O Afro Nation Portugal passou este fim de semana pela Praia da Rocha, em Portimão, voltando a receber milhares de pessoas para celebrar a música e a cultura da diáspora africana. Este é um festival inteiramente dedicado aos sons do afrobeats, amapiano, R&B, hip-hop, dancehall e outros géneros que hoje dominam a cena global.Na edição de 2026, o festival reuniu artistas de mais de 15 nacionalidades, com nomes oriundos de países como Nigéria, África do Sul, Brasil, Reino Unido e França. Tiago Castelo Branco, Diretor Executivo da MOT – Memories of Tomorrow, promotora responsável pelo festival, refletiu com a Líder sobre o que move este evento dedicado aos ritmos africanos e ressalva: «a autenticidade preserva-se mantendo o ADN do festival, sem nunca defraudar as expectativas da comunidade.» Como define a identidade do Afro Nation e o que o distingue no panorama nacional?O Afro Nation é mais do que um festival de música. É, acima de tudo, um evento de celebração mundial de uma cultura muito forte, com raízes globais e com uma identidade muito própria.É o maior evento mundial neste segmento e em Portugal não tem qualquer outro evento comparativo. Por outro lado, é também uma enorme máquina de promoção turística de Portimão, e de Portugal, enquanto destino global de evento de música. Realçamos que vendemos bilhetes em mais de 140 países no mundo o que torna este festival único e com elevado poder de internacionalização. Que evolução tem sentido desde as primeiras edições? Como se preserva a autenticidade de um evento como este?O festival tem vindo a crescer ao longo das sua cinco edições, quer a nível de line up, quer a nível de ofertas dentro do recinto. Hoje, o recinto do evento é uma verdadeira cidade de experiências. A autenticidade preserva-se mantendo-se o ADN do festival, sem nunca defraudar as expectativas da comunidade. O que entusiasma mais ao organizar um festival?São meses de trabalho, com várias equipas multidisciplinares a trabalharem todos num projeto comum. Mas, a maior sensação de dever cumprido é ver a felicidade do público, é percebermos que estamos a criar experiências positivas nas pessoas e que o nosso trabalho permanecerá na memória por muitos anos. Como se lida com a pressão de fazer um bom festival que também seja lucrativo?A primeira regra de ouro é nunca defraudar o público. Não se pode prometer algo que não existe ou que fica aquém das expectativas. Como em qualquer negócio, se o produto for bom, se se respeitar o cliente e toda a cadeia de valor, incluindo artistas, alcançamos os nossos objetivos. Como se gere uma enorme equipa, presença de marcas e egos de artistas?Com muito profissionalismo, bom senso e amor pelo trabalho. Há algum pedido inesperado ou momento insólito com artistas que se destaque na sua memória? E um concerto?Nesta indústria existem sempre situações inesperadas, contratempos e desafios. No entanto, tudo isto nos faz crescer e sermos ainda melhores. Costumo dizer «Se o Homem foi à Lua em 1969, em 2026 o céu é o limite…»Já tivemos muitos concertos ao longo deste anos mas destaco o primeiro de Burna Boy em 2019. O que é que o público nunca vê, mas faz realmente um festival acontecer?O backstage e toda a nossa equipa de controlo operacional, incluindo de segurança. Sente que o público mudou nos últimos anos? O que se procura hoje numa experiência de festival?O público no Afro Nation não mudou na sua essência mas aumentou exponencialmente a sua origem. Se nas primeiras edições o público era maioritariamente britânico, hoje o festival é mesmo global. As pessoas procuram uma boa experiência, boa música, bom ambiente e segurança. Como caracteriza a audiência do Afro Nation?O público do Afro Nation é muito especial. São pessoas que vêm dos quatro cantos do mundo para celebrar a vida, a sua cultura e a sua diáspora. Qual é o segredo para um festival memorável?Ser em Portugal, em Portimão, com uma produção de classe mundial e com um cartaz feito à medida das exigências do público. Leia todas as entrevistas:«Solomon Burke atuou sentado no seu trono, uma adaptação feita à cadeira de rodas»: Karla Campos recorda momentos marcantes do Ageas Cooljazz«Sines permanece uma ilha de tolerância onde a diversidade é vivida e celebrada», defende Carlos Seixas, Diretor do FMMO conteúdo «A regra de ouro é nunca defraudar o público», garante Tiago Castelo Branco (Afro Nation Portugal) aparece primeiro em Revista Líder.