Quem poderia imaginar que em Guangxi, região no sul da China, acabaria enfrentando problemas com as quase 20 milhões de cobras criadas em seus criadouros? Foi exatamente o que ocorreu em Hengzhou após a passagem do tufão Maysak.Com quase um milhão de habitantes, a cidade precisou lidar não apenas com as enchentes e as dezenas de mortes provocadas pelo desastre, mas também com a presença inesperada de milhares de animais espalhados pelas áreas urbanas.Entre eles estavam cerca de três mil cobras — inclusive espécies venenosas, como a naja —, além de animais que escaparam do Zoológico de Guigang, como zebras, pôneis em miniatura, avestruzes e guaxinins. A correnteza também arrastou mais de 16 mil porcos.Equipes especializadas iniciaram a captura desses animais, enquanto as autoridades reforçaram os estoques de soro antiofídico e os hospitais se prepararam para um possível aumento no número de casos de picadas.Enquanto as águas baixam, ainda não se sabe por quanto tempo esses animais continuarão sendo um risco para a população, nem se a quantidade total capturada foi suficiente para conter o perigo.O cenário apocalípticoAs autoridades chinesas inicialmente minimizaram a ameaça, estimando que apenas novecentas cobras estivessem soltas após o tufão Maysak. Dois dias depois, porém, os esforços das equipes resultaram na captura de entre 2 mil e 3 mil serpentes, compostas por cobras-rato e najas.De acordo com a equipe de defesa civil, as serpentes costumam se abrigar em locais escondidos, como cantos de casas. Por isso, os moradores avisavam os profissionais sempre que encontravam alguma, que então a recolhia e a devolvia à natureza.A ocasião causou uma fatalidade: de acordo com relatos da CNN, uma moradora da cidade veio à óbito após ter sido picada por uma naja, de temperamento irritadiço e veneno potente. A mulher não pôde ser socorrida a tempo porque as enchentes bloquearam as estradas e dificultaram o acesso a atendimento médico.Além dos rastejantes, porcos e animais do Zoológico de Guigang fugiram na noite de quarta-feira (8). A entidade divulgou um alerta emergencial, pedindo para a população informações sobre os animais fugitivos e alertando que eles se tornam agressivos quando assustados.A história por trás das cobrasConhecida como a “capital chinesa do jasmim”, devido ao cultivo da flor e à produção de seu chá há mais de 500 anos, Hengzhou e toda a região de Guangxi também se transformaram em um importante polo de criação de cobras.Segundo um relatório do jornal Guangxi Daily, a atividade, voltada a aplicações farmacêuticas e biomédicas, é responsável pela criação de mais de cem espécies em mais de 14 mil criadouros.A região também faz fronteira com o Vietnã e abriga uma grande diversidade de grupos étnicos minoritários. A carne de cobra é considerada um alimento nutritivo pelos moradores, e a captura desses animais faz parte das tradições locais.*Sob supervisão de Renan Dantas.