O dólar registrou alta de 0,43% sobre o real, cotado a R$ 5,14, nesta segunda-feira (14/9). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,91%, aos 185,5 mil pontos.O clima nos mercados globais de câmbio e de ações foi de aversão ao risco no início desta semana. E não faltaram motivos para que a cautela prevalecesse entre os investidores: alta do petróleo, dúvidas sobre aportes em inteligência artificial (IA), incertezas em relação aos juros no Brasil e nos Estados Unidos e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Leia também EconomiaDólar dá guinada e sobe com agravamento da crise no STF. Bolsa cai EconomiaDólar cai e Bolsa sobe: com eleição, investidor ignora petróleo a US$ 107 EconomiaDólar sobe e Bolsa cai com petróleo acima de US$ 100 e tensão no STF EconomiaDólar cai e Bolsa dispara com avanço de Flávio sobre Lula em pesquisa Nesse caldo de informações, o câmbio no Brasil dançou conforme a música global. Mesmo porque o dólar também se valorizou na comparação com uma cesta de seis divisas de economias fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), feita pelo índice DXY. De acordo com o indicador, a moeda americana subia 0,33%, aos 99,45 pontos, às 16h45.Moedas de outros países emergentes, cuja comparação é mais adequada com o real, também recuaram frente ao dólar. Às 16h45, a moeda americana, por exemplo, subia 0,78% em relação ao peso colombiano e 1,00% sobre o mexicano.BolsasAssim como o Ibovespa, a maior parte dos principais índices europeus fechou em baixa. Isso vale para o Euro Stoxx 50 (-0,79%), para o DAX, de Frankfurt (-0,60%), e para o CAC 40, de Paris (-0,76%). A exceção foi o FTSE 100, de Londres, que subiu 0,44%.Em Wall Street, as baixas também dominaram o dia. Às 16h45, elas eram de 0,34%, no S&P 500; de 0,23%, no Dow Jones; e de 0,32%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.GuerraUm novo acirramento da guerra entre Estados Unidos e Irã contribuiu com tais números. E o resultado líquido e imediato do fator “mais guerra” foi a elevação do preço do petróleo, que se aproximou de US$ 110 por barril, que aumenta a pressão sobre a inflação mundial. No fim da sessão, contudo, o ritmo da alta diminuiu.O barril do tipo Brent, a referência internacional do petróleo, fechou em alta de 1,02%, a US$ 105,68. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, subiu 0,87%, a US$ 100,92.Desenvolvimento de IAAinda no cenário externo, analistas observam que as bolsas também refletiram nesta segunda-feira as declarações de líderes de gigantes do setor de tecnologia feitas no fim de semana. Eles defendem maior controle e uma redução do ritmo do desenvolvimento de novos sistemas de inteligência artificial (IA). Com isso, os papéis de gigantes globais de tecnologia foram afetados.A frenagem nas pesquisas de IA foi sugerida pelos CEOs da Anthropic (dona do Claude) e da OpenAI (do ChatGPT), além do bilionário Elon Musk, da xAI, da rede social “X”, da Tesla e da SpaceX. Eles disseram que temem que o avanço de IA fuja ao controle das empresas do setor, facilitando o uso desses modelos em ações que vão de fraudes à criação de armas biológicas — o que já está ocorrendo, segundo artigo publicado no sábado (12/9) pelo chefão da Anthropic, Dario Amodei.JurosAlém de todos esses fatores, os agentes econômicos estão em compasso de espera, aguardando os desdobramentos da “Superquarta” (16/9), quando os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil definirão as novas taxas básicas de juros dos dois países.A expectativa dos analistas é de uma alta de 0,25 ponto percentual dos juros americanos. No caso brasileiro, espera-se uma queda do mesmo valor, numa redução da Selic dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano.Crise no STFAlém disso, no cenário interno, os investidores esperam por eventuais fatos novos decorrentes da “Superterça” (15/9) no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, a Corte definirá se vai abrir uma investigação sobre a suposta troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.EleiçõesNo mercado interno, a eleição também segue “fazendo preço”, como dizem os analistas. Nova pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira indicou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num eventual segundo turno. Flávio tem 42%, ante 40% de Lula. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais.AnáliseJoão Vitor Saccardo, da mesa de renda variável da Convexa, observa que baixas das ações da Vale, Petrobras e dos bancos, além da crise no STF, pesaram sobre o recuo do Ibovespa. “O petróleo vinha em forte alta pela manhã, provocada pelo fechamento de um importante oleoduto na Arábia Saudita”, diz. “Toda a alta foi devolvida com o possível acordo entre Rússia e Ucrânia, para suspender ataques à infraestrutura de energia de ambos os países.”Saccardo acrescenta que a Vale, cujos papéis caíram mais de 3%, sofreu o impacto da redução do preço do minério de ferro no mundo, por causa da “menor lucratividade das siderúrgicas chinesas, o que enfraquece as perspectivas de demanda pelo produto”.Emerson Junior, da mesa de câmbio da corretora, afirma que a alta do dólar refletiu a postura cautelosa do mercado às vésperas da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), com “investidores amplamente posicionados para uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros nos Estados Unidos”. “No cenário doméstico, o dólar acompanhou a tendência externa frente a outros emergentes.”Juros futurosRafael Dadoorian, especialista em renda fixa da mesma corretora, destaca que os juros futuros fecharam majoritariamente em alta, com um avanço maior nos vencimentos intermediários e longos da curva, em uma sessão marcada pela piora do ambiente externo e pelas expectativas para a “Superquarta”.“No exterior, os rendimentos dos Treasuries (os títulos da dívida americana) avançaram, com o título de 10 anos superando os 5% durante o pregão, em meio à disparada do petróleo e às preocupações com os efeitos inflacionários do choque da commodity”, diz. “O mercado também ajustou as apostas para a decisão Fed desta quarta-feira, com expectativa de elevação de 0,25 ponto percentual dos juros americanos.”