Um artista marrom, como orgulhosamente se assume, e que traz consigo uma Argentina pouco visibilizada na música, o rapper Milo J, nome artístico de Camilo Joaquín Villarruel, 19, é um fenômeno da música urbana latino-americana. Após passagem pelo Rock in Rio, estreia em São Paulo com dois shows esgotados, um no domingo (13) e outro nesta terça-feira (15), na Audio.Nascido em Morón, na província de Buenos Aires, em 2006, Milo J construiu sua trajetória a partir do encontro entre rap, trap, hip hop, baladas e ritmos latinos, desenvolvendo uma sonoridade que transita entre diferentes referências sem perder o caráter confessional das composições.Com milhões de reproduções nas plataformas digitais — impossível passar ileso por faixas como “Bajo de la Piel”, “Solifican12” e “Niño”, do álbum “La Vida Era Más Corta” (2025) — ele se tornou um dos nomes de maior projeção da música latina contemporânea. Leia Mais No Brasil, Demi Lovato posta dançando funk; veja Rock in Rio 2026: qual foi o melhor show do festival? Vote Como Zara Larsson alcançou estrelato após mais de 10 anos na música A ascensão de Milo J aconteceu rapidamente. Um dos principais momentos da carreira veio em 2023, quando participou da Bzrp Music Sessions #57, com o produtor argentino Bizarrap. A parceria ajudou a ampliar o alcance do artista e o colocou no radar de públicos de outros países da América Latina. Milo J também colaborou com nomes como Nicki Nicole, Peso Pluma e TINI.Tiny DeskDepois, veio o alcance global fruto de um trabalho consistente, com a participação no Tiny Desk — projeto de apresentações idealizado pela rádio americana NPR. No YouTube, o episódio com Milo já contabiliza mais de 18 milhões de visualizações.Antes de completar 20 anos, ele já recebeu indicações ao Latin Grammy e venceu o Prêmio Gardel, uma das principais premiações da música argentina. Entre os reconhecimentos está o Gardel de Oro, categoria que já premiou artistas como Mercedes Sosa, Fito Páez e Luis Alberto Spinetta.“La Vida Era Más Corta”A discografia de Milo J acompanha a evolução de sua sonoridade. O primeiro álbum de estúdio, “111”, foi lançado em 2023 e reúne 11 faixas. O trabalho inclui músicas como “Una Bala”, “Carencias de Cordura”, “Dom1ngo” e “M.A.I”, sendo essa uma das músicas de maior sucesso do álbum, com mais de 450 milhões de reproduções no Spotify.Em 2024, veio o segundo álbum de estúdio, “166”, com 12 faixas. O trabalho também ganhou uma versão deluxe, lançada posteriormente, com faixas como “Olimpo”, “Daña (Elvira)”, “La Tortura” e “Ojalá”.Em 2025, Milo J apresentou “La Vida Era Más Corta”, álbum que marcou uma mudança de trajetória. Se os primeiros trabalhos estavam mais diretamente ligados ao trap e ao rap, o disco aproxima a música urbana de referências tradicionais argentinas e latino-americanas.O álbum tem 15 faixas, divididas em duas partes, e mistura elementos de chacarera, milonga, carnavalito e murga com instrumentos e sonoridades contemporâneas, um resgate à música folclórica argentina.Quem escuta o álbum não deixa de perceber uma cantiga em português sampleada em “Recordé”. Trata-se de “Meu Labor das Matas”, do grupo Morro da Crioula, letra que remete às religiões de matriz afro-indígena do Nordeste brasileiro, e exalta a entidade Rei Malunguinho.Para Milo J, essa relação visceral com a arte, em traduzir e mesclar gêneros, é um processo criativo que nasce de uma necessidade de expressão genuína, não somente um rótulo profissional. “Não sou um músico, sou uma pessoa que faz música”, disse, em entrevista à CNN Español.Milo J: Tiny Desk ConcertPrimeira vez no BrasilA estreia brasileira acontece em um momento de expansão internacional da carreira de Milo J. Depois de apresentações em grandes palcos na Argentina e em outros países da América Latina, o cantor desembarca em São Paulo para duas apresentações na Audio, nos dias 13 e 15 de setembro.Os shows fazem parte do MUCHO! Ciudad Sonora, projeto que, em 2026, amplia a atuação do MUCHO! para uma programação contínua dedicada à música da América Latina, da Península Ibérica e de suas diásporas culturais.Ao longo do ano, o projeto ocupa diferentes casas de shows de São Paulo e reúne artistas como Iseo & Dodosound, da Espanha; Los Mirlos, do Peru; La Bomba de Tiempo, da Argentina; e Aterciopelados, da Colômbia.Criado em 2017, o festival já realizou oito edições e recebeu mais de 40 mil pessoas. Em 2026, a iniciativa passa a funcionar também como uma plataforma permanente de circulação da música latino-americana pela capital paulista.Elton John e Gilberto Gil no Rock in Rio: veja como foi o 4° dia de festival | CNN NOVO DIAMichael Jackson está de volta: por que Rei do Pop virou fenômeno em 2026?