Crédito à habitação: taxa mista já pesa quase 86% nos novos contratos

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O crédito à habitação em Portugal está cada vez mais concentrado na taxa mista. Em julho de 2026, esta modalidade representou 85,88% dos novos contratos, segundo o Barómetro Simplefy de setembro. No mesmo mês, o montante total de novas operações, incluindo renegociações, atingiu 2.836 milhões de euros.Excluindo os contratos renegociados, o relatório estima um volume de 2.342 milhões de euros de novo crédito. É o quinto mês consecutivo acima da fasquia dos dois mil milhões, num contexto em que o financiamento para a compra de casa mantém expressão elevada e a avaliação bancária dos imóveis continua a aumentar.Leia também: Preços das casas caem, mas comprar um T2 ainda absorve 49% do rendimento de um casalTaxa mista domina, mas juros voltam a subirA distribuição dos novos contratos mostra o peso reduzido das restantes modalidades: a taxa variável representa 11,76% e a taxa fixa 2,36%, de acordo com os dados apresentados pela Simplefy.A taxa mista combina um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior de taxa variável, como explica o Banco de Portugal. Esta estrutura permite conhecer antecipadamente a prestação durante os primeiros anos, mas mantém a exposição às oscilações do indexante após o fim desse período.O barómetro descreve uma mudança face ao cenário de meados de 2022, quando a taxa variável tinha um peso superior a 80%. Desde então, a taxa mista ganhou espaço nas novas contratações.Entretanto, a taxa de juro média das novas operações subiu de 2,93% em junho para 2,95% em julho, prolongando o movimento ascendente apresentado pelo relatório desde abril. A subida dos juros acompanha, assim, um mercado em que os novos financiamentos continuam a superar largamente as renegociações. Renegociações representam 17,43% das operaçõesEm julho, as renegociações corresponderam a 17,43% do montante total das novas operações, abaixo dos 21,73% registados em junho, segundo o barómetro.O documento interpreta esta evolução como um sinal do maior peso do crédito novo na atividade bancária. Os financiamentos sem renegociação representaram cerca de 82,6% do total do mês.Na metodologia, a Simplefy esclarece que estima o montante de crédito sem renegociações a partir do volume total e da percentagem correspondente aos contratos renegociados. Avaliação bancária das casas sobe 15,2% num anoNo mercado imobiliário, o valor mediano da avaliação bancária atingiu 2.240 euros por metro quadrado em julho, mais 295 euros do que no mesmo mês de 2025. A subida homóloga foi de aproximadamente 15,2%.Nos apartamentos, o valor mediano fixou-se em 2.627 euros por metro quadrado. Nas moradias, chegou aos 1.606 euros. Estes indicadores dizem respeito às avaliações realizadas no âmbito do financiamento bancário e não correspondem aos preços efetivos de venda.Quanto às transações, os dados apresentados no barómetro referem-se ao primeiro trimestre de 2026: foram registadas 37.745 operações, com um montante médio de 262.839 euros.Para quem procura comprar casa, o retrato reúne duas dimensões distintas: o valor dos imóveis e as condições de financiamento. A predominância da taxa mista oferece previsibilidade numa fase inicial do empréstimo, enquanto a evolução dos juros continua a ser relevante para os encargos futuros.O conteúdo Crédito à habitação: taxa mista já pesa quase 86% nos novos contratos aparece primeiro em Revista Líder.