inflação que já apresentaram comportamento favorável, além de um fator técnico previsto para o mês seguinte: o bônus de Itaipu. “Esse efeito deve reduzir a inflação dos preços administrados, que têm um peso relevante na composição do indicador”, explicou.Sobre o impacto dos novos dados para o mercado, a tendência é que as revisões para baixo da inflação continuem nos próximos meses, em parte por fatores internos que devem devolver parte da pressão observada no primeiro semestre. Ela destaca que esse movimento é “muito positivo”, pois, embora não seja possível desvincular completamente o cenário doméstico do ambiente externo, “especialmente da questão cambial”, o quadro para os ativos brasileiros “parece melhor daqui para frente”.No programa, ela também deu recomendações para os investidores em renda fixa. Na visão de Costa, os títulos atrelados ao IPCA com taxas entre 7% e 8% continuam sendo uma excelente alternativa para pessoas físicas, por combinarem simplicidade, baixo custo, rentabilidade elevada e uma assimetria positiva. Ela ressalta que essa avaliação não muda, especialmente para quem busca construir patrimônio no longo prazo.Já no curto prazo, ela indica que a desaceleração da inflação reduz a parcela de correção pelo IPCA e, consequentemente, amplia o juro real, tornando os títulos prefixados mais atrativos do ponto de vista tático. “Hoje eu faria um aporte no pré-fixado, mas, não venderia um título IPCA+ a 8%, principalmente pensando em construção de patrimônio a longo prazo”, sinaliza.*Com supervisão de Vitor Azevedo