O que nos ensina a Tunísia

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O seu termo de comparação era Portugal. Ao longo do tempo, todavia, fui assistindo ao aumento do desencanto com a democracia. O caso português, tentava explicar, mostra que a democracia não é uma varinha mágica.Em 2026 é a Tunísia, creio, que tem lições para Portugal. O desencanto com a democracia permitiu a emergência de um líder, Kais Saied, descrito pelo Financial Times como populista. Mesmo as pessoas com mais educação formal admitiam a necessidade de alguém capaz de contrariar a corrupção e acabar com o desgoverno. Já este ano, no livro que escrevi com o meu colega Arménio Rego, A falácia do grande líder, usámos o caso tunisino como revelador da fragilidade inevitável dos ‘grandes líderes’.Não era preciso uma bola de cristal para perceber o futuro: este agosto o povo saiu à rua para protestar contra o suposto líder salvador. A mensagem é clara e é dupla: primeiro, desconfiemos de todos os grandes líderes; segundo: as democracias têm de permitir fazer e não apenas discutir e impedir. Convém que os partidos da democracia se entendam para fazer e deixar fazer, sob pena de estarem a abrir caminho para um salvador da pátria com as discussões infrutíferas que pouco interessam ao cidadão.O conteúdo O que nos ensina a Tunísia aparece primeiro em Revista Líder.