Desde o início de 2026 o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vem intensificando o combate contra a divulgação de jogos de azar por parte de influenciadores digitais. Nessa quarta-feira (8/7), por exemplo, o órgão protocolou ação civil contra Virginia Fonseca e a plataforma Blaze, e descreveu a parceria entre a dupla como “conluio predatório”.Na peça, o MPDFT pediu que a influenciadora e a casa de apostas sejam condenadas a pagar um valor mínimo de R$ 120 milhões por danos morais coletivos. Conforme consta na ação, Virginia atuaria como “braço operacional” da Blaze.Meses antes, o ex-BBB Felipe Prior também entrou na mira do MPDFT e virou réu na Justiça após ser denunciado por crimes contra as relações de consumo e por “abuso da boa-fé para convencer vítimas a realizarem apostas ou especulação prejudiciais” – previsto no artigo 174 do Código Penal.A defesa de Virginia Fonseca rebateu as acusações. Segundo nota, a ação civil “deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora”. Felipe Prior foi procurado, mas não respondeu até a última atualização do texto. O espaço segue aberto.4 imagensFechar modal.1 de 4A influencer Virginia Fonseca é alvo de uma ação civil pública do MPDFT pela divulgação de casa de apostasInstagram/Reprodução2 de 4O TJDFT aceitou denúncia criminal apresentada pelo MPDFT e tornou Felipe Prior réu por crimes contra as relações de consumo e por “abusar da boa-fé ou inexperiência para convencer vítimas a realizarem apostas ou especulação prejudiciais” – previsto no artigo 174 do Código PenalReprodução3 de 4Na petição que pede a condenação da Blaze e de Virginia, o MPDFT cita o nome de outros influenciadores que utilizam as redes sociais para divulgar jogo de azar. Entre os mencionados está Neymar JúniorMartin Rickett/PA Images via Getty Images4 de 4Lucas Lira, de 34 anos, e Bruna Sunaika, de 31 anos – casal de influenciadores do Distrito Federal, também foram citados na ação públicaReprodução/Instagram Leia também Distrito FederalJustiça do DF torna ex-BBB réu por esquema predatório de aposta em bet Distrito FederalVirginia: MPDFT pede remoção de posts que prometam “lucros irreais” Mirelle PinheiroEntenda por que MP quer R$ 120 milhões de Virginia Distrito FederalAção do MP contra Virginia e Blaze foi motivada após 42 mil denúncias Na ação penal, que tramita na 2ª Vara Criminal do DF, o MPDFT diz que Prior está envolvido em “esquema de publicidade enganosa e predatória” voltado para a plataforma de apostas esportivas Seu.bet.br.Aceita em 13 de abril, a denúncia detalha uma operação estruturada para atrair consumidores “hipervulneráveis mediante promessas ilusórias de lucro”. Entre os principais pontos mencionados está a remuneração de Felipe Prior: de acordo com o MPDFT, o influenciador mantinha um contrato que previa benefícios diretos sobre o prejuízo da audiência.Na peça criminal, o MP cita investigação que vincula Prior ao seguinte modelo de negócio: pagamento fixo de R$ 20 por cada novo cadastro com depósito mínimo e participação direta de 15% sobre a receita gerada pelas perdas dos apostadores indicados por ele.Entre as estratégias citadas, destaca-se a promessa de “alavancagem 10x”, na qual o influenciador garantia retornos financeiros de R$ 5 mil em apenas 24 horas, a partir de um investimento inicial de R$ 20.Além de responder ao processo criminal, o ex-BBB sofreu condenação no âmbito civil. Em 19 de março, a 14ª Vara Cível de Brasília determinou que o influenciador apague das redes sociais publicações que prometiam ganhos certos com apostas esportivas.A decisão atendeu a um outro pedido do MPDFT, que também solicitou a condenação do influenciador e da empresa H2 Licensed LTDA ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de, no mínimo, R$ 5 milhões.Virginia FonsecaVirginia Fonseca virou alvo do Ministério Público do DF após o órgão receber relatório técnico contendo mais de 42 mil reclamações registradas em desfavor da Blaze, casa de aposta divulgada por ela.Segundo o MP, Virginia e a Blaze “atuam em um conluio predatório, onde a divisão de tarefas materializa uma estratégia conjunta de captação de consumidores por meios ilícitos”.Na ação, o órgão fiscalizador menciona um vídeo de Virginia encorajando os 56,7 milhões de seguidores no Instagram a apostarem no resultado do jogo das seleções de Cabo Verde e da Argentina.“Como esperado pelo senso médio, a Seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação”, pontua o MP.Na ação, obtida pelo coluna Grande Angular, o MP pediu que Virginia e a casa de apostas sejam condenadas a pagar um valor mínimo de R$ 120 milhões em indenização por danos morais coletivos. Conforme consta na peça, a influenciadora atuaria como “braço operacional” da plataforma.5 imagensFechar modal.1 de 5O MP pediu que Virginia e a casa de apostas Blaze sejam condenadas a pagar um valor mínimo de R$ 120 milhões em indenização por danos morais coletivosReprodução/Instagram @virginia2 de 5A influencer Virginia Fonseca é alvo de uma ação civil pública do MPDFT pela divulgação de casa de apostasInstagram/Reprodução3 de 5A ação cita induzimento abusivo da influenciadora no jogo entre Argentina e Cabo VerdeReprodução/redes sociais.4 de 5Em 2025, Virginia Fonseca prestou depoimento na CPI das Bets do Senado Federal que investigou apostas on-line Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophoto5 de 5Na época, foram mais de 3h de depoimento, em que ela exibiu a marca de uma de suas empresas para mais de 500 mil pessoas que acompanhavam a sessão por meio de uma transmissão governamental Hugo Barreto/Metrópoles @hugobarretophotoReferência a Neymar e outros influencersAinda na petição que pede a condenação da Blaze e da empresária, o MPDFT cita o nome de outros influenciadores que utilizam as redes sociais para divulgar jogo de azar. Entre os mencionados está o jogador da Seleção Brasileira Neymar Júnior.Segundo o MP, a imagem global de Neymar era usada de forma estratégica para atrair as pessoas com falsas promessas de “renda extra”, o que aumentou o prejuízo dos consumidores. Por conta disso, a Promotoria de Defesa do Consumidor exigiu que a Blaze entregue à Justiça a cópia integral do contrato com o atleta para entender os valores envolvidos e as regras de marketing que o jogador precisava seguir.Além de Neymar, os nomes de Lucas Lira, de 34 anos, e Sunaika Bruna, de 31 anos – casal de influenciadores do Distrito Federal, também foram citados na ação pública. Conforme adiantado pelo Metrópoles, a dupla fazia propaganda dos jogos e defendiam o site nas redes sociais.Em um dos vídeos, Lucas Lira chegou a mostrar que teria lucrado mais de R$ 10 mil, para encorajar os seguidores a apostarem. Na ocasião, o influencer apareceu extremamente eufórico e gritando: “Parou! R$ 10 mil! R$ 10.530! Ah, moleque!”.Por outro lado, Bruna Sunaika chegou a divulgar, em um vídeo no YouTube, a gravação de uma tela que mostra ela ganhando ao apostar R$ 500 e, depois perdendo, ao colocar R$ 300 na plataforma da Blaze. Após perder, ela diz que “tem que ter consciência da hora de parar”.Atualmente, não há nenhuma citação da Blaze nas redes sociais do casal. Os dois foram procurados via assessoria para se manifestarem, mas até o momento não se pronunciaram.Apesar do envolvimento das investigações sobre o modelo publicitário, Neymar, Lucas e Bruna não figuram como réus no polo passivo da ação civil. No entanto, o MP pediu que a casa de apostas apresente cópias dos contratos firmados com o jogador de futebol e com os influenciadores.Modus operandiNa ação que pede a condenação milionária de Virginia, o MPDFT menciona que a plataforma Blaze mantém parceria oficial com figuras públicas de “elevada projeção nacional e internacional”.“A utilização de influenciadores com tal magnitude potencializa exponencialmente o alcance da publicidade ostensiva, agravando o risco de lesão patrimonial a um número incalculável de consumidores, especialmente aqueles em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídos pela ilusória promessa de ‘renda extra'”, diz um trecho da petição.Segundo o MP, a casa de apostas segue o mesmo padrão de captação com agentes publicitários, “os ditos influencers”, desde pelo menos 2023, quando apurações mencionadas na peça foram iniciadas.“Adoção dos mesmos mecanismos de captação, utilização dos mesmos influenciadores digitais, emprego do mesmo enquadramento publicitário e aplicação das mesmas práticas de retenção e bloqueio em desfavor dos consumidores. Tal padrão indica, em tese a adoção de modelo operacional convergente no setor de apostas de quota fixa, conferindo às condutas apuradas caráter sistêmico e setorial, com potencial amplificação do dano coletivo e reforço da necessidade de resposta institucional adequada e proporcional”, consta na petição.O outro ladoLeia a nota da defesa de Virginia na íntegra:“A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9/7), da Ação Civil Pública. As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda.A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadoraA defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca”Os demais citados foram procurados, mas não responderam até a última atualização do texto. O espaço segue aberto.