A Engie Brasil Energia vê possibilidade de retomar novos investimentos em geração renovável apenas em um horizonte de quatro a cinco anos, a depender do crescimento da economia brasileira e da demanda por eletricidade. Segundo o CEO da companhia, Eduardo Sattamini, a redução dos juros e uma perspectiva mais favorável para o consumo de energia poderão criar condições para uma nova rodada de expansão.Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN Money, o executivo afirmou que o setor deverá precisar de capacidade adicional de geração nesse horizonte, caso a atividade econômica avance.“Em algum momento, quando o país voltar a crescer, taxa de juros reduzindo e tendo um pouco mais de perspectiva do crescimento da demanda, vamos precisar em quatro ou cinco anos ter nova capacidade agregada ao setor”, disse.Enquanto aguarda essa mudança de cenário, a Engie mantém sua carteira de projetos, embora as decisões de novos investimentos em renováveis estejam paralisadas.“Nossa decisão de investimentos em renováveis está paralisada, mas a gente continua nutrindo nosso pipeline para que em algum momento a gente venha responder com energia renovável”, afirmou.Na avaliação de Sattamini, o desafio atual é corrigir os desequilíbrios entre a oferta e o consumo. O país tem um “excesso de energia no horário errado”, disse, em referência à concentração da produção solar durante o dia, enquanto o pico de consumo ocorre à noite.Há também um desencontro geográfico. Segundo o executivo, um volume elevado de investimentos em geração foi direcionado ao Nordeste, enquanto a carga está predominantemente no Sudeste. Houve “muito investimento em solar em momento em que o pico está de noite”, afirmou.Nesse cenário, Sattamini considera prioritário melhorar a infraestrutura do setor. Ele citou os leilões de baterias e de transmissão como iniciativas para enfrentar esses problemas, permitindo armazenar energia para uso em outros horários e ampliar as condições de transporte entre as regiões.A avaliação acompanha uma corrente do setor que questiona a racionalidade de ampliar a geração renovável sem crescimento correspondente da demanda. Como mostrou a CNN, representantes da Aneel, do ONS, da Abdib, do mercado financeiro e dos consumidores avaliam que a oferta avançou mais rapidamente que o consumo, estimulada por subsídios, enquanto os cortes de geração pressionam as receitas dos empreendimentos.A espera por condições mais favoráveis para novos projetos não afasta oportunidades de fusões e aquisições. A Engie, que comprou hidrelétricas da EDP, mantém essas operações no radar. Os ativos solares, contudo, estão fora dos planos: segundo Sattamini, não fazem sentido para a companhia neste momento.