Veículo por assinatura ganha força no Brasil com juros altos e financiamento caro

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Veículo por assinatura ganha espaço no Brasil em meio à Selic em 14% ao ano e à taxa média de financiamento de veículos para pessoa física em 26,61% ao ano. Nesse cenário, a lógica de comprar um automóvel perde atratividade, enquanto o uso por meio de mensalidade fixa passa a chamar mais atenção de consumidores e empresas.Setor de locação bate recorde e sustenta expansão da assinaturaOs números do setor de locação ajudam a explicar a mudança. Em 2025, as locadoras encerraram o ano com frota recorde de 1.717.848 automóveis e comerciais leves, alta de 6,2% em relação ao ano anterior. Além disso, o faturamento chegou a R$ 61,7 bilhões, segundo a ABLA.O setor também investiu R$ 79,3 bilhões na compra de novos veículos, valor 15,3% superior ao registrado em 2024. Com isso, as locadoras responderam por 24,6% de todos os emplacamentos de automóveis e comerciais leves do país.“Na assinatura, não há juros sobre o valor do veículo. A mensalidade cobre o uso e os serviços inclusos: documentação, IPVA, seguro, manutenção preventiva e corretiva, pneus, assistência 24 horas, carro reserva, gestão de multas, telemetria e até a administração da venda futura do automóvel, sem entrada e com custo previsível. Para quem tem capital, a conta também pesa: imobilizar dinheiro em um ativo que desvaloriza, com a Selic rendendo 14% ao ano em renda fixa, é caro”, ressalta o economista e empresário Fábio Ongaro, CEO da Energy Group, holding que engloba a Drive Select, focada em carros premium por assinatura.Ongaro acrescenta: “A locadora fica com a burocracia, o risco operacional e a experiência de descobrir quanto vale um automóvel usado quatro anos depois. Com juros nesse patamar, assinar deixa de ser tendência e vira decisão racional de finanças”.Custo financeiro favorece o uso em vez da posseSegundo estimativas da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA), a modalidade de assinatura de veículos cresceu 125% nos últimos sete anos no Brasil. O mercado trabalha com estimativas de 150 mil a 200 mil contratos ativos e expansão anual de 30% a 40%.Na avaliação de Ongaro, cerca de 54% da frota das locadoras brasileiras já está ligada à gestão e terceirização de frotas, contratos de longo prazo e veículos por assinatura. Ele afirma que esse percentual deve continuar avançando.“Apesar do avanço, o Brasil ainda está distante da maturidade internacional. Estimamos que a terceirização das frotas privadas brasileiras esteja em torno de 20% a 25%, enquanto mercados maduros da Europa e dos Estados Unidos superam 50%. Talvez aí esteja uma das maiores oportunidades do setor”, afirma.Para as empresas, a lógica também pesa. Comprar uma frota significa imobilizar capital em um ativo que não integra o core business. “Uma empresa deveria usar seu dinheiro para crescer, investir em tecnologia, contratar pessoas, financiar estoques, conquistar clientes e desenvolver novos mercados. Ou pode comprar 30 SUVs e admirar o estacionamento”, aponta o CEO da Energy Group.O movimento, segundo ele, acompanha uma transformação mais ampla da economia, em que empresas trocaram a compra de servidores por computação em nuvem, passaram a contratar software por assinatura e migraram equipamentos da propriedade para o pagamento pelo uso. “Por que o automóvel deveria escapar dessa transformação?”, questiona. “Talvez, daqui a alguns anos, a pergunta não seja mais ‘qual carro você tem?’, mas ‘qual carro você está usando agora?’”, conclui Ongaro.O post Veículo por assinatura ganha força no Brasil com juros altos e financiamento caro apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.