Desde sua criação, em 1979, a República Islâmica tem sido um sistema construído em torno da centralidade de um único homem: o líder supremo.Ruhollah Khomeini, a primeira pessoa a ocupar o cargo, foi uma figura de proporções monumentais que chegou ao poder graças a uma coalizão de revolucionários islamistas e de esquerda.Seu sucessor, Ali Khamenei, não possuía as mesmas credenciais religiosas, mas estava profundamente inserido na estrutura de poder da jovem república, tendo sido presidente e supervisionado a guerra contra o Iraque. Ex-líder supremo do Irã Ali Khamenei é enterrado Iranianos pedem vingança contra Trump durante cortejo de Ali Khamenei Entenda como funciona o sistema de poder do Irã e quem comanda o país Nos 37 anos em que governou como líder supremo, não se passou uma semana sequer sem que ele se dirigisse a multidões, se reunisse com autoridades estatais ou delegações estrangeiras.Ele estava sempre presente com seus pronunciamentos sobre todos os aspectos da vida iraniana e profundamente envolvido na construção das redes de poder político e econômico que mantiveram o regime no poder, mesmo quando ele, seu líder supremo, foi assassinado.Mas agora, a República Islâmica entrou em uma nova fase, na qual o topo da pirâmide não é visto nem sequer ouvido.A ausência de Mojtaba Khamenei no funeral de seu pai pode decorrer de preocupações legítimas do regime quanto à sua segurança, mas, sem dúvida, alimentará a questão mais ampla que apoiadores e opositores do regime vêm levando diariamente nos últimos quatro meses: quem realmente dá as cartas?Em algum momento, supõe-se, os milhões de fiéis que foram às ruas nesta semana precisarão ver, de fato, o líder cuja autoridade deve permear o sistema.Quanto mais tempo ele permanecer ausente, mais frágil será o seu controle, uma vez que o sistema construído por seu pai estava tão estreitamente vinculado ao topo que, sem ele, corre o risco de se desintegrar e, talvez, dar lugar a uma nova forma de governança no Irã.Quem é Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã