Só uma em cada 12 empresas consegue provar que a IA compensa

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Segundo o relatório Global AI Pulse Q1 2026, apenas 8% das organizações conseguem comprovar um retorno efetivo do investimento (ROI) em IA, embora 95% já tenham definido uma estratégia para a adoção desta tecnologia.O estudo, que envolveu 2.110 executivos de topo de 20 países e oito setores de atividade, mostra que a adoção da IA entrou numa fase de maior maturidade. Cerca de 40% das empresas encontram-se já numa etapa de escalabilidade ou de implementação da tecnologia à escala empresarial, enquanto 64% afirmam que a IA está a gerar valor para o negócio.Ainda assim, a investigação revela que muitas organizações continuam sem conseguir traduzir esse valor em resultados financeiros mensuráveis.«Nos últimos dois anos assistimos a uma aceleração sem precedentes da adoção da IA. No entanto, os resultados deste estudo mostram-nos que o verdadeiro desafio deixou de ser tecnológico e é, atualmente, de governance. A questão já não é saber quem está a utilizar IA, mas sim quem está a conseguir transformar essa utilização em valor tangível para o negócio», afirma Rui Gonçalves, partner e responsável pela área de Technology Consulting da KPMG Portugal.Segundo o responsável, as empresas que lideram esta transformação são aquelas que conseguem integrar a Inteligência Artificial nos processos internos, nos modelos operacionais, na governação e na formação das equipas.Investimento mantém trajetória de crescimentoO estudo indica também que a confiança das empresas no potencial da IA continua elevada, traduzindo-se na manutenção de níveis significativos de investimento.A KPMG identifica um grupo restrito, correspondente a cerca de 11% das organizações analisadas, que se distingue por conseguir gerar resultados sustentáveis e mensuráveis através da tecnologia. Estas empresas apresentam maior maturidade na integração da IA, uma capacidade mais desenvolvida para medir impactos e modelos de governação e gestão do risco mais estruturados.Pessoas e governação fazem a diferençaA investigação conclui que os fatores humanos continuam a ser determinantes para o sucesso da Inteligência Artificial.As organizações que demonstram maior confiança na preparação das suas equipas para trabalhar com IA têm uma probabilidade quase quatro vezes superior de obter benefícios empresariais significativos. No entanto, apenas 22% dos inquiridos consideram que dispõem das competências necessárias para preparar a força de trabalho para um contexto cada vez mais apoiado por esta tecnologia.Ao mesmo tempo, os riscos associados à segurança continuam a preocupar os líderes empresariais. Cerca de 75% dos executivos manifestam preocupação com questões relacionadas com a utilização da IA, destacando a privacidade dos dados, a cibersegurança e a qualidade da informação como os principais entraves à expansão da tecnologia.IA autónoma no horizonteO relatório aponta ainda para uma evolução acelerada da Inteligência Artificial nos próximos anos. Quatro em cada cinco executivos acreditam que sistemas com capacidades de raciocínio comparáveis às humanas poderão surgir dentro de cinco anos.Esta expectativa está a impulsionar o investimento em agentes autónomos de IA e em sistemas capazes de gerir processos, tomar decisões e coordenar fluxos de trabalho de forma cada vez mais independente.Para a KPMG, esta transformação exigirá que as organizações adaptem desde já os seus modelos operacionais, preparando-se para um cenário em que a Inteligência Artificial deixará de ser apenas uma ferramenta de apoio para assumir um papel central na execução das atividades empresariais.O conteúdo Só uma em cada 12 empresas consegue provar que a IA compensa aparece primeiro em Revista Líder.